sexta-feira, julho 15, 2016

Após ataque, Hollande prolonga estado de emergência por três meses

O Globo 
Com informações Agências Internacionais 

Presidente francês diz que a França será mais forte do que fanáticos

FRANCOIS MORI / AFP
François Hollande reage a atentado de Nice em pronunciamento televisionado 

PARIS — O presidente francês, François Hollande, chamou de "um horrível atentado terrorista" o ataque de um caminhão que matou pelo menos 80 pessoas em Nice nesta quinta-feira. Em uma declaração à imprensa, ele disse que toda a França está sob a ameaça terrorista islâmica. O estado de emergência — cuja suspensão para o fim do mês havia sido anunciada horas atrás — será, na verdade, prolongado por três meses. Nenhum grupo terrorista reivindicou o ataque que choca o país e líderes internacionais.

No discurso, Hollande ressaltou o simbolismo do ataque no dia 14 de julho, em que se comemora o Dia da Bastilha, um símbolo da liberdade para os franceses. Ele enviou solidariedade às vítimas do atentado, confirmando que há diversas crianças e pessoas gravemente feridas. O presidente voltou às pressas a Paris quando soube da notícia do ataque.

— A França como um todo está sob a ameaça do terrorismo — disse. — Temos que demonstrar a vigilância absoluta e aumentar nosso nível de proteção. A natureza terrorista do ataque não pode ser negada. Nós vamos continuar a enfrentar aqueles que nos ameaçam.

O presidente ainda disse que a França será mais forte do que os fanáticos, que claramente mantêm o país como alvo.

As causas do ataque não foram definidas ainda, mas testemunhas afirmam que o motorista sabia o que estava fazendo. Ele teria acelerado propositadamente sobre a multidão e, em seguida, começado a atirar, segundo uma das testemunhas.

O Ministério do Interior confirmou que o motorista do caminhão foi neutralizado no local. Agora, investigadores tentam descobrir se ele agiu sozinho ou não e procuram potenciais cúmplices. Até o momento, ninguém foi detido. Segundo a imprensa, várias armas, fuzis e granadas foram encontradas no interior do caminhão. Uma fonte disse ao jornal que estes são indícios de um ato terrorista premeditado.

O ataque atingiu uma multidão que se reuniu para participar da festa nacional da Queda da Bastilha e ver a queima de fogos no Passeio dos Ingleses, um local muito procurado por turistas, às margens do Mar Mediterrâneo.

Os atentados nos últimos quatro anos na França


Sete mortos em 2012
Em março de 2012, Mohammed Merah matou três militares e quatro judeus na região de Toulouse, antes de ser morto pela polícia. Ele também é suspeito de influenciar o jihadista francês Fabien Clain, cuja voz foi identificada na mensagem de reivindicação dos atentados de Paris, ano passado.

Foto: PASCAL PAVANI / AFP
Membros da RAID, a tropa de elite da polícia francesa, deixam a região 
onde vivia o militante islâmico Mohamed Merah, morto em confronto após um cerco de 32 horas 


11 mortos no Charlie Hebdo
No dia 7 de janeiro de 2015, 11 funcionários do Charlie Hebdo, em Paris, foram mortos, na sede do jornal. Entre as vítimas, estavam o diretor da publicação, cartunistas e policiais.

Foto: REUTERS TV / REUTERS
Pelo menos tres terroristas participaram do ataque 
à revista 'Charlie Hebdo', em Paris 


130 mortos em novembro de 2015
No maior atentado da história da França, 130 pessoas foram mortas em ataques coordenados em Paris, no dia 13 de novembro do ano passado.

Foto: FRANCK FIFE / AFP 
Especialistas forenses periciam local de um dos atentados em Saint-Denis,
 próximo ao Stade France, onde ocorreram duas explosões 

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