quarta-feira, julho 06, 2016

Desembargador que mandou soltar Cavendish enfim se declarou “suspeito”

Tribuna da Internet
Chico Otávio e Juliana Castro, O Globo


Athié homenageado no IAB,
 que é presidido por Técio Lins e Silva

O desembargador Ivan Athié, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), declarou-se suspeito para atuar nos casos que envolvem o ex-diretor da Delta Fernando Cavendish, aceitando pedido feito pela procuradora regional da República Monica de Ré. Como O Globo mostrou na edição desta terça-feira, o desembargador já foi defendido pelo mesmo escritório de advocacia que atua em favor do empresário. Cavendish foi um dos cinco beneficiados na última sexta-feira por decisão de Athié, que converteu a prisão preventiva dos detidos na Operação Saqueador em domiciliar. Mesmo com a determinação do desembargador, Cavendish, o bicheiro Carlinhos Cachoeira e outros três seguem em Bangu 8, já que o governo do Rio está sem tornozeleiras eletrônicas.

O Ministério Público Federal (MPF) havia pedido à Justiça que o desembargador não julgasse mais os casos relacionados ao ex-dono da Delta. O pleito se baseia na demonstração de laços de amizade anterior entre o referido desembargador e o advogado que representa o empresário Fernando Cavendish.

SEM IMPARCIALIDADE –“Sem pretender fazer juízo de mérito sobre o julgamento realizado, não há como se recusar a constatação de que as circunstâncias descritas retiram do magistrado o distanciamento e a imparcialidade necessários à apreciação desse processo, sobretudo pelo fato de Fernando Antônio Cavendish Soares constar como parte”, salientou a procuradora regional Monica Campos de Ré no pedido.

O MPF também recorreu da decisão de Athié de converter a prisão domiciliar dos detidos na Operação Saqueador em domiciliar. A sessão está marcada para o próximo dia 13.

O Globo tentou entrar em contato com Athié, por meio da assessoria do tribunal, para saber se ele se manifestaria sobre o pedido do MPF para que ele fosse declarado suspeito, mas não obteve resposta. No dia anterior, a assessoria havia informado que o magistrado entrou de férias na última segunda-feira.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A desmoralização do Judiciário é impressionante. O mais incrível foi o advogado Técio Lins e Silva pedir e obter notas de solidariedade da OAB e do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros), que vem a ser presidido por ele próprio. Parece que as pessoas estão perdendo até o senso do ridículo. (C.N.)

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