domingo, julho 03, 2016

Treze reféns são resgatados em restaurante em Bangladesh. Foram mortas 26 pessoas

O Globo 

Após mais 11 horas de cerco, 26 pessoas morreram, incluindo seis terroristas

STRINGER / REUTERS
Forças de segurança de Bangladesh nas proximidades 
do restaurante invadido por terrorista em Daca 

DACA — Após mais de 11 horas de cerco, cerca de cem agentes de forças de elite e comandos da Marinha invadiram, na manhã deste sábado (noite de sexta-feira no Brasil), um restaurante onde terroristas supostamente ligados ao Estado Islâmico (EI) fizeram reféns na zona diplomática da capital de Bangladesh. Tiros e explosões foram ouvidos e um combate intenso ocorreu. Segundo Tuhin Mohammad Massud, comandante do Batalhão de Ação Rápida, 13 pessoas foram resgatadas entre elas, dez bengalis e três estrangeiros. Vinte seis pessoas foram mortas, incluindo seis terroristas.

— Abatemos seis terroristas. A área foi liberada — disse o comandante, que liderou o assalto ao restaurante. Segundo o porta-voz do exército, coronel Rashidul Hasan, a operação terminou e a situação está sob controle.

Pelo menos dois policiais morreram em uma operação mais cedo e mais de 40 pessoas ficaram feridas. Algumas horas após o início da invasão — que começou pouco antes das 21h de sexta-feira — o EI reivindicou a autoria do ataque nas redes sociais e divulgou fotos através da agência Amaq — pela qual costuma emitir comunicados. Alguns dos 20 reféns conseguiram escapar, entre eles um argentino.

— Foi um momento horrível. Nasci de novo e hoje é também o meu aniversário — disse Diego Rossini, chef do local, que não soube precisar o número de mortos. — Foi um massacre, chegaram atirando.

De acordo com o grupo extremista, o atentado teria deixado mais de 20 mortos de diferentes nacionalidades — o que foi negado pela polícia. Mas especialistas de Inteligência americanos afirmaram que, com base em operações anteriores, é mais provável que um braço da al-Qaeda na região tenha conduzindo o ataque.

A elite das forças de segurança foi espalhada no bairro, e o chefe da unidade, Benazir Ahmed, disse aos repórteres que estava tentando fazer contato com os criminosos para negociar. Na primeira tentativa de tomar o local, dois policiais morreram e três ficaram feridos ao serem atingidos por disparos.

— É uma missão suicida, e os atacantes não querem negociar nada — explicou o embaixador italiano em Daca, Mario Palma.

O dono da Holey Artisan Bakery escapou do ataque. Sumon Reza, um dos gerentes do estabelecimento, também conseguiu fugir pelo telhado para uma loja vizinha. Segundo ele, os atiradores aparentavam ter menos de 30 anos e carregavam pequenas armas de fogo — pelo menos um deles tinha um objeto cortante. A testemunha também afirmou que eles gritavam “Allahu Akhbar” (“Deus é grande”) durante a invasão.

— Eles lançaram granadas, desencadeando pânico. Carregavam pistolas, espadas e bombas. Eu consegui escapar da confusão — relatou.

O tiroteio aconteceu perto do Nordic Club, local bastante frequentado por expatriados dos países nórdicos. A embaixada do Qatar também fica perto do restaurante.

Desde 2013, o extremismo islâmico no país atinge escritores e blogueiros laicos, professores e membros de minorias religiosas como hindus, cristãos e budistas. A autoria dos ataques foi atribuída a militantes radicais e parece ter como objetivo silenciar os críticos da religião. Foram mais de 50 mortos em três anos.

Nenhum comentário: