terça-feira, junho 14, 2016

Dunga e Gilmar são demitidos. Caiu quem sequer deveria ter assumido!

COMENTANDO A NOTÍCIA:

A CBF resolveu dissolver a comissão técnica da seleção brasileira que tinha Dunga como treinador e Gilmar Rinaldi como coordenador.

Ambos sequer deveriam ter assumido logo após a derrota do Brasil para a Alemanha por 7x1 na Copa de 2014. 

Nenhum reunia a qualificação necessária para dar a volta por cima após aquele desastre histórico. Quando foram anunciados, o país inteiro virou a cara de insatisfação, pois se sabia que a CBF, mais uma vez dentre tantas, escolhera o pior dos caminhos. 

Assim como Dunga não exibia um currículo capaz de autorizá-lo a ser escolhido dentre outras opções melhores,mais capazes e mais bem preparadas, Gilmar era não mais do que um empresário de jogadores não tendo a menor ideia de qual tipo de trabalho lhe seria confiado.

Passados dois anos, e dois anos jogados no lixo, chegamos a um ponto em que não se pode mais apostar no improviso. Terminassem as eliminatórias sul americanas hoje, e o Brasil sequer disputaria a repescagem. Estamos, neste momento, fora da Copa de 2018 na Rússia.  

Se Tite aceitar o convite, que o faça impondo suas regras para o ambiente de trabalho que irá comandar. Que imponha ao senhor Del Nero, esta figura patética  que desgoverna a CBF, completo afastamento e zero de ingerência no comando da seleção. E que Tite tenha plena liberdade de escolher com quem vai trabalhar na Comissão Técnica que será formada.  

Pena que toda diretoria da CBF não caia junto. Deveria ser expurgada do comando do futebol brasileiro que enterraram com sua incompetência, corrupção e mediocridade. 

Chega de envergonhar os torcedores brasileiros!!!! Já nos basta Dilma e sua corte delinquente a enxovalharem os brasileiros em geral com sua mediocridade. 

A seguir, reportagem de O Globo sobre a demissão de quem sequer deveria ter assumido. 

******

CBF decide trocar comissão técnica após vexame na Copa América, nos EUA


Guilherme Pinto / Agência O Globo
Dunga na chegada ao prédio da CBF, quando desembarcava do carro, 
na garagem: minutos depois ele foi demitido do cargo de técnico da seleção brasileira 

Dunga não é mais o técnico da seleção brasileira. Em nota divulgada em seu site oficial, a CBF informou que decidiu trocar a comissão técnica. O provável substituto é Tite, do Corinthians, que terá encontro à noite com o presidente Marco Polo del Nero. Confira a nota da CBF:

"A Confederação Brasileira de Futebol comunica que decidiu, nesta terça-feira, dissolver a comissão técnica da Seleção Brasileira. Deixam os cargos o coordenador de Seleções, Gilmar Rinaldi, o técnico Dunga e toda a sua equipe.

A decisão foi tomada em comum acordo durante reunião nesta tarde e, a partir de agora, a CBF inicia o processo de escolha da nova comissão técnica da Seleção Brasileira.

A CBF agradece a dedicação, a seriedade e o empenho da equipe durante a realização do trabalho."

Dunga e Gilmar foram convocados para uma reunião com o presidente Marco Polo del Nero na tarde desta terça-feira na sede da CBF, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio de Janeiro. Eles desembarcaram no Rio de Janeiro no fim da manhã, de volta dos Estados Unidos, onde a seleção participou da Copa América Centenário e acabou eliminada na primeira fase. Os dois chegaram à CBF por volta das 14h45m, e cerca de meia hora foi anunciada na internet a demissão da comissão técnica.

REUNIÃO À NOITE COM TITE
A CBF já tinha feito contato por telefone com Tite, que, no entanto, não quis se alongar na conversa. Isso porque uma das condições impostas pelo treinador para negociar sua ida para a seleção é que Dunga não estivesse mais no cargo. O técnico comandou na tarde desta terça o treino do Corinthians, em São Paulo (veja vídeo acima). E deve pegar um avião para o Rio de Janeiro no início da noite, quando então se reunirá com a direção da CBF. Outra condição imposta por Tite é ter liberdade para escolher a sua comissão técnica. Edu Gaspar, gerente de futebol do Corinthians, deve fazer parte da seleção caso Tite seja de fato o novo técnico.

Tatiana Furtado / Agência O Globo
Paulo de Souza, torcedor do Fluminense, protesta contra Dunga
 na porta da CBF e pede a saída do técnico da seleção brasileira 

Na porta da CBF um torcedor esperava a chegada de Dunga com um cartaz em que pedia a saída do técnico de forma bem-humorada: "CBF, aproveita a festa junina e manda o Dunga pegar o caminho da roça", escreveu o auxiliar de serviços gerais Paulo de Souza. Torcedor do Fluminense, ele disse que não dava mais para aguentar Dunga no comando da seleção. Sua preferência era por Tite ou, então, Jorginho, do Vasco.

Ainda nos EUA Gilmar Rinaldi despistava e dizia que tinha sido ele o responsável por convocar a reunião desta terça. O então diretor de seleções afirmava que o encontro serviria para definir detalhes de uma lista prévia de 35 nomes, dos quais sairão os 18 convocados para os Jogos Olímpicos.

No desembarque em São Paulo, pela manhã, no aeroporto de Guarulhos, os jogadores evitaram declarações, e os que falaram foram protocolares em suas afirmações. Dunga e Gilmar não apareceram no saguão de desembarque porque pegaram um voo de conexão para o Rio, onde se encontrarão com Del Nero.

Capitão da seleção no jogo contra o Peru, o zagueiro Miranda disse que Dunga não conversou com os jogadores em tom de despedida.

- Cada um tem a sua parcela de culpa. Cada um tem que fazer sua autocrítica e já pensar nas eliminatórias - lembrou o jogador do Inter de Milão, já de olho nos jogos da equipe em setembro. 

DUNGA E OS NÚMEROS
  
Lucas Figueiredo / MoWA Press/Divulgação 
Derrota para o Peru e eliminação precoce na Copa América derrubaram
 Dunga em sua segunda passagem como técnico da seleção brasileira

A mais precoce eliminação do Brasil na Copa América desde 1987, após a derrota para o Peru em Boston, foi a cereja do bolo no conjunto de fiascos de Dunga desde que retornou à seleção. Ano passado, o país foi eliminado nas quartas de final do torneio, ao perder nos pênaltis para o Paraguai.

O treinador conduziu a seleção também em campanha ruim nas eliminatórias para a Copa de 2018. Ele deixa o cargo com a seleção apenas na sexta colocação, insuficiente para dar a vaga ao Mundial na Rússia. Na América do Sul as quatro primeiras seleções se classificam direto. E a quinta colocada disputa uma repescagem com um representante da Ásia. Em sexto, portanto, o Brasil ficaria fora de uma Copa pela primeira vez na história.

Em sua segunda passagem como técnico da seleção, que começou após a Copa de 2014, Dunga soma 12 vitórias, cinco empates e três derrotas. Na primeira vez em que assumiu esta função, foram 37 vitórias, 11 empates e seis derrotas, a mais marcante delas nas quartas de final da Copa de 2010, na África do Sul, diante da Holanda.

Moro proferiu 105 condenações. STF, nenhuma

Josias de Souza


O cronista Nelson Rodrigues costumava dizer que o mais exasperado problema do ser humano é o medo do rapa. “Cada um de nós vive esperando que o rapa o lace, o recolha, na primeira esquina”, ele escreveu. No Brasil de hoje, Sérgio Moro virou uma espécie de rapa da oligarquia política e empresarial. Nesse meio, o juiz da Lava Jato instila pânico.

Graças à morofobia, personagens como Eduardo Cunha e Lula revelam-se capazes de tudo para que seus processos permaneçam no STF, o foro dos suspeitos privilegiados. Receiam ser presos. No intervalo de dois anos, dois meses e 19 dias, tempo de duração da Lava Jato, Sérgio Moro já proferiu 105 condenações. Juntas, somam 1.140 anos, 9 meses e 11 dias de prisão. No STF, não há vestígio de condenação. (veja no quadro abaixo os feitos que a força-tarefa da Lava Jato obteve em Curitiba)



Entre agosto e setembro de 2014, os delatores Paulo Roberto Costa e Alberto Yousseff jogaram no ventilador os nomes de 28 congressistas —sete senadores e 11 deputados federais. Esse pedaço da investigação subiu para o Supremo. Desde então, avolumaram-se as delações e os suspeitos com direito a foro privilegiado.

Hoje, correm no STF 70 processos relacionados à Lava Jato. Desse total, 59 estão na fase de inquérito. Neles, são investigados 134 acusados. Outros 11 processos foram convertidos pelo procurador-geral Rodrigo Janot em denúncias formais, envolvendo 38 políticos. Por ora, o único denunciado que o Supremo converteu em réu foi Eduardo Cunha. E não há prazo para o julgamento da ação penal protagonizada pelo deputado. (veja abaixo os dados sobre o pedaço da Lava Jato que corre em Brasília)

A pedido da Procuradoria, o STF afastou Cunha do exercício do mandato e da poltrona de presidente da Câmara. Mas ele mantém as prerrogativas de deputado, que impedem Moro de alcançá-lo. Conserva também o acesso às mordomias propiciadas pela presidência da Câmara e o controle sobre sua milícia parlamentar, que lança mão de manobras para retardar o julgamento do pedido de cassação do seu mandato, na pauta do Conselho de Ética da Câmara há sete meses.



O que há de mais alvissareiro na Lava Jato é a percepção de que o banquete da corrupção desandou. Os órgãos repressores do Estado investigam, prendem e condenam pessoas que estavam acostumados a viver num país em que, acima de um certo nível de renda e poder, ninguém era importunado.

Deve-se sobretudo à aplicação de Sérgio Moro, dos agentes federais, procuradores e técnicos que integram a força-tarefa de Curitiba a derrubada do escudo invisível que protegia os maus costumes. Montou-se uma espécie de usina trituradora de delinquentes. Foram em cana brasileiros que se julgavam invulneráveis. Em troca de favores judiciais, muitos tornaram-se delatores.

Empreiteiros que se habituaram a sufocar investigações em tribunais superiores fizeram pouco da Lava Jato. Presos, recorreram. Uma, duas, três, quatro vezes. E nada. Amargaram condenações draconianas. Marcelo Odebrecht, por exemplo, foi condenado por Moro a mais de 19 anos de cadeia. Com receio de mofar no xadrez como versões petroleiras de Marcos Valério, os mandarins das construtoras também se tornaram colaboradores da Justiça.

Os maiores ficaram para o final. Retardatários, executivos de empresas como Odebrecht e OAS terão de levar à mesa segredos cabeludos se quiserem obter vantagens como redução da pena. Eles já expõem na bandeja escalpos como o de Dilma, Lula, Renan, Sarney, Cunha, Jucá, Aécio e um inesgotável etcétera.

Cercados pela investigação de Curitiba, operadores como Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, entregam os podres dos padrinhos de Brasília. O serviço da Procuradoria-Geral da República e do STF aumenta. A responsabilidade também. Soltos, políticos que são parte do problema fazem pose de solução. Pior: continuam operando.

Relator da Lava Jato no STF, o ministro Teori Zavascki tem sobre a mesa um lote de pedidos de providência formulados pela Procuradoria. Talvez devesse priorizá-los. A bandidagem parlamentar precisa de um rapa que a lace, que a recolha, na primeira esquina.

Por que Janot pede a prisão de alguns políticos e de outros não?

Revista ISTOÉ
Sérgio Pardellas

Ao pedir a prisão por obstrução de Justiça de Renan, Jucá, Sarney e Eduardo Cunha e poupar Dilma, Mercadante, Lula e Cardozo, que cometeram o mesmo crime, o procurador-geral da República Rodrigo Janot demonstra parcialidade, provoca reações no Congresso, no STF e coloca em risco a própria Lava Jato 

NO ALVO 
Cunha, Sarney, Jucá e Renan (da esq.à dir.) 
podem ser presos por obstruir a Justiça

Uma escultura em granito adorna a entrada por onde atravessam todos os dias os ministros do Supremo Tribunal Federal. A estátua caracteriza Têmis, uma das deusas da Justiça na mitologia grega. Como símbolo da imparcialidade, exibe os olhos vendados para significar decisões tomadas às cegas, ou seja, sem fazer qualquer distinção entre as partes nem privilegiar um lado em detrimento do outro a partir de ideologias, paixões ou interesses pessoais. Na última semana, não fosse matéria inanimada, a venda teria escorregado como manteiga do rosto de Têmis. O responsável por submeter a retina da Justiça a situações constrangedoras, das quais ela deveria estar sempre e a qualquer tempo blindada, é o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Ao pedir a prisão por obstrução de Justiça de Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney e Eduardo Cunha, todos do PMDB, e poupar pelo mesmo crime Dilma Rousseff, Lula, José Eduardo Cardozo e Aloizio Mercadante, do PT, Janot, chefe do Ministério Público, um órgão auxiliar da Justiça, mandou às favas o princípio da isonomia o qual deveria perseguir cegamente. Na régua elástica do procurador-geral, os rigores da lei válidos para os peemedebistas contrastam com a condescendência dispensada no tratamento a políticos do PT.

PROTEGIDOS 
Dilma, Cardozo, Lula e Mercadante (da esq. à dir.) 
não foram sequer denunciados por Janot

Senão vejamos. Resta evidente, após dois anos de Lava Jato, que um partido, o PT, – único detentor de caneta, verba e tinta para sacrificar a maior estatal do País em troca de propinas e dinheiro ilegal para campanhas – , comandou o Petrolão. Os tesoureiros e principais dirigentes petistas são os engenheiros e os motores da complexa engrenagem da corrupção na Petrobras. Também estrelados integrantes do petismo, entre os quais a própria mandatária afastada do País, Lula e dois ex-ministros de Estado, Aloizio Mercadante e José Eduardo Cardozo, foram flagrados em áudios incontestáveis em inequívocas maquinações contra a Justiça e as investigações da Lava Jato. A despeito da ululante constatação, não são do PT e sim do PMDB os políticos mais encrencados até agora por Janot.

(Crédito: Lula Marques/Folhapress, PODER)


O despacho do procurador-geral pela prisão do trio do PMDB e de Cunha, pronto havia 15 dias, veio à baila na última semana trazendo em seu bojo o mesmo objeto capaz de implicar os petistas: a tentativa de criar embaraços à Lava Jato. Renan, Jucá e o senador aposentado, José Sarney, em gravações feitas por Sérgio Machado, discutem maneiras de enfileirar pedras no meio do caminho das investigações. Constituem-se ali meras intenções. Graves, decerto. Os três são habituês em escândalos e, comprovado o cometimento de crimes, são merecedores da punição adequada. Até de prisão, se assim prever a lei. Mas em nenhum momento das gravações há a menção a qualquer iniciativa que tenha obstruído de fato as investigações. O que se conhece, até o momento, ao menos no quesito obstrução de Justiça, não justifica mandá-los para trás das grades. É inquestionável: os tratamentos, até agora, foram desiguais. Enquanto que de um lado há elucubrações sobre como criar empecilhos ao trabalho da força-tarefa de procuradores e policiais federais, do outro há ações concretas para liquidar a Lava Jato. “A grande maioria da população não entende porque o caso das gravações de Sérgio Machado teve andamento tão rápido, enquanto áudios de Lula e Dilma, que comprovadamente mostram ação de obstrução de Justiça, permanecem na gaveta. Janot tem de explicar”, cobrou o ex-deputado Roberto Jefferson.

Obstruir a atuação da Justiça é crime tipificado no inciso 5 do Artigo 6º da Lei 1.079, que define os crimes de responsabilidade passíveis de perda de mandato. Dilma foi apanhada em interceptação telefônica, autorizada pelo juiz Sérgio Moro, numa conversa com o ex-presidente Lula para combinar os detalhes de sua nomeação para a Casa Civil. No diálogo, Dilma disse a Lula que enviaria a ele por intermédio de um emissário um “termo de posse” para ser utilizado “em caso de necessidade”. A presidente começava a atuar ali para impedir que o destino de Lula ficasse nas mãos do juiz Sérgio Moro. A intenção de impedir a livre atuação do Judiciário já estava caracterizada. Na sequência, o que se encontrava no plano das ideias foi consumado. O documento não apenas foi entregue por ela a Jorge Messias, como numa iniciativa nunca antes adotada na história republicana, a Presidência fez circular uma edição extra do Diário Oficial para dar publicidade legal ao ato de nomeação no mesmo dia em que foi assinado pela presidente. Para Miguel Reale Jr., um dos juristas signatários do pedido de impeachment de Dilma, o episódio representou uma afronta aos princípios republicanos: “É um ato de imoralidade administrativa e política”, afirmou. Antes, a presidente afastada já havia tramado, com a contribuição do então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, nomear Marcelo Navarro como ministro do STJ em troca da soltura do empreiteiro Marcelo Odebrecht.

(Crédito:Pedro Ladeira/Folhapress)
DOIS PESOS DUAS MEDIDAS 
Rigor de Janot só vale para um lado 

A nomeação também se concretizou e, conforme o combinado, Navarro, ao relatar o habeas corpus do empresário, votou por sua liberdade. Como se sabe, Odebrecht só não foi solto naquela ocasião porque Navarro foi voto vencido no tribunal. Lula, por sua vez, no mesmo lote de gravações, foi apanhado numa série de investidas para barrar as investigações da Lava Jato. Antes, Lula já havia acertado com Delcídio do Amaral, ex-líder do governo Dilma, o pagamento a Nestor Cerveró, por intermédio do filho do pecuarista José Carlos Bumlai, num esforço descomunal para evitar a qualquer custo a delação do ex-diretor da Petrobras. Hoje se sabe o porquê. Já Aloizio Mercadante, ex-ministro da Educação, foi gravado numa ação semelhante: a tentativa de compra do silêncio de Delcídio, cuja delação, se saberia a posteriori, enredaria Lula e Dilma. Até agora, contra Dilma há um pedido de investigação, subscrito por Janot e ainda não julgado pelo STF. Lula, por sua vez, experimenta uma espécie de limbo jurídico. Na sexta-feira 10, será completado um mês que os procuradores da Lava Jato pediram ao STF a devolução dos inquéritos envolvendo o ex-presidente petista e nada foi feito. Na lista, aparecem os episódios do sítio em Atibaia, do tríplex no Guarujá e dos valores recebidos de empreiteiras por palestras.

(Crédito:Pedro Ladeira/Folhapress)
EM MARCHA 
O presidente Michel Temer tenta se manter equidistante 
da crise política, enquanto caciques do PMDB estão na linha de tiro 

O desequilíbrio da balança do procurador-geral provocou a reação imediata das classes política e jurídica. Causou espécie a maneira como o véu que há pelo menos três semanas encobria os pedidos de prisões do quarteto do PMDB foi retirado. Embora o relator da Lava Jato, Teori Zavascki, já estivesse de posse da solicitação havia mais de 15 dias, os demais ministros da Supremo Corte só tomaram conhecimento do caso pela imprensa. O vazamento, atribuído a Janot, despertou a ira dos ministros. Na sexta-feira 10, o procurador negou estar por trás da difusão dos áudios. “Não tenho transgressores preferidos”, acrescentou. O leite já estava derramado. Para os ministros tratou-se de uma estratégia destinada a pressioná-los. “É grave. Não se pode cometer esse tipo de coisa. É uma brincadeira com o Supremo”, sapecou o ministro Gilmar Mendes. Outro magistrado acusou Janot de fazer “política em favor do PT”. Fundamenta essa tese o timing escolhido pelo procurador para o pedido de prisões. Argumentou o mesmo ministro que Renan e Jucá sobreviviam incólumes, enquanto eram úteis ao PT. Só viraram alvos depois de bandearem-se para a órbita do presidente Michel Temer. O raciocínio faz todo sentido. Renan responde a 11 inquéritos no Supremo, dos quais nove associados à Lava Jato. Nenhum destes recebeu denúncia de Janot, embora os casos em questão sejam ainda mais graves.



O contra-ataque do Senado foi tecido com os fios da vingança. Primeiro, a Casa inflada de corporativismo pôs em marcha um acordão. Se a corte determinar a prisão dos senadores, a Senado promete inviabilizar a decisão em plenário. “Até aqui o que se tem contra os senadores é uma mera especulação de conversas reservadas”, antecipou-se o líder do governo, Aloysio Nunes (PSDB-SP). O passo seguinte dos senadores será barrar qualquer tentativa de Janot de emplacar o seu sucessor. Sabe-se no MPF do seu esforço em fazer de Nicolao Dino, irmão do governador do Maranhão, Flávio Dino, o próximo procurador-geral da República. “Não iremos esquecer”, afirmou um aliado de Jucá.
Que ninguém se engane: os intencionados em inviabilizar a Lava Jato tentarão fazer valer o seu propósito ao menor sinal de equívoco processual. Foi sintomática a solidariedade do ex-presidente Lula a Renan prestada na semana passada. A quem interessa o afã de querer mandar apenas um grupo de políticos para a cadeia com base em controversa sustentação legal? A resposta é insofismável: só serve a quem está apostando suas fichas no ambiente do “quanto pior, melhor” para ensejar novas eleições ou para aqueles que acalentam o irrefreável desejo de melar a Lava Jato. A pretexto de mandar para a cadeia um lote específico de políticos implicados no crime de obstrução da Justiça, o diversionismo de Janot arrisca produzir exatamente o inverso: a proteção de todos. E não é o que se cumpriu semana passada? Apesar da atuação de xerife, a dura realidade se impôs: todos permanecem soltos. Peemedebistas e petistas.

A busca pela imparcialidade dos magistrados remonta ao início dos tempos. Ao retirar do cidadão o direito à autotutela, o Estado deu-lhe como compensação a figura do juiz: a pessoa a quem caberia a resolução de impasses sem beneficiar nenhuma das partes. O jurista alemão Werner Goldschimidt diz que a imparcialidade consiste na tentativa de colocar entre parênteses todas as considerações subjetivas do julgador, de modo que este deve ser objetivo e esquecer-se da própria personalidade. Não é o que parece orientar o procurador-geral da República. Para o espanhol Faustino Córdon Moreno, professor catedrático da Universidade de Navarra, o julgador imparcial deve ser terceiro às partes, assentado na neutralidade e no desinteresse. Janot também não parece agir como um ator desinteressado. Pelo contrário. Para o Palácio do Planalto, em seu radar estão os votos necessários para enterrar o impeachment de Dilma.

Uma adaptação a uma expressão sheakespeariana se encaixa com perfeição à realidade atual. Há mais coisas entre Curitiba e Brasília do que supõe nossa vã filosofia. Existe algo de podre no reino, para tomar emprestado outro termo da tragédia de Hamlet. Que os rigores da lei valham para todos e a venda permaneça sobre os olhos da deusa grega. Só assim, a Lava Jato estará resguardada e marcará o capítulo mais importante da história do combate à impunidade no País.


Pimentel manobrou e ainda está sem punição

Fernando Pimentel se mantém no governo de Minas enquanto STJ não decide se aceita acusação contra ele


TRIO AFINADO 
Aliado de primeira hora de Lula e Dilma, 
para quem fez campanha, Pimentel tentou obstruir a Justiça

A cada dia se complica a situação do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Ele é suspeito de receber suborno e de se beneficiar de recursos ilícitos na última eleição. A Operação Zelotes moveu uma denúncia contra o petista por ajudar ilegalmente montadoras quando era ministro do Desenvolvimento, na gestão Dilma. O STJ até agora não decidiu se aceita a acusação, o que apearia automaticamente Pimentel do cargo. Enquanto isto, o braço-direito do petista resolveu contar tudo o que sabe em troca de redução de pena. O empresário Benedito Rodrigues, o Bené, disse que, entre outras operações, Pimentel recebeu milhões de empreiteiras para fazer lobby junto a governos do exterior. Afirmou também que o governador direcionou parte do dinheiro ilegal para negócios de um sobrinho. Não é primeira acusação contra familiares do petista. A primeira-dama Carolina Oliveira é também alvo dos agentes da Zelotes. Em uma estratégia suspensa pela Justiça, Pimentel tentou nomeá-la secretária estadual para lhe dar foro privilegiado e atrapalhar as investigações.

Justiça do Paraná avança sobre a liberdade de expressão

 Fernanda Allegretti
Revista VEJA

Após publicar reportagens que mostravam que membros do Poder Judiciário e do MP têm rendimentos acima do teto legal, jornalistas da ‘Gazeta do Povo’ passam a responder a dezenas de processos movidos por juízes

(VEJA.com/Reuters)
Máscaras de Sérgio Moro: Justiça do Paraná dá um mau exemplo

Presente ao Fórum VEJA, evento realizado pela revista em maio, o juiz Sergio Moro foi o primeiro a concordar com um amargo raciocínio do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Barroso disse que Moro e o ex-ministro Joaquim Barbosa, relator do mensalão, não teriam alcançado a condição de "heróis nacionais" se combater a corrupção "fosse regra" no país. Moro admite ficar comovido com as manifestações a seu favor (máscaras com seu rosto explodiram no Carnaval). Nem de longe, no entanto, ele atua para figurar como celebridade. Involuntariamente, o magistrado se tornou modelo a ser imitado de profissional do Judiciário em todo o país (leia a seção Conversa, na pág. 38). Mas, justamente em seu estado, no Paraná, um punhado de magistrados tem assumido a mais arriscada postura no momento em que se está buscando equiparação com uma figura irrepreensível: o afrouxamento da tolerância à crítica. Há dois exemplos recentes do que se poderia chamar de "complexo de Moro" - o afã de querer parecer implacável como o juiz da Lava-Jato, mas confundindo o enorme apoio popular ao combate à corrupção com uma licença para quase tudo.

O caso mais recente aconteceu em Curitiba. Após publicarem reportagens que mostravam que membros do Poder Judiciário e do Ministério Público do Paraná chegam a ter rendimentos mensais mais de 20% acima do teto estabelecido por lei, de 30 471 reais, jornalistas do jornal Gazeta do Povo, o principal do estado, passaram a ser alvo de processos. Já são 44, movidos principalmente por juízes. Até o momento, os profissionais do diário percorreram mais de 6 000 quilômetros para comparecer a audiências. A Gazeta reclama do que seria uma ação orquestrada. Em um áudio enviado via WhatsApp, o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná, Frederico Mendes Junior, propõe que os juízes entrem com ações individuais contra o jornal. Diz Leonardo Mendes Júnior, diretor de redação da publicação: "Esses magistrados não veem que estão atacando a liberdade de expressão e punindo os profissionais previamente". Em maio, a Gazeta foi condenada a indenizar um dos juízes em 20 000 reais - no total, os processos cobram indenização de 1,4 milhão de reais -, com a justificativa de que ele havia sido constrangido.

A sentença foi proferida por Nei Roberto de Barros Guimarães, que, em março, a pedido de uma delegada federal, determinou a retirada do ar de dois textos publicados no blog do premiado jornalista Marcelo Auler, que já trabalhou em VEJA. Neles, Auler tratava de vazamentos de informações sobre a Lava-Jato. O blogueiro ainda foi alvo de uma segunda ação, movida por um delegado, que o forçou a tirar de sua página mais oito reportagens e estabeleceu uma autêntica censura prévia, proibindo-o de publicar futuros textos com "conteúdo capaz de ser interpretado como ofensivo ao reclamante".

Para o juiz Rogério Ribas, que está processando a Gazeta, a série de reportagens do jornal atentou contra a sua honra. "Meu filho foi até indagado na faculdade", afirma. Não há nenhuma ilegalidade em seus benefícios. O problema está na política de vencimentos da esfera pública. Ribas se encaixa nela, simples assim. Entretanto, para além do debate salarial, o que ocupa o centro da questão é a liberdade de imprensa, pilar da democracia, e a atitude de um punhado de juízes do Paraná contra um blogueiro e um jornal. O apoio popular a Moro, à Lava-¬Jato, à própria Justiça não é chancela irrestrita a magistrados. Vale a lição do escritor francês Paul Valéry (1871-1945): "A ideia de Justiça é, no fundo, uma ideia (...) de volta ao equilíbrio".

TSE pede à PF e Procuradoria investigação sobre falha em 40 mil votos de 2014

Gustavo Aguiar 
 O Estado de S. Paulo

Maior número de problemas foi constado em municípios do interior do Maranhão e da Bahia; indícios motivaram o presidente da Corte Eleitoral, ministro Gilmar Mendes, a determinar a troca de mesários nas sessões eleitorais em que os erros foram identificados

BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) enviou à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido para investigar falhas em 77 mil registros de voto durante as eleições de 2014. Os indícios são de que pode ter havido fraude no momento da votação. Os indícios são de que pode ter havido fraude no momento da votação. 


O presidente do TSE, ministro Gilmar Mendes

Mais cedo, o Tribunal havia divulgado que o ministro Gilmar Mendes, presidente da Corte Eleitoral, iria determinar trocar todos os mesários do País para o pleito de 2016 por causa das irregularidades. A assessoria de corrigiu a informação e as substituições ocorrerão apenas nas sessões eleitorais em que o problema foi identificado.

As irregularidades foram constatadas após um cruzamento preparatório para as eleições deste ano. Os casos envolvem, por exemplo, frequência em uma mesma urna de registro de voto associado a eleitor que justificou ausência nas eleições passadas. O maior número de falhas foi constado em municípios do interior do Maranhão e da Bahia. 

Gilmar também determinou que as cidades em que os problemas foram mais frequentes deverão adotar em regime de urgência o sistema biométrico de votação para prevenir possíveis fraudes nas próximas eleições. Há um caso, que chamou a atenção da Corte, em que o mesmo erro foi identificado 18 vezes numa mesma sessão e 15 numa sessão vizinha. 

As investigações deverão identificar agora se houve erro humano ou fraude. O crime, se comprovado, pode levar à punição do responsável por falsidade ideológica eleitoral, cuja pena prevista é de 2 a 6 anos de prisão.

De acordo com a assessoria de imprensa da Corte Eleitoral, apesar das dúvidas, o número de problemas identificado não tem o efeito de influenciar as eleições, já que os casos identificados com o cruzamento estão pulverizados em todo o País.

TCU diz que ilegalidades de Dilma aumentaram na prestação de contas de 2015

Vinicius Sassine e Lauro Neto
O Globo

O Tribunal de Contas da União (TCU) listou 17 indícios de irregularidades nas contas de 2015 da presidente Dilma Rousseff, inclusive com um novo registro de operação de crédito vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Os 17 pontos integram o relatório da área técnica encaminhado ao gabinete do ministro José Múcio Monteiro, relator neste ano das contas presidenciais. Caberá a Múcio decidir se submeterá todas as irregularidades ao plenário, em sessão na próxima quarta-feira.
O ministro vai propor 30 dias para Dilma se explicar. Para a área técnica do TCU, o conjunto de problemas aponta na direção de um parecer pela rejeição das contas de 2015, o que repetiria o ocorrido com as contas de 2014.

CONTAS REJEITADAS- 
A concessão de 30 dias também foi adotada ano passado. Naquela ocasião, os técnicos listaram 13 indícios de irregularidades, entre eles as “pedaladas” fiscais e a edição de decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso. Depois do prazo, Dilma ganhou mais 15 dias para dar explicações.

O plenário do TCU aprovou parecer pela rejeição das contas de 2014 em outubro do ano passado, o que turbinou o pedido de impeachment da presidente. A suposta repetição de “pedaladas” e decretos em 2015 embasou o impeachment. A palavra final sobre a rejeição das contas é do Congresso.

PEDALADAS E DECRETOS – 
“Pedaladas” com o Plano Safra no Banco do Brasil e com auxílio em juros de financiamento do BNDES integram o relatório sobre as contas de 2015. A primeira “pedalada” envolveu um montante de R$ 5,8 bilhões. A segunda, de R$ 8 bilhões, conforme o relatório. Decretos de créditos suplementares, também são listados como um dos 17 indícios de irregularidades.

Os técnicos apontam uma operação de crédito supostamente irregular envolvendo o Banco da Amazônia, que tem a União como maior acionista. Conforme o relatório, o Tesouro se comprometeu a aumentar o capital do banco em R$ 1 bilhão, com depósitos em dinheiro. Esse aporte teria ocorrido com títulos públicos. O banco fez uma operação compromissada para vender os títulos, obter o dinheiro e recomprar os títulos em um dia. A interpretação dos auditores é que a instituição financeira acabou pegando um empréstimo para cobrir obrigação que era da União, o que é vedado na LRF.

FALTA DE REPASSE – 
Outra irregularidade listada é a falta de repasse pela Infraero de R$ 513 milhões ao Fundo Nacional da Aviação Civil, que se destina a obras de infraestrutura aeroportuária. A estatal estaria usando o dinheiro em despesas correntes. Demais irregularidades são tidas como distorções contábeis menos significativas.

###

NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Em 2014, foram 13 ilegalidades; em 2015, aumentaram para apenas 17. Isso significa que Dilma não conseguiu dobrar a meta de sua “contabilidade criativa”, que o procurador do TCU Julio Marcelo de Oliveira classifica de “destrutiva”. E a prestação de contas será novamente rejeitada. (C.N.)

A estreita relação que Dilma quer esconder

Ary Filgueira
Revista ISTOÉ

Cerveró conheceu Rousseff há 15 anos, ainda em Porto Alegre. Desenvolveram estreita amizade, frequentaram a casa um do outro e ele foi um dos poucos convidados ao casamento da filha dela


(Crédito: Antônio Cruz/Agência Brasil ) 
“ELA SABIA DE TUDO” 
Em delação, Nestor Cerveró disse que Dilma tinha conhecimento de todos 
os passos que antecederam a criminosa compra de Pasadena 

Na noite de 18 de abril de 2008, o casamento da filha única da presidente afastada Dilma Rousseff direcionou os holofotes da fama e do glamour para Porto Alegre (RS), onde ocorreu a cerimônia que oficializou o matrimônio de Paula Rousseff Araújo e Rafael Covolo. Com a ajuda da então ministra da Casa Civil, os noivos escolheram cuidadosamente a lista de convidados. Só os mais íntimos tiveram esse privilégio. A relação de nomes continha familiares, amigos próximos, alguns ministros e o ex-presidente Lula. Entre os escolhidos da noiva, obviamente a pedido da mãe, estava Nestor Cerveró. Aquele que, oito anos mais tarde, Dilma renegaria, desmentindo que haviam mantido uma relação de amizade por 15 anos.

A negativa de Dilma aconteceu após a divulgação do teor da delação do ex-diretor da área Internacional da Petrobrás na quinta-feira 2, quando o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo do processo a pedido do Procurador-Geral da República. Em depoimento gravado, Cerveró afirmou que a presidente afastada sabia da propina na compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, negócio que causou prejuízo aos cofres da Petrobras de US$ 792 milhões. “A refinaria (Pasadena) foi discutida com Dilma”, garantiu ele durante as declarações prestadas na sede da Polícia Federal no Paraná. Em reação irritadiça, Dilma divulgou nota à imprensa afirmando que “jamais manteve relação de amizade com o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, embora o conhecesse devido ao cargo que ocupava”. Obviamente, uma falácia. Em entrevista à ISTOÉ, a advogada do ex-diretor da estatal Alessi Cristina Brandão afirmou que Cerveró conhece Dilma desde à época em que ela era secretária de Minas e Energia do governo Rio Grande do Sul em 1999. Alessi confirmou que seu cliente foi um dos convidados para o casamento da filha única de Dilma Rousseff. Ela só não soube dizer por que ele não compareceu.

Nestor Cerveró era apenas um dos gerentes da Diretoria de Óleo e Gás da estatal quando foi apresentado à presidente afastada. O diretor era o ex-senador Delcídio Amaral. Nestor, como era conhecido pelos colegas da estatal, disse em sua delação que teve várias reuniões com Dilma e Delcídio à época.


(clique para ampliar)

 Para demonstrar a proximidade com a presidente afastada, o ex-diretor contou detalhes da relação de amizade. “Eu viajei com a Dilma. Eu chamava ela de Dilma antes de ela ser presidente. Não é por arrogância nem nada. Eu conheci ela como secretária de estado. Não ia chamar de doutora. E ela me chamava de Cerveró. Não sei por quê, porque meu nome é Nestor. Eu, na Petrobras, sou conhecido como Nestor”, detalhou ele. Em 2003, o vínculo com Dilma ficou mais forte: ela foi empossada como ministra de Minas e Energia do governo Lula. Segundo Cerveró, os dois passaram a se encontrar frequentemente em viagens oficiais.

Aos procuradores, Cerveró contou que o processo de compra da refinaria de Pasadena, no Texas (EUA), foi iniciado em 2006. Dilma, àquela altura, já havia sido promovida a ministra-chefe da Casa Civil do governo petista. Além disso, ocupava o cargo de presidente do Conselho de Administração da estatal. Cerveró afirma que o objetivo da Petrobras era fazer uma revitalização do empreendimento. “Tratei pessoalmente da compra da refinaria com a Dilma”, disse o ex-diretor. O desempenho no esquema de pagamento de propina a aliados do governo com recursos da Petrobras fez com que ele gozasse da simpatia de outros líderes petistas. Um deles seria o próprio Lula. Em 2008, o petista teria determinado a transferência de Cerveró para Diretoria da BR Distribuidora. A promoção ocorreu por Cerveró ter ajudado a quitar uma dívida de R$ 60 milhões do PT com o Banco Schain.

A relação entre Dilma e Cerveró se deterioraria em 2014, com publicidade da compra da refinaria de Pasadena. A então presidente Dilma Rousseff apontou Cerveró como responsável pelo o que classificou como “erro” que a levou aprovar a compra da refinaria e acabou o exonerando. No ano seguinte, Cerveró foi preso pela PF ao desembarcar no Galeão. Abandonado e condenado a doze anos de prisão, ele sucumbiu ao acordo de delação premiada, em troca de redução de pena. Em comum, entre os dois, o infortúnio. Cerveró continua preso, enquanto Dilma se defende do processo de impeachment no Senado.

TCU vê 17 pontos irregulares nas contas de Dilma em 2015

Vinicius Sassine e Lauro Neto
O Globo

Relatório da área técnica será apreciado em plenário na quarta

Pedro Kirilos
Em campo. Dilma visita projeto em Campinas,
 onde foi alvo de manifestações contra e a favor

BRASÍLIA e CAMPINAS — O Tribunal de Contas da União (TCU) listou 17 indícios de irregularidades nas contas de 2015 da presidente Dilma Rousseff, inclusive com um novo registro de operação de crédito vedada pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Os 17 pontos integram o relatório da área técnica encaminhado ao gabinete do ministro José Múcio Monteiro, relator neste ano das contas presidenciais. Caberá a Múcio decidir se submeterá todas as irregularidades ao plenário, em sessão na próxima quarta-feira. O ministro vai propor 30 dias para Dilma se explicar. Para a área técnica do TCU, o conjunto de problemas aponta na direção de um parecer pela rejeição das contas de 2015, o que repetiria o ocorrido com as contas de 2014.

A concessão de 30 dias também foi adotada ano passado. Naquela ocasião, os técnicos listaram 13 indícios de irregularidades, entre eles as “pedaladas” fiscais e a edição de decretos de créditos suplementares sem aval do Congresso. Depois do prazo, Dilma ganhou mais 15 dias para dar explicações. O plenário do TCU aprovou parecer pela rejeição das contas de 2014 em outubro do ano passado, o que turbinou o pedido de impeachment da presidente. A suposta repetição de “pedaladas” e decretos em 2015 embasou o impeachment. A palavra final sobre a rejeição das contas é do Congresso.

 “Pedaladas” com o Plano Safra no Banco do Brasil e com auxílio em juros de financiamento do BNDES integram o relatório sobre as contas de 2015. A primeira “pedalada” envolveu um montante de R$ 5,8 bilhões. A segunda, de R$ 8 bilhões, conforme o relatório. Decretos de créditos suplementares , também são listados como um dos 17 indícios de irregularidades.

Os técnicos apontam uma operação de crédito supostamente irregular envolvendo o Banco da Amazônia, que tem a União como maior acionista. Conforme o relatório, o Tesouro se comprometeu a aumentar o capital do banco em R$ 1 bilhão, com depósitos em dinheiro. Esse aporte teria ocorrido com títulos públicos. O banco fez uma operação compromissada para vender os títulos, obter o dinheiro e recomprar os títulos em um dia. A interpretação dos auditores é que a instituição financeira acabou pegando um empréstimo para cobrir obrigação que era da União, o que é vedado na LRF.

Outra irregularidade listada é a falta de repasse pela Infraero de R$ 513 milhões ao Fundo Nacional da Aviação Civil, que se destina a obras de infraestrutura aeroportuária. A estatal estaria usando o dinheiro em despesas correntes. Demais irregularidades são tidas como distorções contábeis menos significativas.

Em visita a Campinas (SP), Dilma se deparou com protestos de manifestantes favor e contra ela na frente do condomínio do engenheiro Rogério Cerqueira Leite, onde participou de um almoço com intelectuais, como o escritor Fernando Morais, o ator e dramaturgo Zé Celso Martinez e os jornalistas Juca Kfouri e José Trajano.

Dilma chegou ao almoço depois de visitar as obras do acelerador de partículas Sirius, projeto inscrito no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimento de R$ 1,5 bilhão. foi alvo de protestos contra seu governo, e de manifestações a favor. Para evitar confrontos, a Polícia Militar separou os dois grupos de manifestantes por cordões de isolamento. 

(Colaborou Lauro Neto)

STF envia a Moro apurações contra Gabrielli e ex-ministros de Dilma

Márcio Falcão
Folha de São Paulo

Pedro Ladeira - 13.mar.2015/Folhapress
O ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli fala na CPI da Petrobras

O STF (Supremo Tribunal Federal) enviou para o juiz Sergio Moro procedimentos que envolvem na Lava Jato os ex-ministros Edinho Silva (Comunicação Social), Jaques Wagner (Casa Civil), Ideli Salvatti (Direitos Humanos), além do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli.

Eles foram citados por delatores da Lava Jato, mas como foram afastados do governo com o avanço no Senado do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff eperderam foro privilegiado, não precisam mais ser investigados no Supremo.

O inquérito de Edinho foi aberto a partir da colaboração do empreiteiro Ricardo Pessoa que afirmou aos investigadores que entendeu, ao conversar com o ex-ministro da Comunicação sobre recursos para a campanha eleitoral de Dilma, em 2014, que o esquema de pagamento de doações para obtenção de obras na Petrobras continuaria em um eventual segundo mandato da presidente.

O PT pediu R$ 20 milhões da UTC, mas os valores para a campanha de Dilma foram acertados em R$ 10 milhões, sendo que R$ 7,5 milhões foram pagos e o restante não foi depositado porque o empresário acabou preso em novembro de 2014.

À Polícia Federal Edinho negou que tenha pressionado a UTC a fazer doações. Em nota divulgada na época das acusações de Pessoa, o ministro afirmou ter "a tranquilidade de quem agiu dentro da legalidade".

OUTRAS INVESTIGAÇÕES
Foram enviadas ainda para a Justiça do Paraná duas apurações envolvendo o ex-ministro Jaques Wagner. Uma delas envolvia o ex-presidente José Sérgio Gabrielli a partir da colaboração do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.

Segundo o relato, que a campanha do então candidato Jaques Wagner (PT) ao governo da Bahia em 2006 foi beneficiada com recursos desviados da Petrobras. Cerveró disse que o apoio financeiro dado por José Sergio Gabrielli, na época presidente da Petrobras, foi o que permitiu Wagner sair da condição de azarão para vencer a eleição. Gabrielli, ainda de acordo com Cerveró, só alcançou o comando da estatal porque teve o apoio de Wagner.

Gabrielli e Wagner negam relação com o esquema de corrupção da Petrobras.

Outra apuração trata da ex-senadora e ex-ministra Ideli Salvatti. Cerveró afirmou que ela interferiu na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobras, para renegociar uma dívida de R$ 90 milhões que a transportadora Dalçoquio tinha com a estatal. Ele afirmou que "'imagina que a ministra Ideli e outros políticos' receberam propina pelo negócio".

Ideli tem dito, por meio de sua assessoria que não se lembra de qualquer reunião com Cerveró e que está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.

Moro também vai avaliar investigação de que o ex-senador Delcídio Amaral, também delator da Lava-Jato, recebeu propina da multinacional francesa Alstom para a exploração de usinas termelétricas, na época em que era diretor de Gás e Energia da Petrobras, ainda durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso. 

As provas de Odebrecht e o caixa 2 de Dilma

Mário Simas Filho
Revista ISTOÉ

Executivos da empreiteira prometem entregar provas que confirmam remessas para abastecer o caixa dois de Dilma, conforme revelou ISTOÉ em sua última edição


(Crédito: REUTERS/Rodolfo Buhrer)
ACORDO IMINENTE 
Assinatura de delação premiada de Marcelo Odebrecht está próxima 

Na última semana, ISTOÉ revelou que a presidente afastada, Dilma Rousseff, exigiu de Marcelo Odebrecht, em encontro pessoal depois do primeiro turno das eleições de 2014, R$ 12 milhões para a campanha à reeleição. O recurso abasteceu o caixa paralelo. Do total, R$ 6 milhões foram repassados ao marqueteiro João Santana e R$ 6 milhões ao PMDB. A afirmação foi feita por Odebrecht durante acordo de delação premiada, ainda em negociação. Executivos da empreiteira prometem fornecer provas para sustentar o que dizem. Segundo apurou ISTOÉ, a Odebrecht se comprometeu com o Ministério Público Federal a entregar uma série de documentos que confirmam a remessa de dinheiro para o caixa dois de Dilma. Entre esses papéis estão planilhas que detalham as datas e valores dos pagamentos, os nomes dos beneficiários e as contas no exterior onde foram feitos depósitos.

Serão identificadas contas e operadores, segundo um dos membros da força tarefa que participa das negociações, ainda não conhecidos pela Lava Jato. Algumas dessas contas já foram reveladas e os procuradores buscam detalhá-las com o apoio dos órgãos de controles de outros países, que possuem acordo com o Brasil. Ao longo da semana, mais uma revelação corroborou a prática criminosa. Preso pela Operação Lava Jato por pagar propina em contratos da Petrobras, o lobista Zwi Skornicki afirmou que os US$ 4,5 milhões que pagou João Santana eram, na verdade, para financiar a campanha da petista por meio de caixa dois.


DENÚNCIA 
Em sua última edição, ISTOÉ revelou diálogo
 em que Dilma cobra caixa 2 de Odebrecht

Na chamada delação definitiva, os diretores da Odebrecht prometem munir os procuradores da força-tarefa da Lava Jato de mais informações estratégicas. Como o pagamento feito diretamente aos fornecedores da campanha, mas cujos recibos foram emitidos em nome do partido. Ou seja, o PT, segundo um dos procuradores, apresentou à Justiça Eleitoral despesas abatidas do caixa oficial da campanha, mas na verdade não usou os recursos declarados para efetuar esses pagamentos. A Odebrecht colocará à disposição da Lava Jato os registros internos com os valores e datas desses pagamentos, além de identificar as pessoas físicas e jurídicas que receberam os recursos.

(Crédito:Giuliano Gomes)
MAIS UM 
Lobista Zwi Skornicki afirmou que os US$ 4,5 milhões
 que pagaram João Santana eram caixa dois de Dilma

A empreiteira entregará ainda todos os contratos de obras feitas no exterior e com financiamento do BNDES. São casos que fogem do alcance dos organismos de controle do País e que foram negociados pessoalmente pelo ex-presidente Lula. Também nesses casos foram feitos diversos pagamentos em contas abertas no exterior, algumas já reveladas. Até a semana passada, os membros da força tarefa planejavam abrir uma nova investigação específica para os financiamentos internacionais do BNDES, pois são casos que não guardam relação direta com o Petrolão.

A revelação trazida por ISTOÉ na última semana sacudiu o mundo político e ganhou as páginas de jornais internacionais. Na edição de terça-feira 7, o jornal o The New York Times traçou um perfil da presidente afastada em que faz menção à reportagem. O texto descreve que Dilma vive um estado de espírito inconstante, entre a sustentação da retórica de ter sofrido um golpe e a esperança de retornar ao poder. A publicação, no entanto, é enfática ao analisar que, em simultâneo às denúncias contra integrantes do novo governo, surgem revelações que a colocam cada vez mais no epicentro das investigações do Petrolão, como a revelação feita por ISTOÉ.



“Declarações (de Odebrecht) contribuem para desmoronar a imagem de Dilma” – 
Aloysio Nunes, líder do governo no Senado

No cenário político, a declaração de Marcelo Odebrecht insuflou a oposição a Dilma. O líder do governo no Senado, Aloysio Nunes (PSDB-SP), disse que o conteúdo compromete a presidente afastada. Ele estuda pedir para incluir a acusação de Odebrecht no processo no Senado. “Essas declarações formam a convicção de que ela não pode continuar na Presidência. Contribuem para desmoronar a imagem virginal que o PT tentou construir”.

João Vaccari decide quebrar o silêncio

Robson Bonin
Revista ISTOÉ

O homem que arrecadou e distribuiu mais de 1 bilhão de reais em propina para o PT, do qual foi tesoureiro, se prepara para falar à Lava Jato

 (Vagner Rosario/VEJA)
 “Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata 
assim que eu botar a cara na rua.”, João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT

Em março passado, o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto teve uma conversa reveladora com um de seus companheiros de cárcere. A situação de abandono do superburocrata petista, sentenciado a mais de 24 anos de prisão e com pelo menos outras quatro condenações a caminho, fez o interlocutor perguntar se ele não considerava a hipótese de tentar um acordo de delação com a Justiça. Conhecido pelo temperamento fechado, que lhe rendeu o apelido de "Padre" nos tempos de militância sindical, Vaccari respondeu como se já tivesse pensado muito sobre o assunto: "Não posso delatar porque sou um fundador do partido. Se eu falar, entrego a alma do PT. E tem mais: o pessoal da CUT me mata assim que eu botar a cara na rua". Algo aconteceu nos últimos dois meses. Depois desse diálogo travado com um petista importante e testemunhado por outros presos, Vaccari não resistiu às próprias convicções e resolveu romper o pacto de silêncio. O caixa do PT, o homem que durante décadas atuou nas sombras, o dono de segredos devastadores, decidiu delatar.

Preso desde abril do ano passado, o ex-tesoureiro, hoje no Complexo Médico-Penal de Pinhais, no Paraná, está corroído física e psicologicamente, segundo relatam pessoas próximas. Ele sabe que a hipótese de escapar impune não existe. Assim como os demais delatores, sabe que, aos 57 anos de idade, a colaboração com a Justiça é o único caminho que pode livrá-lo de morrer na prisão. Os movimentos do ex-tesoureiro em direção à delação estão avançados. Emissários da família de Vaccari já sondaram advogados especializados no assunto. Em conversas reservadas, discutiu-se até o teor do que poderia ser revelado. Um dos primeiros tópicos a ser oferecido aos procuradores trata da campanha eleitoral de Dilma Rousseff em 2014. Vaccari tem documentos e provas que podem sacramentar de vez o destino da presidente afastada, mas não só. O ex-tesoureiro sempre foi ligado ao ex-¬presidente Lula e, como ele mesmo disse, conhece a alma do PT.

A cúpula do partido foi informada sobre a disposição do ex-tesoureiro há duas semanas. A primeira reação dos petistas foi de surpresa, depois substituída por preocupação. Até onde o ex-tesou¬reiro chegaria? Uma comitiva foi despachada a Curitiba para tentar descobrir. Encarregado da missão estava o líder do PT na Câmara, Afonso Florence, que foi ao presídio acompanhado pelo ex-deputado paranaense Ângelo Vanhoni. Em Pinhais, ainda não se sabe exatamente de que maneira a comitiva conseguiu driblar os controles da prisão e conversar longamente com o ex-tesoureiro. Magoado, reclamando de ter sido esquecido na prisão, Vaccari confirmou sua decisão de quebrar o silêncio. Os petistas retornaram a Brasília estranhamente mais calmos. Florence procurou o líder do PT no Senado, Paulo Rocha, e relatou a conversa que tivera com Vaccari. "Será uma explosão controlada", disse. O que significava isso? O parlamentar explicou que Vaccari pode prestar depoimentos calculados, detonando explosões com efeito controlado para provar a "ilegitimidade" do governo Temer. Se o plano petista der certo, a carreira política de Dilma Rousseff será liquidada, mas também terá arrastado ao cadafalso o presidente interino Michel Temer, por comprometer a chapa eleita em 2014.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA:

Sendo Vaccari um petista de carteirinha, a decisão de bater com a língua nos dentes deve ser vista com muita reserva. Até hoje, esta máfia sempre manteve-se fiel ao voto mafioso do silencio. é preciso analisar com cuidado quais revelações serão feitas e se elas guardam alguma relação com os fatos. É mais fácil acreditar numa armadilha para atacar inocentes, coisa na qual os petistas se especializaram, do que a vontade de Vaccari revelar verdades que comprometam a cúpula de seu partido. Ou seja, tempo ao tempo.

O cobrador

Pedro Marcondes de Moura
Revista ISTOÉ

Único tesoureiro petista que ainda não foi preso, Edinho Silva pode ter seus planos políticos frustrados após entrar na mira da Lava Jato. Delatores são unânimes em afirmar que era ele quem cobrava o caixa 2

(Crédito: FÁBIO MOTTA/ Estadão Conteúdo)
O CAIXA
Ex-ministro e ex-tesoureiro de Dilma, o petista Edinho Silva
ficou famoso entre os empreiteiros pela sua sede por recursos nem sempre legais 

Nas próximas semanas, mais um tesoureiro petista pode estar sob a batuta do juiz Sérgio Moro. Trata-se do ex-ministro Edinho Silva. Sua recorrente prática, adotada nas últimas campanhas de Dilma Rousseff, de não só gerenciar como cobrar, em tom impositivo, recursos para o caixa dois foi denunciada por pelo menos três empreiteiros: Ricardo Pessoa, da UTC, Otávio Azevedo, da Andrade Gutierrez, e Marcelo Odebrecht. Ricardo Pessoa, da UTC, narrou ter sido pressionado por ele em 2014 a doar mais do que fora combinado e feito dentro da lei. Otávio de Azevedo,  da Andrade Gutierrez, revelou que o tesoureiro de Dilma esperava arrecadar R$ 700 milhões das maiores construtoras. Marcelo Odebrecht, conforme antecipou ISTOÉ em sua última edição, disse em acordo de delação que Edinho exigiu R$ 12 milhões por fora para a campanha de Dilma em 2014: R$ 6 milhões para o marqueteiro João Santana e R$ 6 milhões para o PMDB. Odebrecht disse que procuraria a presidente Dilma para confirmar a necessidade do pagamento. Foi aí que veio a surpresa que lhe obrigou a abrir a carteira. A presidente teve conhecimento do pedido e mandou que atendesse.

Desde que chegou à presidência da República, a figura do tesoureiro virou uma das principais fontes de dor de cabeça dos petistas. Delúbio Soares cumpriu pena no Mensalão. João Vaccari Neto está preso no Petrolão. Agora, sem o privilégio de foro desde o afastamento da presidente Dilma, é grande o risco de Edinho vir a se tornar o terceiro tesoureiro ligado ao PT preso.

A sanha em captar recursos para a campanha presidencial de 2014 foi tamanha que fez surgir um episódio insólito: o chamado duplo bote. Empresários chegaram a reclamar de sofrerem um assédio com as mesmas exigências por Edinho Silva e pelo tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. Na ocasião, ficaram em dúvida para qual deles acertariam a ajuda a Dilma. Em delação premiada, Otavio Azevedo, ex-presidente da Andrade Gutierrez, disse que, após doar R$ 60 milhões via Vaccari, teve de desembolsar mais R$ 40 milhões por meio de Edinho. O valor está bem acima do que o Partido dos Trabalhadores declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter recebido da empreiteira. Otavio Azevedo foi além em seus depoimentos. Afirmou aos procuradores que o ex-ministro da Comunicação Social de Dilma lhe disse que as sete empreiteiras com mais obras com o governo federal precisariam contribuir com um total de R$ 700 milhões para reeleger a candidata petista.


(CLIQUE PARA AMPLIAR)

Em pelo menos um caso, Vaccari e Edinho teriam agido em dobradinha. Em um dos primeiros acordos de delação premiada selados por empreiteiros, Ricardo Pessoa, dono da UTC, afirmou que Vaccari mandou que ele procurasse Edinho para acertar contribuições para a campanha. Segundo Pessoa, ocorreram três encontros entre eles. Dois deles aconteceram no comitê central do Partido dos Trabalhadores, em Brasília. Outra na sede da UTC, na capital paulista. Nas reuniões, Edinho deixou clara a ligação entre as doações e os acordos firmados pela construtora com estatais. Em uma das ocasiões, o petista disse: “O senhor tem obras no governo e na Petrobras, então o senhor tem que contribuir. O senhor quer continuar tendo?” Foi acertada uma doação de R$ 5 milhões a ser paga em duas parcelas. Mas, logo após a UTC quitar o acordo, Edinho pediu mais. Queria outros R$ 5 milhões. Metade foi pago. A outra parcela acabou suspensa com a prisão de Ricardo Pessoa pela força-tarefa que investiga o Petrolão. Era um dos primeiros sinais que a Lava Jato atrapalharia a vida de Dilma e de Edinho.

