quinta-feira, maio 19, 2016

Brasil teima em ser atrasado, em meio ao crescente despreparo cultural

Tribuna da Internet
Ronaldo Conde, Blog Penedo




Acho que foi em 2012 ou 2013, não lembro. Um sujeito (não nos conhecíamos) do Ministério da Cultura telefonou-me: queria conversar comigo. Eu disse que sim. Ele queria que eu participasse da equipe que iria escrever o Plano Nacional de Cultura. Eu não estava a fim – por isso fiz uma pergunta que ele não esperava: “Quanto você vai me pagar?” O sujeito aparentemente levou um susto: “Como? Quanto eu vou pagar?” Expliquei: “Você não ganha pelo seu trabalho? Então é justo que eu seja pago pelo meu trabalho”.

Ele disse que me telefonaria depois. Desliguei – certo que o sujeito não me ligaria mais. Engano. Dois dias depois ele retornou e me ofereceu uma remuneração, que achei pouco – e fiz uma contraproposta. Ele aceitou no ato.

Eles queriam que eu escrevesse um texto sobre a assim chamada “cultura popular”, coisa simples, que liquidei em alguns dias.

REUNIÕES COM A TURMA
Mas o que eu quero lhes dizer é que participei de duas reuniões com a “turma” que dominava o Ministério da Cultura. Numa delas, vi uma cena típica dos tempos: ao meu lado direito, um sujeito pôs sobre a mesa ostensivamente um chaveiro com a efígie de Trotsky; a duas pessoas dele, outro sujeito em resposta tinha sobre a mesa um chaveiro que homenageava Stalin. Pensei comigo: “O que estou fazendo aqui?”

Ouvi mais que falei. O que ouvi não me agradou. O jargão era o óbvio: desenvolvimento desigual e combinado, forças produtivas, cultura das elites, cultura do povo, alguém comentou que tinha lido um artigo sobre Eros Velúsia, uma bailarina que marcou época no chamado teatro de revista. Outro citou Antônio Cândido, um terceiro falou em Alfredo Bosi, um sujeito fez a exegese do circo, mas ninguém se pronunciou a respeito de uma política de cultura.

Bem, para resumir: escrevi meu texto, recebi o pagamento e nunca mais estive no Ministério da Cultura.

APARELHAMENTO
Às vezes, chegavam-me ecos do acontecia por lá, os quais não me agradavam. O fato é que o Minc foi, como tantos outros ministérios, aparelhado pelo PT e pelo PCdoB, que refletiram na estrutura burocrática as alas e grupos e subgrupos desses partidos, cada qual buscando a hegemonia e o domínio sobre os demais.

O Ministério da Cultura – visto de fora – não seguia itinerários administrativos e políticos determinados, como qualquer unidade da estrutura governamental, mas parecia um arquipélago de tendências e intenções partidárias. Com um adicional: muitas decisões eram estapafúrdias.

A liberação de grana refletia isso. Certa vez, li, espantado, que um poeta de quinta categoria de Brasília (eu li esse poeta e, por isso, sei exatamente por que ele é de quinta) foi indicado pelo ministério para “representar os escritores de Brasília na Feira Internacional de Frankfurt”. Não sei quais os critérios da escolha, mas o sujeitinho recebeu passagens, diárias e um pagamento adicional, muitas mordomias.

“ESPÍRITO DO LUGAR”
Noutra ocasião, um grupo de escritores recebeu grana para, cada qual, se instalar numa capital do mundo (sim do mundo!) – e lá, captando o espírito do lugar, escrever um livro. Não sei também os critérios de escolha, como não sei se os livros foram escritos. Mas isto talvez não fosse o mais importante. A intenção talvez fosse cooptá-los, fazer um agrado, sei lá.

Não vou falar a respeito da Lei Rouanet – tão generosa para com os “amigos” e “aliados”. Outro dia, recebi no Facebook uma mensagem que listava doze projetos estranhos e absurdos favorecidos pela Lei Rouanet. Não vou falar sobre eles, mas muitos que nos últimos dias gritavam contra o impeachment da Dilma constavam da listagem. Uma das propostas beneficiadas foi uma peça escatológica, onde uns sujeitos, em círculo, enfiavam o dedo ou o nariz no rabicó dos outros.

INTELECTUALIDADE
Nesses tantos anos petistas, a chamada intelectualidade brasileira calou-se diante dos descalabros. Alguns – claro – porque estavam comprometidos e eram beneficiários; outros, não beneficiários, fizeram boca de siri por razões ideológicas; terceiros, nada disseram por prudência, talvez receio do patrulhamento que inevitavelmente viria.

Houve um tempo em que educação e cultura eram entendidas como complementares e, não, como duas coisas estanques, uma lá, outra cá. Eram tempos de gente da maior qualidade na sua direção: Capanema, Carlos Drummond de Andrade (chefe de gabinete de Capanema), Josué Montello, Augusto Meyer, José Honório Rodrigues, Adonias Filho, Edmundo Moniz, Edson Nery da Fonseca, José Simeão Leal. Gente que o regime militar afastou. Gente que desapareceu.

Os governos petistas não trouxeram gente equivalente, mas convocaram os chamados “núcleos de cultura” dos partidos dominantes, muitos dos quais são incapazes de definir cultura.

DANOS NA CULTURA
Todos falam nos danos econômicos, políticos, na dívida, na inflação, no emburacamento dos Fundos de Pensão, na corrupção, mas poucos falam nos danos na cultura. Falo de cadeira, pois jamais recebi um tostão furado pelos livros que escrevi (a não ser meus direitos autorais), jamais recebi um agrado e, à exceção da minha participação na elaboração do Plano Nacional de Cultura, recusei todos os demais convites que me fizeram.

Não transformei minha vida intelectual em nenhuma badalação: não gosto sequer de noites de autógrafos, não participo de rodas, mas duvido que muitos pseudoescritores que vagam por aí tenham vendido mais livros que eu. O tal poetastro de quem falei acima não vendeu 1% do que eu vendi.

Reitero não vejo nenhum problema na volta do velho MEC, desde haja uma faxina e organização da instituição. Eu seria mais radical: eu, por exemplo, extinguiria o Ministério da Ciência e Tecnologia, fundiria CNPq e Capes, levava a FINEP para o BNDES. A fusão CNPq e Capes evitaria que pesquisadores brasileiros, que acham que o Estado é deles, recebessem, à sorrelfa, bolsas e auxílios de um e outro para o mesmo projeto.

O Estado brasileiro precisa ser refeito – e drasticamente reduzido com o fito de ser eficiente e eficaz.

Em tempo (1): Tudo bem que a participação dos estudantes seja essencial, que eles reivindiquem idem, que discutam idem, mas é essencial que eles estudem, que o ensino seja severo, que os professores sejam cultos, preparados e atualizados. Sei que os salários são baixos, as escolas precárias, mas não será com ocupações, depredações e agressões, que as coisas vão dar certo ou melhorar. A educação no Brasil, hoje, é uma vergonha – e parte da culpa cabe aos (àqueles) professores que não honram a sua profissão e dos estudantes (àqueles) que não estudam.

Em tempo (2): Hoje, vi na TV uma criança de escola pública dizer o seguinte: “A gente tem que estudar o que quer, o que a gente gosta – não o que eles querem que a gente estude”. Uma vez vi um sujeito do MEC (era um coordenador, um quadro intermediário) dizer: “Cada escola tem que ter o seu currículo definido pela comunidade”. Quando penso nas revoluções educacionais da Coreia do Sul e do Japão – sinto uma vontade de chorar copiosamente. O Brasil é um país que se recusa a ser minimamente civilizado.

(artigo enviado pelo comentarista Mário Assis Causanilhas)

******* COMENTANDO A NOTÍCIA:

O texto demonstra duas coisas. Primeiro, que o aparelhamento vergonhoso e criminoso promovido pelas hostes petistas, está na base das razões que levaram o Brasil à ruína e os brasileiros ao desemprego, perda de renda endividamento  e empobrecimento.E, a segunda, o presidente Temer tinha completa razão em incorporar ao Ministério da Educação o da Cultura.O Minc tornou-se, em 13 anos, um antro corrompido e que precisava ser desmontado.  

Chega a ser patético esta gente “representativa” da classe sair protestando e ocupando prédios exigindo o renascimento de um antro maligno. A cultura brasileira não poderia, nas mãos destes impostores, ser mais vilipendiada do que foi.  Em 13 anos, pasmem!, o Ministério conseguiu a proeza de gastar apenas e tão somente 50% dos recursos  que lhe foram destinados e, ainda assim, encerrou sua existência como Ministério com uma dívida acumulada de mais de R$ 320 milhões. São duvidosos, portanto, os motivos dos manifestantes pela volta de um órgão natimorto, que se sequer conseguiu  dotar o país de uma política cultural digna do nome. 

Museus abandonado sem nenhuma segurança, portas abertas para o roubo de relíquias históricas, patrimônio histórico caindo aos pedaços, bibliotecas públicas sem um mínimo de condições e sem nenhuma renovação de seu acervo, são apenas algumas das terríveis lacunas jamais atendidas por um Ministério que se comprovou inútil. 

Claro que o MInc não era o único setor comandado pelo governo petista entregue ao compadrio, roubalheira, fisiologismo, abandono, aparelhamento criminoso. Existem milhares de motivos que levaram o país à ruína econômica e retrocesso social e institucional. 

Se possível fosse, o país aplaudiria de pé um projeto de lei incorporando às Cláusulas Pétreas da Constituição determinação para  que nenhum petista ou até mesmo esquerdista, fosse permitido ocupar cargos públicos.

O quadro descrito por Ronaldo Conde se repete na tal de EBC que administra a tal de “TV Brasil” e em praticamente todas as estatais, fundos de pensão, autarquias, fundações. Não é a toa, por exemplo, que conseguiram quebrar a Petrobrás, com maior dívida do mundo, e a Eletrobrás, apenas para ficar nestes dois casos.

O processo de limpeza e depuração do Brasil , como se vê, será longo, custoso e doloroso. Mais um pouco e esta quadrilha teria quebrado o Brasil, a exemplo do se vê na Venezuela. 

Pergunta: então, quem são os golpistas de fato?   Basta de analfabetos, ignorantes e feiticeiros cuidando tanto da educação quanto da cultura brasileiras, as quais, por sinal,  não são excludentes, interelacionam entre si de modo permanente. 

Que o governo Temer divulgue para o mundo, o estado de falência múltipla herdada dos governos petistas.

Adelson Elias Vasconcellos

A opinião apresentada neste texto não é única. Há um enorme consenso para que Temer dê luz aos números da ruína praticada pelo governo Dilma contra o Brasil que ela imaginava governar e que, como vimos e ainda veremos, não passou de uma triste ilusão de uma governante inábil, medíocre, incapaz, golpista às últimas consequências, e que nos custará enormes sacrifícios a todos os brasileiros, pelo menos próximos 10 anos. E assim será se tudo der certo, caso contrário, recuperar o país do retrocesso praticado deliberadamente por Dilma poderá demandar mais anos ainda. Em resumo: os brasileiros precisam conhecer a desgraça deixada para eles pagarem e sofrerem.  O buraco, senhores, é imenso. Segundo eu próprio calculo, ele gira em torno de 600 bilhões de reais. E saí não estou incluindo os rombos das estatais, tanto as úteis – Petrobrás, Eletrobrás, Caixa Econômica – como as inúteis como a tal TV Brasil que, desde de sua criação, já consumiu mais de 6,5 bilhões de reais sem produzir nada que preste e está léguas de distância dos objetivos para os quais foi criada, exceção feita ao empreguismo dos companheiros vagabundos e incompetentes. E que Temer não deixe de lado a divulgação dos cortes promovidos por Dilma nos programas sociais. Está na hora dos brasileiros mandarem para o lixo da história tanto as mentiras quanto os discursos vigarista das esquerda e do petismo em especial.

Não é apenas desinfetar o Estado de petistas, cutistas e assemelhados. É preciso fazer uma devassa rigorosa em ministérios, secretarias, autarquias, estatais e onde mais a mão do governo petista pode alcançar. Depois, apresentar à Nação, em cadeia de rádio e televisão, os vergonhosos  números do bilionário rombo deixado por Dilma cuja conta, é claro, terá que ser paga pelo conjunto dos brasileiros. Tal divulgação não pode ser em uma única edição. Tem ser em inserções diárias. Diante deste quadro de falência do Estado, Michel Temer terá conquistado o apoio da população brasileira para as reformas difíceis que pretendem e que precisam ser feitas. Não há saídas improvisadas ou cosméticas. A previdência e as leis trabalhistas pedem por reformas antes que o mercado de trabalho se torne inviável e a previdência acabe falida.   

Temer, em uma de suas entrevistas depois que assumiu, tem dito e repetido que não se cortarão direitos adquiridos, mas que terá que haver um processo de transição para que isto não aconteça.

Da mesma forma, é imperioso que se acabem os engessamentos do orçamento federal. Não é o volume de recursos que tornam os serviços eficientes, e sim capacidade de gestão, é eficiência, fazer mais com menos, além, é claro, de se cortar os caminhos por onde trafega  a corrupção e os desvios. 
Nada disso representa a volta de neoliberalismo que, aliás, não passa de um rótulo ruim para políticas boas.  Os Estados Unidos é a maior economia mundial, sem que precise contar com uma única estatal. Já por aí se enterra os conceitos estúpidos defendidos pela petezada de que estatal é imprescindível para o desenvolvimento. Pelo contrário. É o caminho mais curto para a corrupção, fisiologismo, compadrio, ineficiência, desperdício. 

Na semana que passou, informou-se que cerca de 17 mil beneficiários do Bolsa Família teriam seus benefícios suspensos. Corte de benefícios? Não, corte de roubalheira já que esta gama de gente é funcionária pública, portanto, não se encaixa no perfil que se exige.  

Assim, a partir da divulgação do rombo das contas públicas, da roubalheira praticada a céu aberta nos programas sociais, nas milhares de boquinhas ricas entregues para vagabundos e incompetentes bem remunerados, todo o discurso vigarista espalhado pelo PT e seus comparsas vão para a lata do lixo.

Entre estes comparsas incluam os países do bloco bolivariano que, sob o comando de Cuba resolveram difamar o Brasil nos organismos internacionais, os mesmos nos quais o governo Dilma acumulou milionária dívida por falta de pagamento das obrigações do país. Seria cômico, não fosse trágico, ver países como Cuba e Venezuela acusando o Brasil de golpe de estado promovido pelo Legislativo e Judiciário. Ora, os deputados e senadores foram eleitos democraticamente segundo a mesma constituição que prevê e autoriza o impeachment. O PT, quando esteve na oposição, além de sabotar todos os governos democráticos, encaminhou cerca de 50 pedidos de impeachment contra todos os presidentes  pós-ditadura. Quando experimentou do próprio veneno, achou de acusar o instrumento de golpismo!  

Aliás, não é a toa que o PT se indisponha tanto à Constituição, que se negou assinar, quando à Lei de Responsabilidade Fiscal contra a qual moveu ação no STF.

Dentro dos crimes de responsabilidade passíveis de destituição de presidente, Lula, Dilma e PT continuam a cometê-los, quando movem seus aparelhos criminosos para difamar o país e caluniar e destratar suas instituições. 

Dilma caiu por descumprir a Lei Orçamentária e a Lei de Responsabilidade. E, convenhamos, pelo conjunto da obra, isto é troco de pinga perto dos demais crimes e infrações que cometeu e comandou em pouco mais de cinco anos de poder. 

É de um ridículo ímpar esta organização criminosa criticar o governo Temer por ele não haver nomeada uma mulher para seu ministério. Quantas mulheres havia, além da própria Dilma, em seu ministério? Uma penca, não é mesmo? Nem por isso a cultura avançou, a educação evoluiu, os serviços se qualificaram e, o mais importante, a própria primeira presidente mulher levou o país e muitas estatais à ruína econômica e financeira.  Criticam Temer por não escalar um negro. Ok, mas quantos negros havia no ministério de Dilma? Tentem, nos 39 ministérios, encontrar ao menos um. 

A crítica quanto  a ausência de mulheres e negros se apoia no argumento de que desta forma não se privilegia a diversidade da sociedade. Ora, desde quando um ministério DEVE representar diversidade social? Cabe ao Congresso, não ao ministério, cumprir tal papel, por isso os ocupantes do legislativo são eleitos por voto direto e secreto. Até porque, no ministério de Dilma tal critério não i,pediu a mediocridade do governo.

Por fim, uma plêiade de artistas e intelectuais  levantam suas vozes pelo fato do da Cultura ficar integrada ao Ministro da Educação. E daí? Desde quando cultura precisa ficar separada de educação, quando ambas se interagem? 

A verdade é que estes críticos estavam acostumados a se lambuzarem no dinheiro público, até mesmo aqueles que sequer dele necessitam, enquanto os hospitais estão na UTI, a insegurança pública transformou o país numa praça de guerra. Ou será que 60 mil homicídios por ano é bom sinal?

O dinheiro  público, já disse aqui várias vezes, deve ser empregado para beneficiar o maior número possível de pessoas, e não ser destacado para privilegiar uma classe elitista.  No caso da Cultura, o que importa são políticas públicas que facilitem o acesso de todos aos meios culturais. Destaco, por exemplo, bibliotecas e museus. Quase a totalidade dos museus sequer contam com rígido sistema  de segurança para impedir os furtos que levam para fora do Brasil peças históricas e raras. Ou, então, digam lá o estado precário da Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, alvo de inúmeros textos e reportagens aqui transcritos. Portanto, não precisa se criar um ministério específico para Cultura, sem que se tenha um plano mínimo para sua divulgação, proteção  e valorização. 

Claro que, além do estado falimentar do país conduzido pelos governos Lula e Dilma,  a situação  degradante dos serviços públicos  deve ser acentuada  num plano de divulgação sobre a herança maldita. O povo brasileiro precisa saber em detalhes o que Lula e Dilma fizeram com os trilhões arrecadados em impostos ao longo de 13 anos.  O resumo deste período pode ser assim descrito: roubaram muito, e deixaram roubar muito mais. Por todos estes crimes eles devem responder e prestar contas à Justiça, não estando livres da cadeia que é lugar de bandido, quanto mais, quando estes crimes foram cometidos contra o povo brasileiro. 

Quanto ao movimento anti-Brasil, um pedido: primeiro paguem o que nos devem e, depois, se assim desejarem, podem fechar as embaixadas. Não  nos fazem falta alguma.  Perguntinha: quem precisa mais de quem, o Brasil dos bolivarianos autoritários, que rasgam a constituição de seus países ao gosto do autoritário de turno, ou estes chicaneiros de meia pataca os quais, a exemplo da Venezuela que precisa importar papel higiênico para a população higienizar-se? Assim como o Brasil tem, por tradição intrometer-se em assuntos internos de outras nações respeitando sua soberania, tem todo o direito de dar um pontapé no traseiro daquelas que ousarem a agredir seu estado de direito democrático e suas instituições. Se antes o PT permitia-se arregaçar as calças para estas ditadurazinhas mequetrefes, sem o PT o Brasil voltou a ser dono do próprio nariz. 

Saúde ou circo, o que será que a população prefere?

Adelson Elias Vasconcellos

Tem gente que parece viver uma realidade totalmente virtual em relação Brasil. Por exemplo. No Rio Grande do Sul onde o governo tem parcelado o pagamento de salários dos servidores e, por conta disto, deixa de pagar a parcela da dívida coma União e em consequência sofre com o bloqueio de recursos, a Assembleia Legislativa decidiu conceder mais aumentos para os servidores. Para os deputados gaúchos não interessa a terrível crise econômica que o governo enterrou o Brasil, a recessão de dois anos seguidas  e, por conseguinte, queda na arrecadação de impostos.  Os deputados se preocupam mais em jogar para a torcida, Pena que eles não metem a mão no bolso para cobrir os salários atrasados desta mesma torcida.

Outro exemplo é a reação desproporcional de representantes do meio artístico  pela incorporação do Ministério da Cultura ao Ministério da Educação. Mesmo que ao anúncio da incorporação ninguém tenha declarado que não haverá cortes dos programas em andamento, ainda assim gente como Wagner Moura, não param de falar e escrever bobagens. Em razão de sua idade, Moura deveria começar a se comportar como adulto, deixando a molecagem. 

 Será que este camarada não se d´as conta da crise que o governo que ele agora passou a defender com unhas e dentes, o da senhora Dilma, em apenas 5 anos destruiu o desenvolvimento  de 50 anos? Ou será que dois anos de recessão, para Moura, é sinal de vanguarda? Acusa a ação em relação ao Ministério da Cultura como obscurantista. Não, obscurantista e também vigarista é o governo que, durante 13 anos, roubou e deixou roubar, que destruiu a economia, a indústria, os serviços públicos mais essenciais como a saúde e segurança. Na saúde, saiba o moleque Wagner Moura, em anos de governo Dilma sumiram da rede pública cerca de 24 mil leitos hospitalares. Nada menos do que 86% dos municípios brasileiros não contam com serviço de UTI. E na segurança, basta informar para os 60 mil homicídios anuais para sabermos de sua degradação.

O resumo da ópera é que enquanto a classe política se esbalda nas tetas do Tesouro, o restante da população foi largada à apropria sorte. Dentro deste contingente inclui-se os mais de 11 milhões de desempregados. 

É constrangedor a gente aguentar a choradeira de um moleque como Wagner Moura e sua classe. Quando o governo idealiza criar meia entrada para estudantes e idosos eles reclamam que tal medida é injusta. E até considero que seja. Mas diante de uma sombra qualquer a tisnar o vertedouro de recursos públicos para seus espetáculos, o que se vê é este dramalhão todo. Seria importante que, nos intervalos de seus espetáculos, Wagner Moura e seus seguidores vigaristas intelectuais, ao menos dedicassem alguns minutos para estudarem a constituição. Pelo menos, tal estudo evitaria que falassem e escrevessem bobagens como o moleque Moura se aventurou em um artigo publicado no jornal O Globo. 

E aqui um pequeno e indispensável lembrete a Moura: quem pediu a cabeça de Dilma e petistas foram os milhões de brasileiros que foram às ruas. Quem desenhou o rito do impeachment foi o a Suprema Corte do país e quem deliberou pelo afastamento da senhora Rousseff foi o parlamento brasileiro, legal e democraticamente leieto pela maioria do povo brasileiro. Desafio ao Moura provar em que momento, neste roteiro houver o golpe que ele, levianamente, ousa acusar. Aliás, se golpista há, o personagem bufão chama-se Dilma Rousseff que, em pelo  menos duas ocasiões, tentou obstruir a Justiça e na antevéspera da votação no plenário do Senado que aprovou seu afastamento, cooptou o presidente interino da Câmara de Deputados para protagonizar uma comédia pastelão.  

É bom que o Wagner Moura saiba que Dilma foi afastada com 80% de reprovação, e com mais de 2/3 desta população aprovando e desejando o processo de impeachment. Talvez se Moura mirar-se no próprio espelho ele descubra quem está sendo obscurantista nesta história!

A classe dos “artistas”, acostumada a mamar nas tetas do Estado, independente da qualidade e sucesso de sua obra, continua a pressionar e a protestar contra o governo Temer por este ter incorporado ao Ministério da Educação, também o da Cultura. Além das razões que citamos acima para a inexistência da gritaria, até o momento não se ouviu uma única frase nem do Ministro Mendonça Filho tampouco do Presidente Temer, que, a incorporação, acabaria com programas de incentivo à cultura existentes, como por exemplo por um fim à Lei Rouanet.

Diante do gravíssimo quadro de crise econômica porque passa o país, se acontecer de um ou outro programa ser extinto, creio que o povo brasileiro vai preferir que a grana do (s) programa(s) sejam aplicados em favor da saúde do que em favor de alguma produção cinematográfica que, em tese, deveria se autossustentar com a bilheteria e não com os cofres minguados do Tesouro Nacional. Até porque, conforme explicamos acima, há muitos outras carências na área cultural do país, bem mais importante s e necessitadas de recursos. 

Definitivamente, esta gente que se quer “independente”, basta que lhe negue franquia aos cofres públicos  para chorarem qual bezerrinho desmamado!  Adoram sentar a ripa nos políticos perversos assaltantes da riqueza pública. Mas é nestas horas que eles se igualam aos que criticam.  Ao governo a quem se referem como “ilegítimo”, não se antecedeu uma única voz de protesto contra a roubalheira revelada pelo mensalão e petrolão, praticadas pelo governo anterior. Má fé e hipocrisia também se fazem representar entre artistas.   

Para encerrar, leiam estas notas do blog O Antagonista:

O trio elétrico da cultura

Daniela Mercury recusou o convite para ocupar a secretaria da Cultura.

Ainda bem.

A notícia, publicada por Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, vem na esteira de outras duas recusas ilustres: Bruna Lombardi e Marília Gabriela.

Mendonça Filho negou que tivesse convidado qualquer uma delas.

Mais uma vez: ainda bem.

O ministro, em entrevista à Rádio Estadão, disse que a pasta da Cultura, na verdade, está quebrada,

"Do orçamento de 2016, de cerca de R$ 2,6 bilhões de reais, temos R$ 1,580 bilhões de restos a pagar do exercício passado, além de mais de R$ 232 milhões de dívidas vencidas".

E acrescentou que os museus "estão com as contas de luz em atraso".

O diretor brasileiro em Cannes, por outro lado, já recebeu seu adiantamento.


Enxugamento da TV Brasil

O aparelho de propaganda petista está sendo extirpado pelo novo governo.

Dora Kramer, em sua coluna no Estadão, tratou do caso da TV Brasil:

“Com um custo anual de R$ 750 milhões, a EBC, que engloba a TV Brasil, uma rádio e uma agência de notícias, vai passar por um processo de enxugamento que pode resultar no cancelamento das transmissões em canal aberto da televisão oficial criada no segundo governo Lula (…)

A empresa transformou-se num gigante de milhares de funcionários, sem audiência nem produção de material de qualidade e/ou interesse público. Gasta muito e oferece quase nada.

A exoneração do atual presidente da empresa, Ricardo Melo, vai ensejar mudança na lei que criou a EBC (…) O entendimento é que Dilma fez a nomeação justamente para tentar manter o setor da comunicação oficial sob a área de influência do PT, como instrumento de combate ao governo por ora provisório”.


ENCERRO:

Creio que isto encerra o debate vigarista dos mamadores. Respeitar as instituições e, principalmente as leis do país, não faria mal algum aos artistas nacionais. Pararem de ridicularizar seu próprio país no exterior é uma obrigação que se impõe a qualquer filho da terra.  Para serem cidadãos respeitáveis, senhor  Wagner Moura, não é preciso nenhuma encenação.  Cultura não se restringe aos palcos, ela também engloba museus, galerias de arte, bibliotecas públicas, etc. 

Wagner Moura, faça um favor a si mesmo, já  que você gosta de usar dinheiro dos contribuintes para seus “espetáculos”:  seja bem mais brasileiro e bem menos bolivariano. 





Urgência e simbolismo

Rosângela Bittar
Valor Econômico 

O Ministério da Cultura era o maior aparelho do governo

Desde logo é bom sublinhar a incompreensão dos que, munidos de um receituário de governos formalmente constituídos, com seus prazos normais de montagem, exigem, do governo Michel Temer, acerto nas escolhas e resultados imediatos. Este é um governo de emergência, de salvação nacional, de soluções urgentes, destinado a fazer o gigante Brasil respirar mesmo que com a ajuda de aparelhos. Construção essa que já fez bonito, mas muito mesmo, ao formular um critério útil e objetivo para a composição do Ministério: a de fazer uma montagem necessária a ter o Congresso como aliado e aprovar instrumentos e remédios adequados. Portanto, o governo teria que ser, e foi, composto pelos partidos, com o compromisso das cúpulas e bancadas nesse Tour de Force da responsabilidade para levantar do chão.

Não é, ao contrário do que diz a propaganda negativa, "mais do mesmo". Não houve esse "mesmo". O governo Dilma Rousseff não governou porque não aprovou seu projeto em um Congresso de quadro partidário múltiplo e disforme na composição de sua base. Não fez um governo com os partidos, embora tivessem partido deles alguns ministros, mas houve sempre a aposta na divisão partidária, na representação fragmentada. Vai-se tentar, agora, fazer funcionar a coalizão.

Foi a formulação que se conseguiu fazer, na emergência, e era adequada aos fins. Não havia chance para elucubrações, respeito a simbolismos como as tão faladas questões de gênero, como é mais prudente definir. Um Ministério sem mulheres, negros, índios e outras minorias não foi sequer pensado. Se algum partido tivesse indicado uma mulher seria um lembrete da existência desse problema, mas ninguém indicou. Até que mulheres havia, por acaso, mas não foram mencionadas nem nas justificativas. A secretária Executiva doMEC, Maria Helena Guimarães, que deve ser mais ministra que o ministro, já estava empossada, bem como outras, mas ninguém se lembrou, evidenciando-se a ausência de ministras, pródigas no governo Dilma.

O governo deu as mais esfarrapadas desculpas, mas foi distração mesmo, isso não era uma preocupação. Teve a coragem de fazer a autocrítica (como havia feito com outras distorções aprovadas no afogadilho) e quando resolveu corrigir, a posteriori, atendendo aos reclamos, veio logo com Maria Silvia Bastos Marques para o BNDES, espécie de divindade na gestão pública, saudada com pompa em todos os quadrantes.

A extinção do Ministério da Cultura, porém, feriu um simbolismo duramente conquistado. Mas pelo menos não foi por acaso, por desconhecimento, foi um ato consciente. Seguirá em processo de transformação em uma Secretaria de Cultura dentro do MEC, com direção politicamente forte. Como o ministério da Educação tem um orçamento significativo, é até possivel que projetos culturais contem com mais apoio. Mas não é disso que se trata. O desfazimento da estrutura é uma iniciativa tão drástica que só poderia ter uma razão prudente. E tem.

O Ministério da Cultura foi reduzido de caso pensado. Deram razão às autoridades que diagnosticaram o problema e sugeriram a transformação aqueles funcionários que, aos gritos de "ministro golpista", receberam o novo ministro da Educação e Cultura, que lá foi se apresentar acreditando que o fazia aos servidores públicos.

O governo já havia descoberto ali um bunker de resistência, uma central de alimentação das redes sociais que atuam em propaganda e campanha eleitoral, um arsenal de instrumentos de mobilização de agentes culturais e outros com objetivos partidários. Com Marta Suplicy o aparelho ficou contido; com Ana de Holanda foi um massacre sobre ela e o grupo que a derrubou não sossegou enquanto não promoveu a reocupação do espaço pelos petistas de rede e burocratas da cultura. Sob o amplo guarda-chuva de Juca Ferreira.

O governo Temer identificou o ministério como um aparelho, com incentivo dirigido e propagação da campanha do golpe. Dali partia um bombardeio contra a nascente gestão. Se a vocação do governo Temer era unificar o Brasil, o objetivo não seria atingido com uma tropa do contra radicada em área tão vital.

A vocação de hegemonia e totalitarismo, a serviço da apropriação do Estado, estava impregnada no Ministério da Cultura, concluíram os analistas do governo. Haverá enxugamento de cargos, revisão de contratos e até de empenhos. Quem sabe consiga o governo Temer criar as condições para retomar logo o simbolismo do Ministério da Cultura do ponto de onde foi interrompido.

Henrique Meirelles aprecia o elemento surpresa, acha que o sigilo nas ações transmite, entre outras impressões, a de segurança. Não queria que fosse vazado o nome do presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, escolhido mas não convidado em definitivo até o último fim de semana. Também resistia um pouco a fazer a opção, queria esperar para pensar mais e ver se era possível alternativa a essa unanimidade. Mas Ilan já estava escolhido pelo presidente Michel Temer e tinha total simpatia dos jaburus, o grupo de ministros próximos que com ele se reuniam no Palácio residencial para formar o governo.

Meirelles talvez preferisse outro, embora nada tivesse contra Ilan, também seu amigo. O presidente foi se fixando em Ilan que passou de cotado a escolhido, até que, certo dia, o Valor publicou que era Ilan o homem do BC.

Em defesa do elemento surpresa, e para deixar a porta aberta a alternativas, como agiu com a equipe do Ministério da Fazenda, Meirelles reclamou do vazamento com os políticos a quem atribuía a divulgação da preferência. À pergunta sobre o que fazer para resgatar a indicação como uma novidade, foi aconselhado a tomar um de dois caminhos: se não fosse o Ilan, deveria fazer um desmentido categórico; se fosse, deveria relacionar vários outros nomes possíveis junto com o dele, retomando as dúvidas. Foi o que Meirelles fez até ontem, quando anunciou Ilan. Para surpresa geral.

Cineasta que liderou protesto de golpistas de esquerda em Cannes está em folha de pagamento do governo federal

Reinaldo Azevedo  
Veja online

Kleber Mendonça Filho é diretor de Cinema da Fundação Joaquim Nabuco


Ai, ai…
Vocês se lembram daquela patuscada em Cannes, com o cineasta Kleber Mendonça Filho (na foto, em destaque) a liderar um protesto contra o suposto golpe no Brasil? Pois é… Só pra lembrar: o homem é diretor do filme “Aquarius”. Quando chegar ao Brasil, a nossa obrigação é boicotá-lo.

Vejam isto e leia o que segue.



O jornalista Carlos Marchi publicou o seguinte em sua página no Facebook:

“Até anteontem, você não sabia quem era Kleber Mendonça Filho, diretor do filme “Aquarius”, que comandou, em Cannes, o protesto contra o “golpe”. Agora já sabe que Kleber não é um cineasta, é um cineasta-petista. E o que mais?

Tem coisa muito melhor. Venha comigo.

KMF, além de beneficiário da Lei do Audiovisual, tem um cargo que depende de nomeação federal. Você já desconfiava disso, né não?

É Coordenador do Cinema da Casa do Museu, vinculada à Fundação Joaquim Nabuco, em Recife.

Ora pois… O presidente da Fundação é nomeado pelo ministro da Educação.

O atual presidente da Fundação, Paulo Rubem Santiago, sindicalista, foi um dos fundadores da CUT. Pediu demissão dia 13.

Isso quer dizer que o cineasta-petista perdeu o carguinho-moleza na Fundação Joaquim Nabuco. Daí ficou nervosinho e comandou o protesto.

Moral da história: por trás do protesto de todo petralha, tem a história sombria de um carguinho perdido.”

Retomo

Pois é… Não! Pelo que informa o Portal da Transparência, o cargo comissionado de Kleber nem lhe rende tanta grana, vejam:



Líquidos, são R$ 3.870,23, que é, de todo modo, mais do que recebe a esmagadora maioria dos trabalhadores do setor privado. Ele deveria cumprir jornada de 40 horas — oito horas diárias de segunda a sexta. Ele e a fundação sabem que isso não acontece.

Para quem pretende ter aquela altivez que o dito-cujo demonstrou em Cannes, duas coisas seriam imperiosas:

1 – que não tivesse levado dinheiro público para fazer o filme — e ele levou: do BNDES  e da Secretaria de Cultura de Pernambuco;

2 – que não fosse um contratado do governo federal, exercendo cargo de confiança. E ele é. Ou era, né?

Assim se fazem os nossos intelectuais e artistas independentes.

Ah, sim: os dados estão no Portal da Transparência.

A batalha cultural

Luis Milman
Blog Políbio Braga

Ganha força no Brasil o debate sobre o desmonte da hegemonia da esquerda sobre a produção de cultura, conteúdos acadêmicos e da mídia tradicional. A extinção do Minc pelo governo Temer veio em boa hora, porque pelo ministério passava boa parte do financiamento dos artistas, escritores e outros amigos amestrados do lulopetismo. Sem a fonte de financiamento, todos eles ficarão à mercê de seu próprio trabalho, sem subvenção e lançados ao seu mercado, que é onde os artistas devem estar. Mas ainda há muito a fazer. A tal arte e cultura radical de esquerda, que expressa seu modo de ver o mundo político e moral, está enraizada organicamente há pelo menos 40 anos nos chamados meios cultos (Universidade, escola, mídia), sem que tivéssemos, durante este tempo, qualquer contraponto liberal ou conservador a ela. 

Tanto é assim que o pensamento conservador foi identificado, pela esquerda, ao pensamento reacionário e associado à resistência ideológica de pastores evangélicos. O que importa entender é que o ethos da esquerda penetrou no cerne da nossa linguagem, por meio da qual analisamos e entendemos a política e a cultura. O debate é sempre pautado por uma normatividade esquerdista, que mobilizou minorias e compartimentou a sociedade em setores de oprimidos, a saber, os negros, os índios, os gays, as mulheres e as periferias. Esta é uma instrumentalização de natureza política porque seu propósito é duplamente político, ou seja, organizar o que se convencionou chamar de excluídos e fomentar, na consciência dos cidadãos médios, um sentimento de culpa por sua posição econômica e cultural. 

A esquerda - e o petismo em especial- construiu esta narrativa, que polariza a sociedade entre aqueles que querem transformar suas estruturas alegadamente reacionárias e os demais, identificados com a realidade opressiva, ainda que de modo inconsciente. O efeito resultante desta polarização foi a pauperização do debate intelectual e a criação de clichês de esquerda hiperativos na mentalidade dos brasileiros, além da progressivo avanço da permissividade nos costumes, aceita como se fosse natural em nossa sociedade. A resistência a este estado de coisas, por essas razões, adquire contornos de emergência, se quisermos passar a viver numa sociedade plural, na qual padrões de racionalidade sejam respeitados e o nível de exigência do debate intelectual venha a ser mais elevado. Se isto não ocorrer, o lulopetismo, que trabalha pelo rebaixamento da inteligência e da moralidade, terá perdido uma batalha política, mas permanecerá ativo nos meandros da vida social, pautando os debates culturais. 

Daí que podemos permanecer reféns de um paradoxo: a queda do lulopetismo no âmbito político e sua permanência articulada no âmbito cultural. No governo Temer, os meios de produção cultural e de informação, incluindo-se aí as escolas e a mídia, devem ser desafiados a abrir espaços para o pensamento de direita no país, primeiro para exorcizar os fantasmas que fazem uma equivalência precária entre conservadorismo e reacionarismo e, segundo, pelo estímulo à contribuição para o debate nacional em política e cultura, com a participação de estudiosos que representam posturas conservadoras e liberais no campo político, econômico e estético.

Proposta para educação e cultura

Leonel Kaz
O Globo

Não se pretende entrar aqui no mérito da sigla ou no seu título de nobreza — se ministério ou secretaria —, mas no que pode tornar a cultura forte

Dois textos publicados no domingo estabelecem um contraponto no ardoroso embate em torno de um porquê do Ministério da Cultura: um do apaixonado defensor da sigla MinC, Caetano Veloso, no GLOBO; outro de Carlos Augusto Calil, na Folha, sob o título “A sigla da Cultura”. Diz Calil: “O problema remonta à origem do Ministério da Cultura. Tancredo Neves, ao criá-lo em 1985, ignorou a advertência sagaz de Aloísio Magalhães, secretário de Cultura do MEC no governo anterior.

Perguntado por um jornalista se não era a hora de o governo criar um Ministério da Cultura, Aloísio respondeu que preferia ser secretário de uma secretaria forte a ministro de um ministério fraco.”

Possuir um título não significa ter poder político e nem adquirir capacidade de transformar a retórica em ação. Sérgio Buarque de Holanda já enunciava isso, há exatos 80 anos: “A verdade é que dedicamos pouca estima às especulações intelectuais — mas amor à frase sonora, ao verbo espontâneo e abundante, à erudição ostentosa, à expressão rara.

Numa sociedade como a nossa, em que certas virtudes senhoriais ainda merecem largo crédito, as qualidades do espírito substituem, não raro, os títulos honoríficos, e alguns dos seus distintivos materiais, como o anel de grau e a carta de bacharel, podem equivaler a autênticos brasões de nobreza.”

Lido isto, aqui não se pretende entrar no mérito da sigla ou no seu título de nobreza — se ministério ou secretaria —, mas no que pode tornar a cultura forte. Temos, ainda hoje, um ministério fraco, que recebe cerca de 0,2% do Orçamento da União, aliás, contingenciados ano após ano.

Por outro lado, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), que dispõe de R$ 60 bilhões anuais não contingenciados, tem boa parte deste dinheiro devolvido por estados e municípios ao Tesouro Nacional por falta de projetos que funcionem. Lembremos que o Brasil se encontra num patamar internacional crítico em qualidade de educação (somos o penúltimo colocado entre 45 países).

Ora, fundir pura e simplesmente os dois ministérios nada acrescentaria como pensamento político nem diminuiria como despesa. No entanto, se o caminho é este, aqui vai uma sugestão, tendo como modelo o realizado por Gustavo Capanema, ministro da Educação de Vargas, que tornou a escola pública brasileira dos anos 50 e 60 eficiente, vivaz e de altíssimo nível, com uma formação muito mais eclética no campo da experimentação com as artes.

A proposta é a de que o Ministério da Cultura, a classe artística e demais produtores culturais unam os seus esforços em prol da educação pública de qualidade. Em contrapartida, o governo coloca à disposição dos agentes que inventam, criam e fazem cultura recursos existentes no FNDE.

O minguado Ministério da Cultura não recebia para todos os seus projetos nem 1/100 do equivalente ao FNDE. E o fascinante é que a legislação do FNDE é explícita quanto à possibilidade de desenvolver projetos culturais vinculados à educação, latu sensu, utilizando seus recursos, já que entre as metas do Plano Nacional de Educação do governo Dilma está a “promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do país". Basta vontade política.

Aí então, povo da cultura, se utilizarmos estes 1/100 do FNDE a cada ano, já teremos duplicado o valor dos recursos do ministério ou secretaria, seja a sigla qual for. E teremos inserido nossa capacidade de pensamento e ação junto a professores e alunos, visando transformar a anêmica qualificação cultural da educação pública, como sabemos fazer!

Ministério não importa, eles só querem as verbas

Cláudio Humberto
 Diário do Poder

Eles querem manter nos cargos amigos que lhes liberam verbas

FOTO: TOMAZ SILVA/ABR
Grande motivação é o fim da verba fácil para "projetos culturais". 

Ocupantes de sinecuras no ex-Ministério da Cultura, que controlam a liberação de verbas para “projetos culturais”, têm levado os artistas e intelectuais que frequentam seus guichês ao vexame de protestar pela preservação de boquinhas extintas com a incorporação do Minc pelo MEC. “Donos” de cargos-chave na Ancine, que “incentiva” a produção de filmes com dinheiro do contribuinte, orientaram cineastas a difundir a lorota de “golpe” nos recentes festivais de cinema de Lisboa e Cannes. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

Alguns artistas exageraram, falando em “fim da cultura”, mas o objetivo do alarido é manter nos cargos-chave os amigos que controlam verbas.

Têm algo em comum os países de produção cultural exuberante, com maior número de Nobel e Oscar: neles não há Ministério da Cultura.

A fusão do Ministério da Cultura ao MEC oferece mais um pretexto que poupa os petistas de explicar a ladroagem nos governos Lula e Dilma.

Para não explicar no boteco, na escola ou no exterior os milhões nas contas de Lula & filhos, roubo à Petrobras etc, apregoam: “é golpe”.