domingo, junho 19, 2016

'Programa do governo golpista não passaria nas urnas', diz Dilma na BA. Vai ver que foi por isso que ela aplicou um estelionato em 2014!

COMENTANDO A NOTÍCIA

Abaixo, texto de João Pedro Pitombo, de Salvador, para a Folha de são Paulo. Comentaremos no próximo post.  

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A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) disse nesta quinta-feira (16) em Salvador que o presidente interino Michel Temer (PMDB) está "desmontando o país" e aplicando um programa que não passaria nas urnas.

Em discurso ao receber um título de cidadã baiana na Assembleia Legislativa da Bahia, Dilma criticou a proposta enviada ao Congresso Nacional por Temer que retira o índice mínimo de investimento em saúde e educação.

"Não há nenhuma justificativa, nem sequer razão para reduzir justamente saúde e educação num país como o Brasil. Sabemos que este programa levado a cabo pelo governo golpista e provisório não passaria nas urnas deste país", disse.

No discurso, Dilma não fez nenhuma menção à delação do ex-presidente da Transpetro  Sérgio Machado que acusa Temer pediu recursos ilícitos para a campanha a prefeito de São Paulo de Gabriel Chalita em 2012.

Dilma comparou os opositores a "parasitas" que querem destruir a "árvore da democracia" e acusou o governo interino de "desmontar o país" aplicando um programa de governo sem debater com os movimentos sociais.

"Um governo provisório não pode desmontar o país, não pode fazer o país voltar atrás".

Dilma ainda afirmou que o programa Bolsa-Família "está correndo risco". "Cada vez que falaram que o programa tem que ser focado, que tem que pagar só para 5% das famílias, isso tem na base disso um preconceito de que quem recebe está enganado e fingindo que precisa. É um preconceito forte contra os pobres", disse.

E acusou o governo interino querer acabar com a faixa um do Minha Casa, Minha Vida, que destina imóveis para famílias mais pobres, com renda familiar mensal até R$ 2.000.

"Acabar com a faixa um é ferir o Minha Casa, Minha Vida de Morte, é acabar com o programa. 80% do deficit habitacional está nesta faixa".

Dilma ainda criticou a proposta que flexibiliza o regime de concessão dos campos de petróleo do pré-sal.

BANHO DE PIPOCA
A presidente afastada foi recebida no plenário da Assembleia por militantes, que gritaram "volta, querida" e lançaram sobre ela pétalas de rosas e pipoca, tradição do candomblé para afastar maus fluidos.

Do lado de fora da Assembleia, um grupo de militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) protestavam contra o presidente interino Michel Temer.

O título de cidadã baiana foi proposto pelo deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) em 2011, primeiro ano de mandato de Dilma.

Antes de se tornar deputado, Rosemberg foi gerente regional da Petrobras e foi alvo de polêmica ao repassar recursos para ONGs presididas por petistas para o patrocínio de festas juninas. É um dos aliados mais próximos de José Sérgio Gabrielli.

Participaram da entrega da honraria os ex-ministros Jaques Wagner (Gabinete da Presidência) e Juca Ferreira (Cultura), além do governador da Bahia Rui Costa (PT).

A entrega do título de cidadã em Salvador faz parte de uma série de viagens da presidente afastada por capitais do Nordeste, principal reduto eleitoral do PT.

Dilma tem usado os eventos para replicar o discurso de que o governo interino de Michel Temer é "ilegítimo" e "quer impor retrocessos à população".

Nesta quarta (15), a petista esteve em João Pessoa, onde participou de uma audiência pública no Centro Cultural José Lins do Rego, onde comparou o governo Temer a oligarquias da República Velha.

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