terça-feira, julho 12, 2016

84 mil funcionários dos Correios pagarão durante 23 anos o rombo de R$ 4 bilhões no Fundo Postalis

Blog Políbio Braga


Fabrizio Dulcetti Neves em SP, proprietário de um apartamento com 1.200 m², é apontado pelo MPF como o mentor das fraudes do Postalis  

MP denuncia oito por fraudes em fundo de pensão dos Correios. O dinheiro foi desviado para títulos superfaturados. Resultado: funcionários vão ter que pagar para tapar o rombo. 

A reportagem a seguir, copidescada pelo editor, é do Jornal Nacional . Leia tudo com atenção:

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O Ministério Público, em São Paulo, denunciou oito pessoas por fraudes no fundo de pensão dos Correios, conhecido como Postalis. Os funcionários e os aposentados da empresa é que estão pagando a conta.

O buraco do Postalis, todo ele formado durante os governos Lula e Dilma, nas administrações petistas, é de R$ 4 bilhões. Parte, por fraudes no Postalis, como mostra a denúncia apresentada nesta terça-feira pelo Ministério Público Federal de São Paulo. Para tapar esse rombo, um desconto será aplicado sobre salários e aposentadorias por 23 anos. E essa dívida deve ser paga até 2039, e pode ficar de herança. Para funcionários, o desconto total pode chegar a 6%. Para os aposentados, quase 18%. E também vale para pensões de viúvas e viúvos.

Eles fizeram com que os aposentados tivessem de pagar a conta da corrupção que está vindo descontada no contracheque deles. Para os 84 mil funcionários e aposentados do Postalis que já estão pagando a conta, despesas e sonhos vão ser adiados.

A procuradora que investiga o caso explica que o Postalis fez um investimento no exterior para conseguir rendimento melhor e, no futuro, pagar as aposentadorias. Mas o dinheiro foi desviado para títulos superfaturados, entre eles, títulos da Venezuela e da Argentina, que representam quase metade do rombo.

Para o Ministério Público, o mentor da fraude foi Fabrizio Dulcetti Neves, sócio da empresa que gerenciava as aplicações internacionais do Postalis. Ele mora nos Estados Unidos e foi investigado pelo órgão que regula o mercado de capitais americano. Foi acusado de usar empresas em paraísos fiscais para vender ao fundo de pensão dos Correios títulos por um valor muito acima do que valiam. 

Uma das empresas pertencia à sogra de Fabrício, Mercedes Monteiro, também denunciada pelo Ministério Público. No fim de 2015, a Polícia Federal fez busca e apreensão no apartamento de Fabrízio no Morumbi, Zona Sul de São Paulo. É um dos maiores do país, com 1.220 metros quadrados. Foi avaliado entre R$ 12 milhões e R$ 16 milhões. A planta padrão, disponível na internet, mostra uma sala gigantesca, cabe um piano de cauda, uma piscina na sacada. Tem cinco suítes, e só o quarto principal mais de 200 metros quadrados.

O prejuízo total da fraude entre 2006 e 2011 equivalente hoje a R$ 465 milhões.

Entre os oito denunciadas pelo Ministério Público também está o ex-presidente do Postalis Alexej Predtechensky. Ele teria recebido US$ 1,5 milhão em comissões sobre as transações do Postalis no exterior. Alexej foi apontado pelo MP como peça chave no esquema porque tinha poder decisivo nas movimentações financeiras e permitiu a fraude.

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