quarta-feira, julho 06, 2016

Os bilhões de dólares das Olimpíadas e das Copas

Rodrigo Capelo
Revista ÉPOCA

COI e Fifa, os donos dos espetáculos, alternam o status de mais rico a cada quatro anos e têm negócios parecidos: a receita é toda deles, e o gasto todo das sedes

(Foto: Getty Images)
O Rio de Janeiro, sede da Copa em 2014 e da Olimpíada em 2016, 
encheu os bolsos tanto da Fifa quanto do COI 

Copa do Mundo e Olimpíada. Os dois maiores eventos esportivos do planeta, ambos realizados no Brasil entre 2014 e 2016, rendem bilhões de dólares para os donos dos espetáculos – a Fifa e o Comitê Olímpico Internacional (COI). Quanto? ÉPOCA extraiu os valores das demonstrações financeiras publicadas na última década.

As duas associações internacionais alternam a liderança em arrecadação a cada ciclo de quatro anos. A Copa, sozinha, é mais lucrativa. Mas os Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno, somados, superaram todas as Copas anteriores desde o início dos anos 2000.

Os modelos de negócios da Fifa e do COI são parecidos. O grosso das receitas, nos dois casos, vem dos acordos de direitos de transmissão. A diferença é que os Jogos geram mais dinheiro entre emissoras das Américas, e a Copa na Europa. Os patrocínios são a segunda maior fonte – a Fifa, aí, leva vantagem sobre o COI. Outras receitas, muito menores, se dividem entre hospitalidade e licenciamentos. A regra é a mesma para as duas entidades: o faturamento é todo delas.

Do lado das despesas, a regra é outra: os governos dos países e das cidades sedes pagam a conta. As construções e reformas de estádios e ginásios, o que há de mais caro e essencial para a realização dos eventos, são pagas com os impostos das populações das sedes. Os bilhões de dólares que Fifa e COI arrecadam com Copas e Olimpíadas são majoritariamente repassados para os cartolas que estão abaixo deles na estrutura, como federações nacionais e comitês.

A grana também banca alguns gastos com os próprios eventos, como a produção das imagens que são vendidas para emissoras do mundo todo, e os salários dos funcionários das entidades, que nos últimos anos se tornaram mais numerosos e mais caros. E sobra.

Sobra muito. Nos 12 anos entre os Jogos de Inverno em Salt Lake e os Jogos de Verão em Londres, o COI teve um superávit de US$ 1,4 bilhão. A Fifa, nos 12 anos entre a Copa da Alemanha e a do Brasil, lucrou US$ 4,8 bilhões. A diferença é gritante entre as duas federações, porque a olímpica repassa muito mais dinheiro para associações nacionais do que a de futebol, que fica com a maior parte para ela.




Nenhum comentário: