terça-feira, maio 10, 2016

A história do golpe que deu errado

Ricardo Noblat



Na noite da última quinta-feira, horas depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) suspender o mandato do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de corrupção, seu colega Waldir Maranhão (PP-MA), já no exercício da presidência da Câmara, foi convidado pelo deputado Sílvio Costa (PT do B-PE), vice-líder do governo, para uma reunião com a presidente Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada.

Ali, até o começo da madrugada, Maranhão, Costa, Dilma e os ministros Ricardo Berzoini (PT-SP), da Secretaria do governo, e José Eduardo Cardoso (PT-SP) da Advocacia Geral da União, conversaram sobre a decisão do STF, a tramitação do processo de impeachment no Senado e o que Maranhão pensava fazer como novo presidente da Câmara. Foi uma conversa amena, de aliados. Afinal, Maranhão votara contra o impeachment.

No dia seguinte, pela manhã, Costa visitou Maranhão no apartamento onde ele mora. De lá foi para a Câmara, convocou os jornalistas e anunciou: Maranhão lhe prometera tocar adiante m um pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer, e estudar a possibilidade de anular a votação na Câmara do pedido de impeachment de Dilma. Costa estava eufórico. E comentou:

- Waldir me jurou de pé junto que vai cumprir a Constituição. Se os líderes não enviarem os nomes [para compor a comissão do impeachment de Temer], caberá a nós recorrer ao STF.

A reunião do Alvorada produzira bons resultados. A ponto de na tarde da sexta-feira, deputados ligados a Temer procurarem Maranhão para dizer que o vice-presidente queria falar com ele. Os dois se falaram por telefone quando Temer já estava dentro do jatinho da FAB que o levaria a São Paulo. A ligação não durou mais do que cinco minutos. Temer propôs e Maranhão concordou com um encontro dos dois no domingo à noite, em Brasília.

Naquela mesma tarde, Maranhão visitou Eduardo Cunha na residência oficial do presidente da Câmara, no Lago Sul. No sábado, em jato da FAB, voou para o seu Estado. Mal chegou lá, reuniu-se com o governador Flávio Dino (PC do B),  que prometera apoiá-lo como candidato ao Senado em 2018 desde que ele votasse contra o impeachment, como Maranhão o fez. Dino cobrou de Maranhão mais uma ajuda para evitar a queda de Dilma.

Por mais de uma hora, Dino expôs a Maranhão todos os pontos considerados por ele “frágeis” do processo de impeachment. Maranhão ouviu mais do que falou, embora não tenha discordado de nada do que Dino lhe disse. O governador reafirmou o apoio à candidatura dele ao Senado. O encontro terminou com o convite feito por Maranhão para que Dino o acompanhasse na viagem de volta a Brasília, no domingo.

Assim que o jatinho pousou em Brasília, Maranhão e Dino foram jantar no apartamento de Sílvio Costa, onde os aguardava o ministro José Eduardo Cardozo. O grupo comeu e bebeu pelo menos três garrafas de vinho de boa qualidade, e uma de uma cachaça forte à base de mandioca trazida por Maranhão da viagem a São Luís. Em certo momento, já alcoolizado, Maranhão virou-se para Cardozo e disse:

- Chefe, nada posso fazer, mas faço questão de descer a rampa do Palácio do Planalto ao lado da chefa quando ela for embora.

- Quem disse que você não pode fazer nada? – perguntou Cardozo. E, em seguida, explicou o que ele poderia fazer: anular a sessão da Câmara que aprovara o impeachment. Disse como isso poderia ser feito. E ofereceu-se para redigir o ato que Maranhão assinaria como presidente da Câmara em exercício. Maranhão concordou com a oferta na hora. Alegou que não era jurista e que não poderia contar com a ajuda da equipe de técnicos da Câmara.

O ato que ele assinou lhe foi entregue antes do amanhecer de ontem.

Quanto ao encontro com Temer combinado na sexta-feira: Maranhão faltou. E sequer telefonou para se desculpar. Temer procurou-o em vão. Ele também combinara se encontrar com o ex-senador José Sarney (PMDB-MA), aliado de Temer. Faltou ao encontro. Por volta das 21h30 do domingo, Sarney procurou-o para dizer que era tarde e que iria dormir. Em vão.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Ao roteiro descrito pelo Noblat faltaram algumas “pimentinhas” para melhor esclarecer o golpe urdido pelo Palácio do Planalto. É o que nos narra o jornalista gaúcho  Políbio Braga, demonstrativo de que estamos mesmo sendo governados pelo crime organizado no poder, e que a gente transcreve abaixo.   

Eis o flagrante do carro de Waldir Maranhão saindo do bunker de Lula no Golden Tulip.



O carro ao lado é do vice-presidente da Câmara, Waldir Maranhão. A foto foi tomada dois dias antes do impeachment, quando o deputado saía de encontro com Lula no hotel Golden Tulip.

Ontem a noite ele esteve com o ministro José Eduardo Cardozo e com o governador do Maranhão, Flávio Dino, com os quais tramou o golpe parlamentar de hoje.

A foto foi tomada no dia 15 de abril, 13h10min. O fotógrafo nem imaginou que a foto teria utilidade.

Esta tarde segunda feira, 09/05), o blog Pensa Brasil, informou que a PRF teria interceptado um carro que seria de Maranhão, que estaria portando R$ 2 milhões. A informação não foi confirmada por ninguém.

CLIQUE AQUI para examinar.

Abaixo veja Waldir Maranhão sendo abordado quando entrava no hotel Golden Tulip horas antes da votação na Câmara. Após a reunião o deputado mudou o seu voto de pró impeachment para contra impeachment.





RETOMO:
Mesmo que a informação sobre os R$ 2,0 milhões que estariam sendo transportados por Waldir Maranhão não venha a ser confirmada, o golpe armado pelo governo demonstra a necessidade desta senhora ser imediatamente afastada do poder, fazendo-se acompanhar de toda a sua gangue de delinquentes. 

A ocupação de partidários do PT dentro do Palácio do Planalto promovendo atos político-partidários, é uma verdadeira agressão às instituições democráticas e ao estado de direito. Chega de baderna, de golpes baixos, de mediocridade, incompetência, retrocessos e ladroeira sem conta. 

E, tudo o que o Brasil não precisa neste momento difícil, é a permanência destes larápios e delinquentes, eles sim verdadeiros golpistas, infestando o país com suas mazelas e crimes. Precisamos afastá-los de imediato para o Brasil voltar a ser decente, retomando seu caminho de estabilidade tanto política quanto econômica. 

DESOCUPA,  DILMA ROUSSEFF!!!