domingo, julho 03, 2016

Superávit comercial de US$ 23 bi é o melhor para 1º semestre desde 1989

Manoel Ventura*
O Globo

Exportações somaram US$ 90,2 bi; importações, US$ 66,6 bi

 Paulo Fridman / 10/11/2015 / Bloomberg
Carga de exportação de açúcar em navio atracado no Porto de Santos 

BRASÍLIA - Com exportações caindo a taxas menores do que as importações, o dólar em alta e a atividade econômica em baixa, a balança comercial brasileira fechou o primeiro semestre deste ano com superávit de US$ 23,6 bilhões, o melhor desempenho desde o início da série histórica do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC), em 1989.

O recorde anterior para os seis primeiros meses do ano foi registrado em 2007, quando o superavit alcançou US$ 20,5 bilhões.

Apesar de ajudar no superavit, o câmbio ainda não foi capaz de aumentar as receitas das exportações. Nos seis primeiros meses do ano, as vendas para o exterior somaram US$ 90,2 bilhões, queda de 5,9% na média diária em relação a 2015.

Com a queda das exportações, o recorde do saldo é explicado pela retração acentuada das importações — resultado da atividade econômica. Os desembarques no primeiro semestre de 2016 somaram US$ 66,6 bilhões, tombo de 28,9%, pela média diária, sobre o mesmo período do ano passado.

Por outro lado, o perfil da balança mostra que empresariado brasileiro está exportando com preços mais baixos em dólar. No primeiro semestre, o volume exportado foi 9,8% maior que em 2015, ao passo que índice de preços caiu 14,8% no período. O volume de desembarques foi 20,1% menor que no ano passado.

Nos primeiros seis meses desse ano, recuaram as vendas para o exterior dos produtos básicos (-7,9%), manufaturados (-4,0%) e semimanufaturados (-1,5%). Já, as importações, comparado ao primeiro semestre do ano passado, houve queda nas compras de combustíveis e lubrificantes (-48,9%), bens de consumo (-27,5%), bens intermediários (-26,8%) e bens de capital (-19,9%).

Dados do MDIC apontam ainda que o aumento do saldo comercial ocorreu, também, por conta da queda nas importações do petróleo e combustíveis. O déficit da chamada conta petróleo caiu de US$ 3,63 bilhões nos seis primeiros meses do ano passado para um resultado negativo de US$ 957 milhões no mesmo período desde ano.

RESULTADO DE JUNHO
No mês de junho, a balança comercial registrou superávit de US$ 4 bilhões, valor menor que o saldo do mesmo mês do ano anterior (US$ 4,5 bilhões). No último mês, as exportações somaram US$ 16,74 bilhões, com média diária de US$ 761 milhões, e queda de 18,6% sobre o mesmo mês de 2015, ao mesmo tempo em que as compras do exterior totalizaram US$ 12,77 bilhões — com recuo de 19,3% sobre junho do ano passado.

Segundo o diretor de Estatística e Apoio à Exportação do MDIC, Herlon Brandão, a queda no superávit de junho em relação a 2015 ocorreu por dois motivos principais: o pico nos embarques de soja neste ano foi em abril (enquanto no ao passado foi em junho) e a entrada de bens por conta de um projeto da Vale.

MDIC: QUEDA NO DÓLAR NÃO INFLUENCIA
O ministério estima para este ano um superávit comercial entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões, o que seria um recorde histórico no saldo da balança. De acordo Brandão, a desvalorização do dólar em junho, que caiu 11% em junho, maior queda percentual em um mês desde abril de 2003, não deve ter impacto sobre as exportações.

(*Estagiário sob supervisão de Eliane Oliveira)

Nenhum comentário: