sexta-feira, junho 03, 2016

Retrato do desastre

 Vicente Nunes
Correio Braziliense

Quando analisados isoladamente, os indicadores econômicos dos últimos meses do governo de Dilma Rousseff deixam qualquer um desanimado. Quando avaliados em conjunto, dão a exata dimensão da destruição do país provocada pela petista.

Hoje, o Instituto Bradileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou que o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 5,4% no primeiro trimestre deste ano ante o mesmo período de 2015, o oitavo recuo seguido nesta base de comparação, e 0,3% frente os últimos três meses do ano passado, a quinta queda consecutiva. Quase nenhum dos indicadores que compõem o PIB ficou de pé. Investimentos, consumo das famílias, indústria, serviços. Todos apontaram quedas fortes. Não por acaso, a desconfiança no país é enorme.

A queda dos investimentos de 2,7% no primeiro trimestre ante os três meses anteriores indica que a recuperação da economia será lenta  e demorada. A única boa notícia no PIB foi que o recuo de 0,3% ficou abaixo das projeções médias do mercado, de tombo de 0,7%. A diferença decorreu dos gastos do governo, o único indicador que apontou alta entre janeiro e março frente os três meses imediatamente anteriores. A gastança avançou 1,1%. Uma distorção e tanto, uma vez que a atividade deveria estar sendo sustentada pelos setor privado.

Desemprego 
Ontem, o mesmo IBGE mostrou que o desemprego bateu novo recorde. Alcançou 11,2%. Ou seja, 11,4 milhões de brasileiros estão sem trabalho, vítimas da profunda recessão na qual o país mergulhou. A renda média real desabou 3,3% na comparação de abril deste ano com o mesmo mês de 2015. Não há perspectiva de recuperação para o emprego antes de 2017, devido ao encolhimento da produção. Antes de contratarem de novo, quando a economia voltar a crescer, as empresas vão reutilizar o parque fabril que está desativado, a tal capacidade ociosa.

As contas públicas completam o desastre. Nos primeiros quatro meses deste ano, o governo federal registrou rombo de R$ 8,5 bilhões, fato inédito para o período. Quando incluídos estados e municípios, o buraco chegou a 10% do PIB nos 12 meses terminados sem abril, levando-se em consideração os gastos com juros.

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