As acusações são um duro golpe às pretensões políticas do petista Edinho Silva. Podem comprometer a sua tentativa de voltar ao comando da prefeitura de Araraquara nas eleições deste ano. Foi na cidade do interior de estado de São Paulo que ele ganhou projeção dentro do partido. Tornou-se vereador e prefeito. Em 2010, elegeu-se deputado estadual, conciliando o mandato com a presidência estadual do PT. Forte na burocracia petista, Edinho foi escolhido para cuidar do caixa da campanha à reeleição de Dilma e, como prêmio, ganhou o ministério da Secretaria de Comunicação Social. No meio político, a nomeação foi encarada como uma tentativa de assegurar-lhe o privilégio de foro, dada a extensão de sua ficha corrida.

STF anula grampo entre Lula e Dilma e envia para Sergio Moro investigações contra ex-presidente

 Laryssa Borges
Veja online

(Nelson Jr/SCO/STF/Divulgação)
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Teori Zavascki,
 durante sessão em plenário - 23/02/2016

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou nesta segunda-feira parte dos grampos feitos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre os quais o que o petista discute assinar um termo de posse como ministro da Casa Civil "em caso de necessidade". Na mesma decisão, Zavascki determinou o envio de processos e investigações envolvendo o petista à 13ª Vara Federal de Curitiba, onde atua o juiz Sergio Moro.

Em março, o ministro já havia dado indicativos de que poderia anular parte das interceptações telefônicas feitas contra o ex-presidente. Isso porque a conversa pouco republicana travada entre Lula e Dilma em que ambos comentam sobre a nomeação de Lula para o primeiro escalão do governo ocorreu quando os grampos já deveriam ter sido suspensos. No dia 17 de março, o juiz Sergio Moro havia determinado às 12h18 a suspensão dos grampos instalados para monitorar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e interlocutores do petista. A conversa entre Lula e Dilma, em que a presidente fala que o termo de posse só deve ser utilizado "em caso de necessidade", ocorreu às 13h32 por meio de um celular registrado na operadora Claro. Um analista da Polícia Federal encaminhou email para o departamento jurídico da Claro às 12h46 para cumprimento imediato da decisão do juiz, mas as conversas continuaram a ser momentaneamente registradas.

A conversa entre Lula e Dilma é um dos mais claros exemplos, na avaliação do Ministério Público Federal, de que a nomeação do petista como ministro da Casa Civil tinha o propósito claro de blindá-lo nas investigações, transferindo a jurisdição de Curitiba, onde Sergio Moro julga os processos da Lava Jato, para o STF, tribunal que o próprio petista chamou nos grampos de "acovardado".

Ao analisar hoje um pedido da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff sobre a legitimidade dos grampos, o ministro Teori Zavascki criticou enfaticamente o juiz Sergio Moro e determinou que sejam anulados todos os áudios gravados depois da ordem de suspensão dos grampos. Para Teori, também não caberia a Moro decidir dar publicidade às conversas telefônicas e tampouco valorar a utilidade ou não da conversa entre Lula e Dilma sobre a nomeação do ex-presidente para a Casa Civil. "Além de proferida com violação da competência desta Corte, ela [a decisão de Moro] teve como válida interceptação telefônica evidentemente ilegítima, porque colhida quando já não mais vigia autorização judicial para tanto", disse o ministro.

"A violação da competência do Supremo Tribunal se deu no mesmo momento em que o juízo reclamado [Sergio Moro], ao se deparar com possível envolvimento de autoridade detentora de foro na prática de crime, deixou de encaminhar a este Supremo Tribunal Federal o procedimento investigatório para análise do conteúdo interceptado. E, o que é ainda mais grave, procedeu a juízo de valor sobre referências e condutas de ocupantes de cargos [com foro privilegiado]. Mais ainda: determinou, incontinenti, o levantamento do sigilo das conversas interceptadas, sem adotar as cautelas previstas no ordenamento normativo de regência, assumindo, com isso, o risco de comprometer seriamente o resultado válido da investigação", atacou Teori Zavascki.

O magistrado rejeitou ainda a interpretação de que a conversa entre Lula e Dilma não teria valor relevante para as investigações e disse que o tema foi inclusive utilizado pelo próprio Ministério Público para pedir a abertura de investigação contra Dilma por suspeitas de obstrução da justiça. Ele afirmou que os grampos não eram voltados especificamente para a presidente afastada, mas disse que cabe apenas ao STF, e não a Sergio Moro, decidir sobre um possível desmembramento dos autos, deixando Lula, que não tem foro privilegiado, na 1ª instância, e Dilma sob a alçada do Supremo. "Segundo reiterada jurisprudência desta Corte, cabe apenas ao Supremo Tribunal Federal, e não a qualquer outro juízo, decidir sobre a cisão de investigações envolvendo autoridade com prerrogativa de foro na Corte, promovendo, ele próprio, deliberação a respeito do cabimento e dos contornos do referido desmembramento", ressaltou.

Mesmo com o duro teor do despacho contra Moro, o ministro Teori Zavascki atendeu a pedido do procurador-geral Rodrigo Janot e determinou que sejam enviados para Curitiba os processos nos quais o ex-presidente Lula é investigado no âmbito da Operação Lava Jato. Com isso, passa a estar nas mãos de Moro decisões investigatórias contra o petista, incluindo o temido pedido de prisão.

****** COMENTANDO A NOTÍCIA: 

Observação oportuna feita pelo blog O Antagonista:

Teori ajeitou com a mão para marcar contra Moro

Teori disse que Sergio Moro "usurpou" uma atribuição do STF ao gravar e divulgar a gravação com Dilma Rousseff, que detém foro privilegiado...

É uma interpretação peculiar, visto que o grampeado era Lula, que não detém foro privilegiado.

Teori ajeitou a bola com a mão, para marcar contra Moro -- e o Brasil.

Teori devolve Lula para Moro, mas anula gravação da conversa entre ele e Dilma. Dá a mãozinha possível

Felipe Moura Brasil 
Veja online

Ministro também remete inquérito contra Edinho Silva ao juiz da Lava Jato



A campanha #TeoriDevolveOLula, iniciada por este blog em 28 março, finalmente deu resultado, ainda que incompleto.

Teori “Da Conspiração” Zavascki decidiu na noite desta segunda-feira (13) remeter as investigações contra Lula para o juiz Sergio Moro, mas anulou a validade da gravação feita pela Polícia Federal da conversa entre o petista e Dilma Rousseff, na qual ela dizia estar enviando o termo de posse como ministro para que ele usasse “em caso de necessidade” – o que foi interpretado por investigadores como tentativa de evitar sua prisão com a carteirada do foro privilegiado.

O ministro do Supremo Tribunal Federal registrou que a “nulidade da prova colhida indevidamente” refere-se apenas “às escutas captadas após a decisão” de Moro “que determinou o encerramento da interceptação”, como foi o caso da conversa entre Lula e Dilma.

Entre a determinação do juiz e o desligamento da escuta pela operadora, houve um hiato durante o qual a gravação foi realizada. Embora Moro, Ministério Público e vários juristas tenham defendido o direito do juiz de acolher o material, Teori bateu o pezinho e aliviou a barra dos petistas, ao menos no caso em que havia margem para dar uma mãozinha (ou seria mãozona?).

Ele alegou que Moro usurpou competência do STF ao fazer juízo de valor sobre o conteúdo da gravação e levantou o sigilo dela “sem adotar as cautelas previstas no ordenamento normativo de regência, assumindo, com isso, o risco de comprometer seriamente o resultado válido da investigação”.

Teori decidiu manter no Supremo o pedido de investigação contra Dilma por obstrução de Justiça e, de resto, mandou para Moro o inquérito aberto contra Edinho Silva por suspeitas de crime na arrecadação de recursos para a campanha presidencial da petista.

Eis alguns trechos da decisão do ministro, tantas vezes eleito por este blog “funcionário do mês do PT”:






Recordar é viver:





Felipe Moura Brasil ⎯ http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil