domingo, junho 19, 2016

Brasil vive a angústia da espera pelo impeachment

J.R. Guzzo
Revista EXAME 

Paulo Whitaker / Reuters 
Dilma: quando ela irá de vez?

São Paulo – Poucas vezes o Brasil viveu, como neste primeiro semestre de 2016, um período de tanta incerteza quanto à situação real de seu governo, com as inevitáveis consequências que isso traz para a economia e para a estabilidade material dos brasileiros. Quem governa? Ou melhor, há governo?

O que se tem no momento, e por um período de tempo ainda mal definido, é um presidente interino e uma presidente afastada. Há um tiroteio diário, sem trégua, contra o primeiro, e uma angústia geral diante da campanha feita pela segunda e por seu sistema de apoio para influir no rumo das decisões.

A Câmara dos Deputados tem um presidente que procura o tempo todo não comparecer ao trabalho; não se sabe direito se ele preside mesmo alguma coisa. O presidente do Senado é alvo de sabe Deus quantas denúncias e, ultimamente, de uma ofensiva por parte do procurador-geral da República — junto com dois dos mais importantes personagens do partido ao qual pertence o chefe de Estado interino, um deles ex-presidente do Brasil.

O Supremo Tribunal Federal está envolvido em questões políticas de primeiríssimo grau, para a solução das quais nenhum de seus 11 ministros foi eleito. Há, sem dúvida, um governo montado em Brasília, e seu núcleo mais decisivo, a equipe econômica, é de qualidade incomparavelmente superior a tudo que havia na área até o afastamento da presidente em maio — mas não existe segurança suficiente sobre sua permanência definitiva.

Políticos, às dúzias, estão ameaçados por algum tipo de desgraça súbita por causa da corrupção em massa praticada ao longo dos últimos dois governos; ou pertencem ao partido ora afastado do poder, ou foram seus sócios na administração do país. A Operação Lava-Jato continua produzindo efeitos diretos na vida pública, e não vai parar.

É uma situação de anarquia? Não se pode dizer tanto, mas não há as certezas indispensáveis em relação ao exercício da autoridade, à eficácia das decisões do governo, ao cumprimento da lei e a grande parte de tudo aquilo que fornece a previsibilidade básica sem a qual a economia simplesmente não funciona — aliás, nem a economia nem o resto.

Obviamente, o chão está se movendo; o grande problema é que ninguém sabe para onde. Como poderia ser diferente, quando não se sabe nem mesmo quem vai para a cadeia ou fica solto entre as figuras públicas mais notáveis do Brasil? Não há chão que possa ficar firme desse jeito.

O resultado prático dessa desordem generalizada é que o consumo trava. O investimento para. O planejamento, das pessoas ou das empresas, é colocado em modo de “espera”. A arrecadação emagrece. O emprego não melhora em nada. O câmbio fica balançando. Quem pode decidir não decide; quem não pode tem apenas a perspectiva de tentar se segurar onde está.

O mundo exterior não se mexe em relação ao Brasil. Parece se desenhar, em pesquisas, uma vaga retomada de confiança no futuro, mas tudo ainda é muito difuso, incipiente e incerto para ver alguma coisa com mais clareza.

Diante disso tudo, parece que a única pergunta cuja resposta realmente interessa no presente momento seja a seguinte: quando a presidente afastada vai mesmo embora, de uma vez por todas?

A ideia de que possa ficar, é claro, só poderá ser definitivamente enterrada quando um mínimo de 54 senadores decidirem pelo impeachment; trata-se de algo tão intragavelmente complicado, pelas dificuldades de ordem prática que isso colocaria para o país ser gerido com um mínimo de lógica, que é melhor só falar do assunto se a reencarnação da presidente acontecer.

Até lá, o Brasil terá de viver esse apocalipse de São João anunciado todos os dias. Só o fim do processo, e nada mais, permitirá que haja um governo de verdade; só aí começará o novo jogo, agora para valer. Tudo muda, porque após pelo menos um ano de acefalia, o país voltará, enfim, a ser governado — e começará a viver com as escolhas reais que serão feitas para enfrentar as calamidades do presente. Será possível ver, então, para onde estaremos realmente indo.

Se a Dilma voltar

Arnaldo Jabor
O Globo

O Brasil virou uma piada internacional. Outro dia, vi um programa na CNN sobre nós. Tive vontade de chorar

O Brasil virou uma piada internacional. Outro dia, vi um programa na CNN sobre nós. Tive vontade de chorar. Segundo a imprensa estrangeira, nós somos incompetentes até para sediar a Olimpíada, a economia está quebrada e o impeachment pode impedir os Jogos, pois somos desorganizados, caem pontes e pistas, os mosquitos estariam esperando os atletas, a Baía de Guanabara é um lixo só, bosta boiando, o crime campeia na cidade, onde conquistamos brilhantemente o recorde de estupros.

Até um programa humorístico famoso, o “Saturday Night Live”, fez uma sátira — Dilma fumando charuto e tomando caipirinha, numa galhofa insultuosa que sobrou para o país todo.

Mas Dilma sabe defender o país. Seus discursos revelam isso. Senão, vejamos, suas ideias:

“Antes de Lula, o Brasil estava afunhunhado. Mas o presidente Lula me deixou um legado, que é cuidar do povo brasileiro. Eu vou ser a mãe do povo brasileiro. O Brasil é um dos países mais sólidos do mundo, que, em meio à crise econômica mundial, das mais graves talvez desde 1929, é o país que tem a menor taxa de desemprego do mundo.

“Nós não quebramos, este é um país que tem… tem aquilo que vocês sabem o que é. Por isso, não vamos colocar uma meta. Vamos deixar a meta aberta, mas, quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta. Ajuste fiscal? Coisa rudimentar. Gasto publico é vida. Eu posso não ter experiência de governar como eles governaram; agora, governar gerando emprego, distribuição de renda, tirando 24 milhões da pobreza elevando a classe média, eu sei muito bem fazer.

“Entre nossos projetos, nós vamos dar prioridade a segregar a via de transporte. Segregar via de transportes significa o seguinte: não pode ninguém cruzar rua, ninguém pode cruzar a rua, não pode ter sinal de trânsito, é essa a ideia do metrô. Ele vai por baixo, ou ele vai pela superfície, que é o VLT.
“A mesma coisa nós vamos fazer com o Seguro Defeso, por exemplo. Nós somos a favor de ter Seguro Defeso para o pescador, sim. Agora, não é possível o pescador morar no semiárido nordestino e receber Seguro Defeso, por um motivo muito simples: lá não tem água, não tendo água não tem peixe. Também não seremos vencidos pela zika e dengue; quem transmite a doença não é o mosquito; é a mosquita.

“Antes, também os índios morriam por falta de assistência técnica. Hoje não; pois temos muitas riquezas.

“E aqui nós temos uma, como também os índios daqui e os indígenas americanos têm a deles. Nós temos a mandioca. E aqui nós estamos comungando a mandioca com o milho. E, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu estou saudando a mandioca. Acho uma das maiores conquistas do Brasil.

“Vocês, dos jogos indígenas, estão jogando com uma bola feita de folhas, e por isso eu acho que a importância da bola é justamente essa, o símbolo da capacidade que nos distingue como… Nós somos do gênero humano, da espécie sapiens. Então, para mim, esta bola é um símbolo da nossa evolução. Quando nós criamos uma bola dessas, nós nos transformamos em homo sapiens ou ‘mulheres sapiens’.

“Eu ouço muito os prefeitos — teve um que me disse assim: ‘eu sou o prefeito da região produtora da terra do bode’. Então, é para que o bode sobreviva que nós vamos ter de fazer também um Plano Safra que atenda os bodes, que são importantíssimos e fazem parte de toda tradição produtiva de muitas das regiões dos pequenos municípios aqui do estado.

“Aqui tem 37 municípios. Eu vou ler os nomes dos municípios... Eu ia ler os nomes, não vou mais. Por que não vou mais? Eu não estou achando os nomes. Logo, não posso lê-los.

“A única área que eu acho que vai exigir muita atenção nossa, e aí eu já aventei a hipótese de até criar um ministério, é na área de… Na área… Eu diria assim, como uma espécie de analogia com o que acontece na área agrícola.

“A Zona Franca de Manaus, ela está numa região. Ela é o centro dela porque ela é a capital da Amazônia. Aliás, a Zona Franca evita o desmatamento, que é altamente lucrativo — derrubar árvores plantadas pela natureza é altamente lucrativo.

“Eu quero adentrar agora pela questão da inflação, e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista destes dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo. Não acho que quem ganhar ou quem perder, nem quem ganhar nem perder, vai ganhar ou perder. Vai todo mundo perder. A autossuficiência do Brasil sempre foi insuficiente.

“Os homens não são virtuosos, ou seja, nós não podemos exigir da humanidade a virtude, porque ela não é virtuosa. Se os homens e as mulheres são falhos, as instituições, nós temos que construí-las da melhor maneira possível, transformando… aliás isso é de um outro europeu, Montesquieu. É de um outro europeu muito importante, junto com o Monet.

“Até agora, a energia hidrelétrica é a mais barata, em termos do que ela dura com a manutenção e também pelo fato de a água ser gratuita e de a gente poder estocar. O vento podia ser isso também, mas você não conseguiu ainda tecnologia para estocar vento. Então, se a contribuição dos outros países, vamos supor que seja desenvolver uma tecnologia que seja capaz de na eólica estocar, ter uma forma de você estocar, porque o vento ele é diferente em horas do dia. Então, vamos supor que vente mais à noite, como eu faria para estocar isso? O meio ambiente é sem dúvida nenhuma uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.

“Aliás, hoje é o Dia das Crianças. Ontem eu disse que criança… o dia da criança é dia da mãe, do pai e das professoras, mas também é o dia dos animais. Sempre que você olha uma criança, há sempre uma figura oculta, que é um cachorro atrás, o que é algo muito importante.

“Por isso, afirmo que não há a menor hipótese do Brasil, este ano, não crescer. Eu estou otimista quanto ao Brasil. Eu sou algo que a humanidade desenvolveu quando se tornou humana.”

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É isso aí, gente, se Dilma voltar, ela tem em mente um projeto ambicioso de país. Estamos salvos.

Carta aos covardes

Guilherme Fiuza
Revista ÉPOCA

A imprensa internacional precisa tomar um pouco de vergonha na cara, dear fellows

O New York Times disse que o governo Temer soluça de crise em crise. Será que o jornal americano também está na folha dos companheiros? Estaria o NYT precisando também da mesada que nossos bilionários heróis progressistas pagam aos bravos e incorruptíveis jornalistas de aluguel deste país?

A imprensa internacional precisa tomar um pouco de vergonha na cara. Só um pouco. Sabem por que, dear fellows? Porque o Brasil não tem a menor importância para vocês, e tudo certo que assim seja, mas vocês têm de poder voltar para casa e se olhar no espelho do mesmo jeito, entendem?

A mídia tradicional (“tradicional” não é pejorativo, queridos moderninhos, pode ser ótimo) europeia e americana parece ter comprado a versão do golpe de Estado no Brasil. A maior parte dela andou “denunciando” o fato, ou flertando com a tese vagabunda – espalhada pelos parasitas que sugaram o Brasil por 13 anos sem dó nem piedade, e agora são apoiados pela MPB, intelectuais patéticos e artistas lunáticos (ou bem pagos).

Prezados correspondentes internacionais, façam o seu trabalho direito. Isso aqui não é brincadeira, embora pareça. Esses “progressistas” que vocês preguiçosamente adotaram como fonte, reproduzindo o discurso que a inacreditável Dilma Rousseff anda repetindo por aí, como alma penada, são nada menos que delinquentes, caros colegas gringos. Vocês estão dando voz a uma “narrativa” que roubou o Brasil – e está desesperada para continuar roubando.

Não é bom generalizar, mas as exceções compreenderão. A palhaçada passou do ponto. Ladies and gentlemen, tomem o caminho da roça. Vão à luta. Se mandem para a Venezuela, que tal? Vocês saberão puxar o saco do sanguinário Nicolás Maduro, que destruiu um país com o mesmo chavismo com que a picaretagem petista – suas adoradas fontes – jogou o Brasil em dois anos seguidos de recessão, que se completam agora.

Publiquem aí, seus irresponsáveis: dois anos de recessão no Brasil são culpa de Michel Temer, que não botou mulher no ministério. Vocês são umas crianças patéticas com seu proselitismo politicamente correto. Essa corrente “progressista” – nacional, internacional ou sideral – que resolveu se pendurar em dogmas vagabundos para sabotar tudo que não seja o PT no poder é criminosa. Não há outra definição. Vamos explicar às crianças trapalhonas: o governo podre que arrebentou com o Brasil se fazendo de coitado (há algo mais humilhante?) foi deposto por um, apenas e tão somente um, dos crimes que cometeu – e foi uma floresta de crimes, queridos siderais.

Bem antes do petrolão – esquema que vicejou graças a esse mesmíssimo discurso de vítima que agora vocês repetem em defesa de Dilma e Lula, vá entender –, aqui neste mesmo espaço, criticávamos (sem efeito nenhum, é bem verdade) a chamada “contabilidade criativa”. Era outro nome para as pedaladas, que se mostraram um apelido mais eficiente para ensinar ao jardim de infância que o Tesouro Nacional estava sendo roubado pela malandragem fiscal – o crime que derrubou Rousseff, queridos heróis da resistência democrática.

Ainda não havia Sergio Moro nem Joaquim Barbosa, portanto Lula, Dirceu e sua camarilha ainda eram santos – e não foram poucas as “sugestões” para este colunista mudar de assunto: “Vai perder a coluna”, alertavam. Este signatário respondia que preferia perder a coluna a perder o juízo. Continua preferindo. Mas isso não é fácil de entender para os que veem a vida como uma vaga no curralzinho VIP da revolução fisiológica. A coreografia de um esganado para não largar seu osso é um espetáculo ornamental.

Prezado Michel Temer, diante deste show avassalador de desonestidade intelectual, charme parasitário e bravura cafajeste, você só tem uma saída: governar. Essa é a sua missão na Terra. Cumpra-a até o fim, custe o que custar. Você teve a coragem de demitir os suspeitos – o que o PT jamais fez, a não ser quando estavam na porta da cadeia – e mais que isso: a coragem de trocar os simpáticos pilantras no topo do governo pelos melhores – que aqui da planície achávamos até que não topariam a encrenca. Toparam. E os melhores vão melhorar a vida inclusive dos canastrões que os atacam impiedosamente. Não espere por essa piedade. Ela não vale nada.

As novas reinações de Dilma

Carlos José Marques
Revista ISTOÉ


Dilma Rousseff se transformou numa caricatura dela mesma. Em seus recentes arroubos de gabolice passou a repetir a pregação de um plebiscito para escolha de novos governantes que, ela sabe – tem convicção! –, não irá fazê-lo. Dilma diz qualquer coisa para retornar ao poder. E vale na cantilena oportunista a tentativa de iludir, inclusive, senadores que irão sacramentar o seu impeachment. Dilma não responde por que quer voltar. Nem sabe provavelmente a razão, salva a hipótese mal velada de estar temendo cair nas garras da justiça – algo cada dia mais palpável. 

Num volteio digno de chanchada Dilma promete, na verdade, reassumir para sair. Entendeu? Decerto é difícil levar a sério tamanha asneira. Dilma alega, em alto e bom som, que sem o seu retorno não há democracia. Que é preciso restabelecer o seu mandato e que depois se pode, quem sabe, consultar a sociedade para ver o que fazer. Alguém acredita? E de qual democracia estaria ela a falar? 

Com o Congresso funcionando plenamente, as instituições seguindo na mais absoluta normalidade, o Executivo despachando ajustes para consertar as lambanças deixadas na sua gestão e nenhuma cena de confronto militar nas ruas, o tão alegado “golpe” virou motivo de galhofa. Dilma não reúne hoje as mínimas condições necessárias para governar. Foi fragorosamente derrotada e afastada por 71,5% dos deputados e 67,9% dos senadores. É odiada nas ruas, com índices de rejeição recorde (acima de 80%) na história da República. 

Não tem a menor ideia do que fazer para rearrumar um país destroçado por seus desmandos e barbeiragens e, acima de tudo, falta com a verdade a cada uma das promessas e declarações que costuma lançar – como se imaginasse infinita a capacidade dos brasileiros de acreditarem em suas lorotas. Ninguém em sã consciência, com a mais elementar noção da realidade, pode apostar um centavo furado nessa tresloucada ideia de eleição antecipada que ela apanhou como tábua de salvação para o seu mandato. O escrutínio presidencial prematuro viraria de ponta-cabeça o calendário das urnas e só vingaria, obedecendo aos preceitos constitucionais, na vacância de ambos os cargos de presidente e vice. 

Assim, os dois teriam que renunciar, alternativa remota dado que Temer não mostra a menor disposição (nem tem motivos) para tanto. Ele está ali por direito, dentro do que prevê a Carta Magna. Ainda que em teoria crível a tal hipótese, Dilma também não poderia, por iniciativa direta, realizar um plebiscito. É prerrogativa exclusiva do Congresso chamar tais consultas populares. E para tanto, ela precisaria da façanha de convencer os parlamentares a seguirem ao seu lado em busca desse objetivo. Sejamos francos: quem ali atualmente dá ouvidos ao que Dilma fala ou pede? Sem base de sustentação política, nem para aprovar propostas corriqueiras, é difícil imaginá-la virando o jogo a seu favor no ambiente onde cada um dos interlocutores mostra-se mais interessado em salvar a própria pele. Dilma, isolada como esta, mimetiza seus erros, perambula pelo Brasil às custas do erário alardeando invencionices. A população cansada, vergada por um cenário de desemprego que aflige cerca de 11,5 milhões de trabalhadores, consumida por uma inflação lancinante, por juros imorais, não aguenta mergulhar numa desgastante, arrastada e constitucionalmente ilegal querela de plebiscito que só consumiria tempo e sofrimento ainda mais agudo pela espera das reformas necessárias. Ninguém merece!

Dilma Rousseff – não há como tirar da lembrança – esculhambou as contas públicas com suas pedaladas imorais. Mandou às favas a responsabilidade fiscal. Abriu as portas à corrupção endêmica. Fez mesmo o diabo. E seus crimes de responsabilidade deitaram raízes por todos os lados. Na omissão ou na eventual participação, que as seguidas delações vão tornando cada dia mais evidente, ela vai ficando gradativamente longe da figura de vestal da política que tanto buscou incutir a sua imagem. A desonestidade em atos e propostas, iniciada ainda durante a campanha, já seria uma faceta por demais passível da cassação em curso. Mas certamente as práticas criminosas que ocorreram em seu entorno, sobre as quais ela alega não ter o menor conhecimento (muito embora cresçam os indícios até de favorecimento em caixa dois), deverão comprometê-la ainda mais nesse redemoinho das investigações, já em estágio avançado. Como não enxergar a desfaçatez latente de alguém que reclama aos quatro cantos contra injustiças enquanto esconde deliberadamente em seus discursos, nos palanques e eventos da claque organizada, a malversação de dinheiro público que lesou o Estado para atender a interesses eleitoreiros. Só mesmo os que creem em contos da carochinha poderão ignorar tamanha ignomínia.

O Mimimi de Dilma

Percival Puggina 

 Quem já passou pela experiência de encolher seu padrão de vida, apertar o cinto, mudar-se para imóvel menor, em bairro pior, vender o carro novo para comprar um usado, entenderá bem o que vou escrever. Nos últimos dias tenho conversado com muita gente vivendo concretamente essas experiências. Muitos deles eram jovens com bons postos de trabalho, colhidos pela tesoura determinada pela recessão. Profissionais bem sucedidos em diversas áreas, assumiram a direção de seus carros e se tornaram motoristas do Uber, por exemplo. Tenho ouvido suas histórias e seu esforço de adaptação a uma nova realidade. Tenho lhes conferido, principalmente pelas histórias de vida, a desejada nota cinco que os credencia a continuar no serviço. É nota dada ao cidadão, ao chefe de família, ao estudante bolsista no exterior, que precisou retornar porque o programa secou. Era um programa para crescer até a eleição e minguar depois, sabe como é. O mandato presidencial de Dilma tinha que ser "legitimamente conquistado".

 Pois eis que a tesoura, uma outra tesoura, acabou atingindo a própria presidente. Ela foi afastada segundo o rito constitucional e aguarda o julgamento do Senado. Enquanto isso, salário integral, curte as comodidades do Palácio da Alvorada, com um séquito de fazer inveja à qualquer família real europeia. No entanto, para a Dilma, ela está nas masmorras de uma espécie de Coliseu, onde aguarda algumas semanas pela decisão final. Naquele dia precisará que mais de 27 entre os 81 senadores ergam o polegar e a restituam à vida antiga, que tão mal levava o Brasil e tanto bem lhe fazia viver.

Tivesse fé, Dilma deveria subir de joelhos as escadarias da Penha. Deveria lavar o átrio da Igreja de Nosso Senhor do Bom Fim. Foi-lhe dado o privilégio de presidir a república e ela fez mau uso dessa ventura conduzindo o país a uma situação que se torna desnecessário descrever porque seria falar sobre a vida de cada um. No entanto, em vez de agradecer e penitenciar-se, Dilma reclama. Reclama de tudo, como se estivesse nas masmorras do Coliseu Romano.

Reclama de não ter jato da FAB à disposição para viajar quando e para onde bem entenda. Reclama da reduzida equipe. Reclama do cartão de alimentação. E no entanto, de uma ponta a outra, a lista de suas efetivas disponibilidades é feita de privilégios! São regalias negadas aos trabalhadores. E ainda mais recusadas aos milhões de brasileiros desempregados por sua incompetente condução da política econômica. A estes, desempregados pela corrupção, desempregados pelos gastos durante o estelionato eleitoral de 2014 e pelo dinheiro despejado no totalitarismo dos camaradas bolivarianos, ela não dedica uma única palavra.

O dedo acusador de Dilma volta-se contra tudo e todos. Só não encontra o rumo do próprio peito.

Idiotice neoesquerdista

Maria Lucia Victor Barbosa

Na magistral obra de Plinio Apuleyo Mendoza, Carlos Alberto Montaner e Alvaro Vargas Llosa, "O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano", explica Mario Vargas Llosa no prefácio:

"A idiotice que impregna esse "Manual" não é a congênita, mas de outra índole. Postiça, deliberada e eleita, se adota conscientemente por preguiça intelectual, modorra ética e oportunismo civil. Ela é ideológica e política, mas acima de tudo, frívola, pois revela a abdicação da faculdade de pensar por conta própria, de cotejar as palavras com os fatos que elas pretendem descrever, de questionar a retórica que faz às vezes de pensamento. Ela é a beataria da moda reinante, o deixar-se levar sempre pela correnteza, a religião do estereótipo e do lugar comum".

No Brasil temos o PT como grande partido de esquerda e partidos nanicos que gravitam ao seu redor, São dotados da mesma idiotice a que se referiu Mario Vargas Llosa, sendo bom esclarecer que temos três grupos de idiotas neoesquerdistas: o que compõe a massa de manobra, os oportunistas e as espertas lideranças políticas:

Os que se tornam massa de manobra são os que recebem uma lavagem cerebral que geralmente começa na juventude, quando se é doutrinado na escola ou na universidade por professores marxistas pertencentes ao PT. Sem maturidade para cotejar os fatos à luz da realidade os cérebros juvenis absorvem algumas noções marxistas recheadas com palavras de ordem. Aprendem que ser de esquerda é ser bom, defensor dos pobres, um sujeito de caráter. Na direita, ao contrário, está a elite maldosa, seguidora de um tal de neoliberalismo, opressora dos fracos e oprimidos. Idealistas, em busca de bandeiras que justifiquem seu existir às vezes sem graça, os jovens abraçam com ardor ideias que os transformarão em fanáticos. Tudo será justificado em nome da fé.

Nas universidades ou alunos e professores seguem essa trilha ideológica ou simulam que seguem. Isso porque, não ser petista significa não conseguir nada, nem bolsas nem acesso a pós-graduações nem mesmo, no caso dos alunos, notas para passar se a prova não contiver teor marxista.

Os jovens doutrinados quando formados seguirão idiotizados. Serão artistas, profissionais liberais, clérigos, sindicalistas, militantes do PT ou de pequenos partidos de esquerda, ou seja, lá o que for. Nenhum terá noção do que foi o comunismo com seus horrores e opressões.

 Para reforçar essa deformação intelectual recentemente o MEC quis tirar do ensino a História europeia. Apenas se aprenderia sobre América Latina e África, sem dúvida, com base em louvações e inverdades como, por exemplo, crer que democracia perfeita só existe em Cuba e na Venezuela.

Os idiotas neoesquerdistas desconhecem o que foram os totalitarismos comunistas e nazista, irmãos xifópagos que infelicitaram a vida de milhões de pessoas. Ruins, dizem soberbamente, são os Estados Unidos, o grande Satã Branco onde vão frequentemente passear, comprar, estudar, tratar da saúde, sendo que muitos vão para morar.

Se nem todos passaram por universidades, a massa de manobra foi sendo generalizada na sociedade através de uma visão distorcida de mundo na qual se repete que para ser decente a pessoa tem que ser de esquerda. Note-se que nenhum dos nossos partidos políticos, esses trampolins para alcançar o poder, se rotulam de direita. São de esquerda, centro-esquerda, centro e, no máximo de centro direita. Direita virou palavrão. Conservador e neoliberal, que não têm a mesma significação conceitual, são insultos.

Foi através desse processo orientado pelo Foro de São Paulo, entidade que congrega as esquerdas latino-americanas, que o PT triunfou para chegar agora à sua profunda decadência cuja causa reside na ganância, na incompetência e na corrupção institucionalizada de suas lideranças cujo chefão é Lula da Silva.

Na verdade, as lideranças de esquerda em todo mundo nunca fugiram deste padrão. No poder enriqueceram, se tornaram corruptos, se aferram ao poder e produziram ditaduras cruéis.

Escapamos por enquanto disto por conta do retumbante fracasso do governo petista, mesmo assim, em que pese o desastre sob o comando de Dilma Rousseff que levou o País aos abismos da recessão, da inflação, da inadimplência, do desemprego, dos Pibinhos, muitos idiotas neoesquerdistas ou espertos oportunistas bem pagos dos movimentos sociais, sindicais ou estudantis vão às ruas gritar: "volta querida", "fora Temer". Prova que o PT quase acabou, mas o petismo segue firme.

Dia destes em Brasília, uma manifestação cuja maioria devia ser petista tornou-se o símbolo máximo da idiotice neoesquerdista. Perto do Palácio da Alvorada um bando tirou a parte de baixo das roupas e exibiu seus traseiros gordos para depois gritar: "Fora Temer". Mostraram assim que é com essa parte do corpo que raciocinam e não com o cérebro. Isso por si só explica muita coisa sobre o neoesquerdismo. Imagine-se o que acontecerá se Rousseff voltar. Com perdão da expressão, viveremos sob a ditadura de uma bundocracia.

Excelência já foi elogio, mas faz tempo

Rolf Kuntz 
O Estado de S. Paulo

 Excelência, em Brasília, é principalmente uma palavra usada por deputados e senadores antes de xingar outro congressista. Pode-se empregá-la com muita elegância em frases do tipo “vossa excelência é uma cavalgadura”. Poucos devem lembrar-se, mas esse termo serviu, em outros tempos, para indicar qualidades positivas encontradas – podem acreditar – até no setor público. Vale a pena lembrar esse velho emprego da palavra, quando se discute a profissionalização das chefias de estatais. Muito antes de ser envolvido no mensalão, o Banco do Brasil foi apontado, mais de uma vez, como centro de excelência. De seus quadros saíram funcionários para o recém-criado Banco Central, nos anos 60, e para muitos postos importantes do governo. Quem desconhece esses fatos pode ter dificuldade para acreditar nessa história. Afinal, tudo parece negá-la. Saqueada durante mais de dez anos, a Petrobrás tornou-se uma empresa superendividada, incapaz de manter seu programa de investimentos e forçada a vender uma porção de ativos para fazer caixa.

A Eletrobrás, segunda maior estatal brasileira, continua devendo ao mercado de capitais de Nova York a publicação do balanço de 2014. Os Correios, acumulando prejuízos desde 2013, poderão precisar de financiamento no segundo semestre para pagar salários e outras despesas operacionais. O prejuízo de 2015, como informou o Estado na quinta-feira, pode ter chegado a R$ 2,12 bilhões. Faltava, ainda, a publicação do balanço do ano passado, embora já se tenha chegado à metade de 2016.

Bancos federais foram convertidos, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, em financiadores do Tesouro, por meio das famosas pedaladas. Foram levados, além disso, a servir a interesses partidários e eleitorais. Em alguns casos, assumiram riscos excessivos e tiveram de aumentar consideravelmente suas provisões para devedores duvidosos, ou muito duvidosos, como a Sete Brasil, criada para fornecer sondas à Petrobrás e forçada a pedir recuperação judicial. Foram levados a apoiar grupos escolhidos pelo poder para tornar-se campeões nacionais.

Políticas desse tipo, sem nenhum sentido estratégico, renegaram os melhores padrões de políticas de desenvolvimento inauguradas ainda na época da 2.ª Guerra Mundial. Na avaliação mais benigna, resultaram em enorme desperdício de recursos, desviados de aplicações muito mais úteis à modernização da economia brasileira e à elevação geral da competitividade. Para alimentar esse mau uso de dinheiro público, o Tesouro ainda bombeou para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) cerca de R$ 500 bilhões. Para isso, emitiu títulos e endividou-se, tornando cada vez mais complicada a situação das contas públicas.

Até os fundos de pensão das estatais foram envolvidos no jogo das decisões de interesse político-partidário. Para atender a objetivos muito estranhos à sua função, comprometeram bilhões em maus investimentos, como títulos de valor duvidoso emitidos por países vizinhos e ações de empresas perigosas, como – novamente – a Sete Brasil.

O mais vistoso dos desastres, o da Petrobrás, foi amplamente mostrado tanto pelas investigações da Operação Lava Jato quanto por análises de especialistas e até de funcionários da empresa. O enorme esquema de corrupção apontado pela Polícia Federal e pela Promotoria mostra apenas uma parte da história. Ao lado desse esquema, e com ele entrelaçado, houve uma lista de investimentos mal programados, mal executados e subordinados a objetivos partidários e a critérios ideológicos.

O exemplo mais notório é o da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Esse empreendimento nasceu de um plano de cooperação (jamais concretizado) entre a Petrobrás e a PDVSA, ainda no tempo do presidente Hugo Chávez. Nunca entrou dinheiro venezuelano e, além disso, o projeto foi mal feito, os custos foram escandalosamente subestimados e a obra continua incompleta.

O desastre foi produzido, em todos esses casos, pela subordinação dos objetivos de empresas, bancos e fundos de pensão aos planos de poder do grupo governante, a seus objetivos eleitorais e à voracidade de seus aliados. Aparelhamento e loteamento foram muito mais que processos de corrupção. Foram formas de apropriação do sistema estatal, em todas as suas dimensões, para usufruto dos governantes e remuneração de seus asseclas.

A administração pública brasileira é conhecida muito mais por seus defeitos do que por suas virtudes. Isso é compreensível e justificável. Ao iniciar seu governo, o presidente Juscelino Kubitschek criou uma administração paralela, formada pelos famosos grupos executivos, para implantar o Plano de Metas. A alternativa, como lembrou o professor Celso Lafer num belo trabalho, seria gastar muito tempo, talvez todo o mandato, num esforço de reforma administrativa.

Apesar de tudo, sempre houve núcleos de competência na administração. Centro de excelência, assim como o Banco do Brasil, foi também a velha CFP, a Comissão de Financiamento da Produção. Essa empresa foi fundida em 1990 com a Cobal e a Cibrazem para a formação da Conab, a Companhia Nacional de Abastecimento, vinculada ao Ministério da Agricultura. Integrou o mesmo clube o velho Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (seu nome original), onde conviveram, durante décadas, profissionais conhecidos pela diversidade ideológica e pela capacidade. A Embrapa é outro exemplo, especialmente notável por ter sobrevivido à ingerência petista.

O governo do PT, desde o mandato inicial do presidente Lula, condenou as ideias de competência e de produtividade na administração como preconceitos neoliberais. A boa política seria empregar companheiros e aliados e tudo sujeitar a um projeto de poder. Crise fiscal, estatais em crise e Operação Lava Jato são alguns dos desdobramentos.

Começar de novo

Carlos Alberto Sardenberg
O Globo

A grande vantagem em relação ao passado recente é que agora já temos a moeda. Embora maltratado, o real está aí

A parte animadora da história: Ilan Goldfajn, novo presidente do Banco Central, cravou o compromisso de restabelecer o básico tripé de política econômica, com meta de inflação, equilíbrio das contas públicas e taxa de câmbio flutuante.

A parte triste: o país já havia se beneficiado dessa combinação de estabilidade e crescimento, até que Dilma Rousseff resolveu desmontar o tripé com sua nova matriz.

O Brasil levou 14 anos para sepultar a superinflação e o total caos das finanças públicas. Isso aconteceu desde a introdução do real (1994) e da série de reformas que sustentou a moeda — formando o tripé — até a conquista do grau de investimento, em abril de 2008. A Standard & Poor’s foi a primeira agência a conceder essa nota à economia brasileira, reconhecendo inclusive a maturidade política do país. Isso porque Lula, que se elegera pela oposição a FHC, havia mantido e até aprimorado o tripé no seu primeiro mandato.

Em setembro de 2015, a mesma S&P foi a primeira a retirar a nota e rebaixar o Brasil ao grau especulativo (ou junk, como dizem no mercado internacional). Lula começou o desmonte no seu segundo mandato, mas foi Dilma quem se dedicou meticulosamente à destruição das bases da estabilidade. Em menos de cinco anos, conseguiu botar abaixo um edifício que levara 14 anos para ficar mais ou menos pronto.

Assim, lá vamos nós de novo. As duas tarefas principais são as mesmas de 22 anos atrás: eliminar o déficit das contas públicas e voltar ao superávit primário para equilibrar e depois reduzir a dívida pública; e colocar a inflação na meta, agora de 4,5% ao ano. A terceira parte é garantir a taxa de câmbio (a cotação do dólar) mais flutuante do que manipulada pelo Banco Central.

A grande vantagem em relação ao passado recente é que agora já temos a moeda. Embora maltratado, o real está aí, pode ser reequilibrado, o que afasta a necessidade de uma complicada reforma monetária. Lembram-se da URV e da complexa troca do papel moeda?

Pois é, disso não se precisa mais. Aliás, convém reparar: isso prova a força da construção anterior.

Outra vantagem é que o conjunto de regras de estabilidade fiscal também já está montado. Essas normas foram desrespeitadas na gestão Dilma — com as pedaladas e a contabilidade criativa ou simplesmente mentirosa —, mas continuam vigentes. É preciso aperfeiçoá-las e garantir que não possam ser dribladas.

Para isso servirá a proposta já anunciada pela equipe econômica de estabelecer um teto para o gasto público: o valor do ano anterior mais a inflação. Em termos reais, o que importa, a despesa total ficará congelada.

O presidente Michel Temer disse que a proposta vai ao Congresso na semana que vem. Será importante passo — a depender, como todos os outros, do ambiente político.

A óbvia crise institucional pode atrapalhar e bloquear a política econômica. Isso todos sabemos. Mas também é verdade que um bom andamento na economia pode ajudar o governo a passar pelos impasses da política partidária.

Daí a importância das medidas que o Executivo pode tomar sem passar pelo Congresso. Além das mais óbvias — ações da Fazenda para controlar as contas e do BC para apontar a inflação para a meta —, o que mais ajudaria seria um bom programa privatizações e concessões.

Com o governo quebrado, a única possibilidade de turbinar investimentos está no setor privado. A parte do governo nessa história será preparar vendas e licitações competitivas e atraentes para o capital nacional e estrangeiro.

Aliás, isso também já foi feito, no final dos anos 90 e início dos 2000. De novo aqui, é começar de novo.

Moral da história: o triste é ter que fazer tudo de novo; o reconfortante, digamos assim, é saber que já foi feito uma vez e, pois, pode ser feito de novo.

VIDA DURA
Vejam como é complicada a vida do gestor de política econômica. Nos últimos dois dias, os mercados reagiram ao “efeito Ilan”. O discurso do novo presidente do BC animou o pessoal. Vai daí, a bolsa subiu, os juros caíram, e o dólar caiu.

É sinal de confiança.

E se dólar cair demais? Ajuda quem vai viajar — e até pode melhorar o Índice de Confiança do Consumidor — mas atrapalha as exportações, único setor que está em expansão.

Ilan Goldfajn disse que a taxa de câmbio deve ser flutuante. Inclusive na faixa dos três reais ou menos?

Será um primeiro teste para o novo BC.

De todo modo, há fundos de investimentos — de ótimos gestores — que estão “vendidos em dólar contra o real”. Ou sejam, acham que o dólar cai e o real se valoriza.

A ver.

A vez de Lula

Editorial 
O Estado De S. Paulo 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a dizer que não há ninguém no Brasil mais honesto do que ele. "Tenho tranquilidade. Duvido que algum procurador, que algum delegado da polícia seja mais honesto do que eu, mais ético do que eu, nesse país", declarou o chefão petista em entrevista à TV Al Jazeera divulgada no dia 11. Assim, pode-se presumir que Lula não tenha ficado nem um pouco preocupado com a notícia de que o ministro Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, determinou que os processos nos quais o ex-presidente é investigado fossem remetidos à primeira instância, isto é, aos cuidados do juiz Sérgio Moro.

A decisão de Teori colocou um ponto final na estratégia petista de conseguir foro privilegiado para Lula, por meio de sua nomeação para um Ministério do governo de Dilma Rousseff. A nomeação acabou suspensa pelo Supremo, mas Teori levou mais de um mês para enfim remeter o caso para a primeira instância - e o magistrado incluiu no pacote enviado para Moro os ex-ministros petistas Edinho Silva, Jaques Wagner e Ideli Salvatti.

Agora, finalmente, Lula terá de se entender com a "República de Curitiba" - nome que o próprio chefão petista, em uma das conversas interceptadas pela Polícia Federal, usou para se referir à força-tarefa da Lava Jato. "Eu sinceramente estou assustado com a República de Curitiba. Porque a partir de um juiz de primeira instância, tudo pode acontecer nesse país", vociferou o ex-presidente na gravação, sem esconder seu desrespeito pelo trabalho até aqui exemplar dos responsáveis pela Lava Jato.

Em outra ocasião, também registrada pela polícia, Lula diz que "esses meninos da Polícia Federal e esses meninos do Ministério Público, eles se sentem enviados de Deus" e acrescenta: "Eu sou a chance que esse país tem de brigar com eles para tentar colocá-lo no seu devido lugar".

Lula terá essa oportunidade muito em breve. Ontem, havia informações segundo as quais a Lava Jato preparava três denúncias contra o ex-presidente, contendo acusações relacionadas ao petrolão. Segundo o site da revista Época, Lula pode ser denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro - as penas, somadas, podem chegar a 15 anos de prisão.

Ademais, no pedido de abertura de inquérito feito ao Supremo em abril, a Procuradoria-Geral da República acusa Lula de ter tido, "no exercício do mandato presidencial", uma "posição dominante na organização criminosa" estruturada para assaltar a Petrobrás, conforme publicou ontem o site Congresso em Foco. Na mesma peça, o procurador-geral, Rodrigo Janot, diz que "essa organização criminosa jamais poderia ter funcionado por tantos anos e de uma forma tão ampla e agressiva no âmbito do governo federal sem que o ex-presidente Lula dela participasse". Os procuradores da Lava Jato são da mesma opinião.

Questionado na entrevista à Al Jazeera sobre essa acusação, Lula disse que "esse procurador deve ignorar como funciona a Petrobrás", o que explicaria "uma bobagem dessa magnitude". E então Lula aproveitou a deixa para se dizer perseguido, seu papel favorito. Segundo ele, a Lava Jato está "coagindo os empresários a comprometer o Lula", por meio das delações premiadas. "As delações, na minha opinião, estão sendo banalizadas, porque você prende um cidadão, fica ameaçando o cidadão, ameaçando prender a mulher, o filho, se a pessoa não delatar. Dessa forma, as pessoas irão delatar até a mãe", disse Lula, sugerindo que a Lava Jato usa métodos escusos para produzir provas contra a quadrilha que pilhou o Estado durante os governos petistas.

Tais acusações não são próprias de quem se diz tranquilo porque é inocente. Se Lula nada deve, não tem o que temer - afinal, ao contrário do que o ex-presidente imagina, a Lava Jato só age conforme a lei. Sérgio Moro já proferiu 105 condenações, e raras foram as que acabaram revertidas em tribunais superiores. Portanto, o chefão petista terá todas as condições de mostrar que quando diz ser o homem "mais honesto deste país" não está apenas roncando grosso.

OBRA PETISTA: Brasil tem a maior queda em ranking de direitos das crianças

Talita Abrantes
 EXAME.com 

Omar Havana / Getty Images 
Criança em lixão: o Brasil patina quando o assunto é direito das crianças

São Paulo – A morte do menino Ítalo, de 10 anos, por policiais durante uma perseguição em um bairro nobre de São Paulo (SP) chocou o país no início deste mês. A breve existência de Ítalo (e seu trágico desfecho) é emblemática quando se pensa no quanto as condições de vida oferecidas às crianças brasileiras não vão bem.

Um estudo inédito da ONG holandesa Kids Rights, apresentado nesta segunda, endossa isso. Segundo a pesquisa, feita com base em dados de 163 países, o Brasil ainda patina quando o assunto é proteção aos direitos da criança e do adolescente.

Em apenas um ano, o país caiu 64 posições em ranking elaborado pela entidade sobre o assunto.

Essa foi a maior queda entre todas as nações analisadas no período. Em 2015, o Brasil era o 43º na lista. Hoje está em 107º.

Ao todo, foram avaliados 23 itens. Noruega, Portugal e Islândia completam o pódio de países com as melhores condições para as crianças.

No caso do Brasil, o desempenho pífio pode ser explicado pelo cenário nada favorável à defesa dos direitos para menores de idade. A avaliação foi feita om base em relatórios do Comitê das Nações Unidas pelo Direito das Crianças publicados em 2004 e 2015, respectivamente.

Segundo o estudo da Kids Rights, pesam contra o país questões conjunturais (como cortes no orçamento que afetam programas e políticas públicas), estruturais (como a falta de dados sobre crianças em situação de risco) e sociais (como a descriminação de raça e gênero).

No total, o país marcou 0,33 pontos nesse quesito contra 0,71 auferidos no ranking do ano passado.

Segundo a entidade, as soluções para reverter esse cenário passam pela implementação desde políticas que foquem no combate à homofobia ou qualquer outro tipo de descriminação até a consolidação de um sistema eficiente de coleta e publicação de dados sobre a infância – entre outros.



Critério

Nota em 2016

Posição no ranking em cada área em 2016
Ranking geral
0,686
107º
Direito à Vida
0,873
72º
Direito à Saúde
0,926
59º
Direito à Educação
--
--
Direito à Proteção
0,821
81º
Ambiente favorável aos direitos da criança
0,333
145 - 146



A bolsa milionária para os amestrados de Dilma, ou vagabundagem remunerada!

Adelson Elias Vasconcellos



Dilma Rousseff quando presidente e sobre ela pesava apenas a mediocridade e a irresponsabilidade na condução da economia do país, ao abrir a boca já produzia coisas do arco da velha, ideias desconexas, sem sentido algum, misturando o pensamento A no meio do pensamento B, mas sem concluir nenhum dos dois. 

Agora, afastada do poder, tendo de responder a um processo de impeachment além do de obstrução da justiça e das investigações do TSE pelo uso de dinheiro roubado nas campanhas de eleição e reeleição,  a rainha destronada não se conforma. Desde que o processo de impeachment foi aceito, ela insiste em proclamar que a ação é golpe, apesar de que o impedimento está descrito e previsto na constituição, apesar de que o rito foi estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal e cujos ministros  já se pronunciaram afirmando que o impeachment golpe não é. Aliás, nesta fase do processo quem preside os trabalhos no Senado é nada mais nada menos do que o próprio presidente do STF. Mas ela insiste no discurso teimosamente.

Pesquisa revelada hoje informa que pelo menos 2/3 da população não considera o impeachment um golpe. Pois bem, enquanto a sua bancadinha histérica se escalpela em sua defesa na comissão que analisa o pedido aprovado na Câmara de Deputados, Dilma resolveu sair por aí a atacar e criticar o governo Temer. E não tem poupado esforços e saliva num discurso imbecil.

Texto da Folha informa que a ex-soberana afirmou que “Temer está "desmontando o país" e aplicando um programa que não passaria nas urnas”.

Então vejamos. Pelo que sabemos da situação em que Temer encontrou o país, definitivamente não há o que desmontar. Dilma se encarregou de realizar uma obra completa. Nada sobrou nada em pé em pé. Nada. Até os programas sociais foram podados por ela em bilhões de reais. Dois anos de recessão, cinco anos de inflação fora do controle, 12 milhões de desempregados, isto tudo Temer encontrou pronto e acabado pela bucéfala e desastrada soberana destronada. 

Quanto ao programa de conserto da economia que a equipe econômica do presidente Temer está levando em frente, talvez não fosse aprovado numa campanha eleitoral. Mas, venham cá: o que foi a campanha da senhora Rousseff em 2014 senão o maior estelionato eleitoral da história? De fato, tudo o que ela fez ou tentou fazer depois de reeleita não foi exatamente o que afirmou categoricamente que não iria fazer? Mal declarada vencedora, em menos de uma semana lá veio o tarifaço da energia, a elevação dos juros e da gasolina, trazendo consigo o desemprego e um programa de ajuste fiscal em que se cortaram bilionárias verbas na educação, saúde e nos investimentos públicos.

Assim, esta senhora não tem moral nem credibilidade alguma para criticar o governo Temer, quando este tenta corrigir os desvios e os desacertos de Dilma e que nos colocaram na maior crise econômica da história. 

Dada sua arrogância, Dilma não se convenceu que seu afastamento não se baseou apenas em pedaladas fiscais. Dois terços da população aprovavam seu impeachment e sua rejeição era a maior dentre todos os presidentes brasileiros. Perdeu em todas as frentes que abriu para se agarrar, feito doida, ao castelo de areia que construiu em torno de si.

Quanto aos “parasitas”, seria oportuno que Dilma contasse quantos de sua tropa de amestrados que pululam em sua volta, quantos continuam mamando nas tetas do Tesouro Nacional (dinheiro do povo), por longos 6 meses numa vagabundagem dolorosa, a pretexto da tal “quarentena remunerada”, com salários integrais. Nesta vagabundagem remunerada e imoral, já se tem um total de 41  contemplados e aguardam na fila mais 51 pedidos. Todos sem cargos no governo.

A certa altura, a afastada Rousseff tem a cara de pau de afirmar que Temer está desmontando as conquistas de seu governo. É, conforme tem revelado a Lava Jato,e mais a situação da dívida pública, da recessão, do desemprego, da inflação, dos juros altos, dos déficits bilionários, sem dúvida, são conquistas com a marca registrada da senhora Rousseff. 

Não contentes em quebrar o Brasil, em roubar e deixar roubar bilhões de reais dos cofres públicos, eles ainda se querem “merecedores” de verbas e regalias às custas dos contribuintes, sem prestar em troca um único benefício para o país.   E os outros é que são golpistas! Arre!

'Programa do governo golpista não passaria nas urnas', diz Dilma na BA. Vai ver que foi por isso que ela aplicou um estelionato em 2014!

COMENTANDO A NOTÍCIA

Abaixo, texto de João Pedro Pitombo, de Salvador, para a Folha de são Paulo. Comentaremos no próximo post.  

***

A presidente afastada Dilma Rousseff (PT) disse nesta quinta-feira (16) em Salvador que o presidente interino Michel Temer (PMDB) está "desmontando o país" e aplicando um programa que não passaria nas urnas.

Em discurso ao receber um título de cidadã baiana na Assembleia Legislativa da Bahia, Dilma criticou a proposta enviada ao Congresso Nacional por Temer que retira o índice mínimo de investimento em saúde e educação.

"Não há nenhuma justificativa, nem sequer razão para reduzir justamente saúde e educação num país como o Brasil. Sabemos que este programa levado a cabo pelo governo golpista e provisório não passaria nas urnas deste país", disse.

No discurso, Dilma não fez nenhuma menção à delação do ex-presidente da Transpetro  Sérgio Machado que acusa Temer pediu recursos ilícitos para a campanha a prefeito de São Paulo de Gabriel Chalita em 2012.

Dilma comparou os opositores a "parasitas" que querem destruir a "árvore da democracia" e acusou o governo interino de "desmontar o país" aplicando um programa de governo sem debater com os movimentos sociais.

"Um governo provisório não pode desmontar o país, não pode fazer o país voltar atrás".

Dilma ainda afirmou que o programa Bolsa-Família "está correndo risco". "Cada vez que falaram que o programa tem que ser focado, que tem que pagar só para 5% das famílias, isso tem na base disso um preconceito de que quem recebe está enganado e fingindo que precisa. É um preconceito forte contra os pobres", disse.

E acusou o governo interino querer acabar com a faixa um do Minha Casa, Minha Vida, que destina imóveis para famílias mais pobres, com renda familiar mensal até R$ 2.000.

"Acabar com a faixa um é ferir o Minha Casa, Minha Vida de Morte, é acabar com o programa. 80% do deficit habitacional está nesta faixa".

Dilma ainda criticou a proposta que flexibiliza o regime de concessão dos campos de petróleo do pré-sal.

BANHO DE PIPOCA
A presidente afastada foi recebida no plenário da Assembleia por militantes, que gritaram "volta, querida" e lançaram sobre ela pétalas de rosas e pipoca, tradição do candomblé para afastar maus fluidos.

Do lado de fora da Assembleia, um grupo de militantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra) protestavam contra o presidente interino Michel Temer.

O título de cidadã baiana foi proposto pelo deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) em 2011, primeiro ano de mandato de Dilma.

Antes de se tornar deputado, Rosemberg foi gerente regional da Petrobras e foi alvo de polêmica ao repassar recursos para ONGs presididas por petistas para o patrocínio de festas juninas. É um dos aliados mais próximos de José Sérgio Gabrielli.

Participaram da entrega da honraria os ex-ministros Jaques Wagner (Gabinete da Presidência) e Juca Ferreira (Cultura), além do governador da Bahia Rui Costa (PT).

A entrega do título de cidadã em Salvador faz parte de uma série de viagens da presidente afastada por capitais do Nordeste, principal reduto eleitoral do PT.

Dilma tem usado os eventos para replicar o discurso de que o governo interino de Michel Temer é "ilegítimo" e "quer impor retrocessos à população".

Nesta quarta (15), a petista esteve em João Pessoa, onde participou de uma audiência pública no Centro Cultural José Lins do Rego, onde comparou o governo Temer a oligarquias da República Velha.

Governos do PT causaram um rombo total de R$ 700,6 bilhões ao país

Tribuna da Internet
Felippe Hermes, Site Spotniks


Mensurar o tamanho do Estado brasileiro é uma tarefa inglória e quase impossível. Sobre as mais de 200 empresas estatais nas três esferas de governo (federal, estadual e municipal), as centenas de autarquias e fundações e mais de 11 milhões de funcionários públicos, as informações encontram-se perdidas entre dezenas de portais da transparência, que em muitos casos mais confundem que explicam. Não há qualquer centralização destas informações. Na parte contábil, no entanto, a situação muda um pouco de figura.

A Secretaria do Tesouro Nacional publica anualmente as informações contendo todos os ativos sob posse da União. Nelas é possível descobrir, por exemplo, que os governos possuem R$ 1,03 trilhão em imóveis e R$ 498 bilhões em ações de empresas de inúmeros segmentos (número que caiu significativamente com a desvalorização da Petrobras). O que chama atenção, porém, é o total de ativos. São nada menos do que R$ 6,747 trilhões, ou 1,15 vezes o patrimônio de todas as famílias brasileiras somadas, que equivale a R$ 5,825 trilhões. Cerca de 77% deste patrimônio encontra-se com o governo federal.

NAS MÃOS DO PT… –
Tamanha concentração de poder sob responsabilidade nas mãos de pessoas com pouca ou nenhuma experiência administrativa, e que em inúmeros casos têm como maior especialidade a capacidade de negociar acordos e favores – aqueles homens que nós conhecemos como políticos – gera situações no mínimo curiosas.

Em uma delas, como relata o Valor Econômico, a equipe econômica do governo federal trouxe para a discussão, em uma reunião sobre a privatização de aeroportos, o preço do pão de queijo nos aeroportos a serem concedidos. Após extenso debate, chegaram a um consenso, e o preço máximo pelo qual o produto poderia ser vendido.

Longe da esfera micro do pão de queijo, os efeitos de políticas econômicas adotadas por um governo com este poder de influência sobre a economia também despertam a atenção. Graças ao avanço de instituições de controle e fiscalização, como o Tribunal de Contas da União e a Controladoria Geral da União, avaliar o resultado destas políticas tornou-se mais fácil – ao menos na esfera federal, onde as informações e o controle seguem mais intensos que nos mais de 5 mil municípios brasileiros.

Por meio de análises feitas pelo TCU, a CGU e outros órgãos, como o Banco Central ou as próprias empresas estatais, listamos abaixo os 7 maiores erros de gestão do governo federal nos últimos anos – e os custos que eles geram para o seu bolso.



1) CORRUPÇÃO E MÁ GESTÃO NA PETROBRAS – 

Valor do prejuízo – R$ 88,6 bilhões. 

Ainda em andamento, as investigações da Operação Lava Jato já resultaram em 1.082 processos instaurados, 411 buscas e apreensões e 84 condenados, que juntos contabilizam penas de 825 anos. Em valores, a operação já recuperou aproximadamente R$ 2,9 bilhões dos R$ 42,8 bilhões em desvios estimados.

O fato dela estar em andamento, entretanto, não impediu a Petrobrás, a empresa que está no centro da operação, de fazer sua própria estimativa: segundo as avaliações da empresa, a diferença entre o valor justo e o valor contábil de seus ativos apresentou uma diferença de R$ 88,6 bilhões.

Nem todo valor, claro, corresponde a desvios de recursos. A estatal avalia qual parte de seus ativos foram superestimados, em função de acordos ilícitos, implicando em pagamentos acima dos que seriam considerados ‘justos’.

A avaliação, porém, não foi suficiente para que a empresa admitisse o rombo em seu orçamento. Em uma reunião posteriormente revelada, o conselho da empresa optou por divulgar o balanço do 3º trimestre de 2014 sem considerar os resultados da auditoria, provocando maior desconfiança do mercado, que seguiu punindo a empresa, cujo valor de mercado caiu mais de 85% desde o ápice em maio de 2008.

Alguns valores, no entanto, não entraram na contabilidade realizada pela própria empresa. Inicialmente a Petrobras previa gastar US$ 2,5 bilhões para construir a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco – valor que chegou a US$ 18 bilhões na conclusão.

As obras da refinaria foram citadas por Paulo Roberto da Costa em depoimento na operação Lava Jato. Apesar disso, não é possível afirmar com exatidão quanto deste custo decorreu de má gestão e corrupção e quanto é atribuído a uma análise inicial de custos errada. O certo apenas é que a Petrobras teve de arcar sozinha com os custos, tendo em vista que foi abandonada por sua sócia, a estatal venezuelana de petróleo PDVSA.

2) FUNDOS DE PENSÃO ARREBENTADOS – 

Valor do prejuízo –  R$ 46 bilhões. 

Por onde quer que se olhe, os 317 fundos de pensão brasileiros, pertencentes a cerca de 3 mil empresas mantenedoras, são um ativo que desperta a atenção, em especial de políticos. São cerca de R$ 733 bilhões em ativos, com mais de 40% deste valor concentrado em apenas 4 deles – Previ, Funcef, Petros e Postalis (pertencentes aos funcionários do Banco do Brasil, Caixa Econômica, Petrobrás e Correios, respectivamente).

Ao todo, os fundos possuem 557 mil aposentados e mais de 2,7 milhões de mantenedores, e são responsáveis gerar R$ 2,5 bilhões em benefícios mensais, além de inúmeros cargos por indicações bastante cobiçadas.

Para o governo, o controle dos fundos significou durante anos controlar parte relevante da economia nacional e ditar seu rumo. Fundos como o PREVI, o maior fundo brasileiro com R$ 138 bilhões em ativos, detêm fatias relevantes em empresas como a mineradora Vale, a Embraer, a companhia de logística ALL, maior operadora de ferrovias do país, além de participação em dezenas de outras empresas.

Para atender sua vontade de criar grandes “campeões nacionais”, empresas capazes de competir no Brasil e no mundo de igual para igual com as maiores multinacionais do planeta, o governo patrocinou alguma das maiores fusões da década, como a criação da Oi, além da processadora de alimentos BRF.

Se para os fundos o período de privatização significou colocar as mãos em ativos valiosos, embora mal geridos, e assim ganhar bilhões melhorando sua gestão, como no caso da companhia Vale do Rio Doce, o período de euforia com a economia brasileira significou uma sensação de ‘invencibilidade’.

Durante anos os fundos patrocinaram todo tipo de ideias oriundas da equipe econômica, e seguiram investindo bilhões nelas. O resultado destes e de outros investimentos é um déficit atuarial estimado em R$ 44 bilhões. Some a isto uma gestão imprudente – como a do caso do Postalis, o fundo dos funcionários dos Correios, que investiu, entre outras coisas, em um fundo de investimentos em dívida da Argentina e da Venezuela (o Postalis era o único investidor do fundo) – e você tem um verdadeiro descaso com a aposentadoria de centenas de milhares de pessoas.

Déficit atuarial significa que os fundos possuem falta de recursos para cobrir as aposentadorias previstas. A existência deste déficit pode requerer novas capitalizações, caso seja persistente, e neste caso, as formas de pagar saem sempre de dois lugares: ou do seu bolso, ou do salário dos funcionários. No caso dos funcionários dos Correios, a estimativa é de uma redução de 25% nos benefícios durante 15 anos.

3) MANIPULAÇÃO DO PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS –  

Valor do prejuízo – R$ 74,6 bilhões. 

Controlar a inflação nunca é uma tarefa fácil, e na maior parte das vezes requer sacrifícios pesados à economia – como a elevação da taxa básica de juros para reduzir o consumo. Tal ideia é, no entanto, incompatível com um governo que acredita ser o consumo uma boa forma de induzir o crescimento da economia.

Resolver este quebra-cabeça pode requerer boas reformas econômicas, que destravem a burocracia para investimentos e reduzam os riscos de crédito, elevando os empréstimos a bons consumidores, ou um pouco de criatividade. Para o governo brasileiro, a segunda opção pareceu mais adequada.

A inflação oficial brasileira é medida através de um índice, o IPCA, que mede os preços ao consumidor. Para chegar a este índice, o IBGE realiza uma pesquisa e então determina a quantidade de recursos que cada família dispende com uma série de gastos. Somam-se os valores gastos, por exemplo, em alimentos, bebidas, vestuário, habitação, combustível e energia, e atribui-se um peso a cada um, equivalente ao quanto eles de fato pesam no orçamento das famílias brasileiras. Quando um destes setores apresenta alta na balança do mercado, o índice registra aumento correspondente.

Combustíveis representam cerca de 5,04% do IPCA. Um aumento de 10% no preço nas bombas significa, portanto, um aumento de 0,504% na inflação oficial. Ocorre que o índice apenas varia quando o preço chega ao consumidor de forma direta, como descobriu o governo. Como detém o controle da empresa responsável pela produção e importação de combustíveis no país, o governo optou por fazê-la absorver os prejuízos de não reajustar seus preços. A Petrobrás passou anos importando petróleo a US$ 70 o barril, para revendê-lo aqui dentro a US$ 40. Como não repassa o custo ao consumidor, não há aumento de preços – e, portanto, a inflação não varia.

Se em 2015 tal prática acabou, gerando um aumento de mais de 20% no preço da gasolina, ao longo de quase 8 anos ela consumiu nada menos do que R$ 74,6 bilhões. Tudo pago pelos acionistas da empresa, que agora podem ter de aportar recursos para capitalizá-la.

4) SETOR ELÉTRICO, A FARSA DA REDUÇÃO DAS TARIFAS – 

Valor do prejuízo –R$ 115 bilhões. 

Na mesma linha dos combustíveis, reduzir o custo da energia significou para o governo uma boa oportunidade para controlar a inflação – e de quebra melhorar sua imagem com a população. Em cadeia nacional, Dilma anunciou que o preço da energia cairia em média 20%.

Tal milagre explica-se pelo fato de que boa parte das usinas concedidas durante o processo de privatização do governo FHC retornaria ao controle estatal em 2015. Para renovar as concessões, o governo buscou negociar com as operadoras uma redução na tarifa, uma vez que o preço original da concessão incluía o pagamento da própria usina e dos investimentos necessários, já quitados estes 15 anos em que durou a concessão.

Nem todas as empresas toparam – algumas delas preferiram entregar a concessão, o que fez com que o governo realizasse, em novembro do ano passado, o maior leilão de privatizações nos últimos 17 anos, captando mais de R$ 17 bilhões pelas hidrelétricas.

Das que toparam, a maior parte teve de encarar prejuízos severos para fornecer energia, uma vez que a produção de energia hidrelétrica no país começou a declinar, logo após as hidrelétricas aceitarem a extensão do prazo, graças à redução do potencial hídrico.

Para garantir o fornecimento de energia, tais empresas passaram então a comprar energia de outras fontes – como termelétricas – e repassá-las ao consumidor com o preço determinado pelo governo. Apenas esta prática gerou um passivo estimado em R$ 20 bilhões. Impedidas de reajustar os preços para equilibrar a situação, até mesmo as companhias estatais culparam a ação do governo pelo desastre gerado. Em um relatório enviado à ANEEL, a agência do setor elétrico, empresas como Furnas e Eletronorte acusaram o governo de se esquivar de tomar decisões importantes para prevenir a crise no setor, apenas por se tratar de ano eleitoral.

As “decisões importantes” acabaram ocorrendo em 2015, quando o aumento médio na tarifa de energia foi de 50% em todo país. Os prejuízos somados até aqui, porém, subiram para R$ 105 bilhões segundo aponta o Tribunal de Contas da União. E isto desconsiderando outros R$ 10 bilhões reivindicados pelas companhias de transmissão.

5) SUBSÍDIOS DO BNDES COM BAIXA TAXA DE JUROS – 

Valor do prejuízo – R$ 184 bilhões.

Induzir o crescimento da economia por meio do crédito foi uma verdadeira obsessão para o trio formado pelo ex-ministro Guido Mantega, Arno Augustin, secretário do Tesouro, e Luciano Coutinho, presidente do BNDES. Mantega, que presidiu o banco antes de ser ministro, foi o mentor da ideia de repassar R$ 455 bilhões em títulos da dívida pública para ampliar a capacidade de empréstimos do banco. Coutinho, famoso por ser o criador da chamada Lei de Informática, passou então a ser o capitão na criação da “política de campeões nacionais”.

Para obter estes R$ 455 bilhões, o governo emitiu dívida pública, com um custo médio semelhante ao da taxa Selic, hoje em 14,25%, e repassou ao banco cobrando 5,5%. O banco, por sua vez, emprestou os recursos por valores próximos a 6,5%. Na contabilidade do banco, lucro – o BNDES alega ter lucrado em 2014, por exemplo, R$ 8,59 bilhões, boa parte graças à cobrança desta intermediação.

O prejuízo, a diferença entre o que o governo paga ao mercado e o que ele recebe do banco, pode chegar a R$ 184 bilhões, segundo as contas do Ministério da Fazenda em 2014. Mesmo com a decisão do governo de suspender tal política de repasses, entre 2015 e 2018, o custo está estimado em R$ 97,5 bilhões, previsão feita pelo ex-ministro Joaquim Levy. E o BNDES deve cerca de 520 milhões ao Tesouro.

6) SWAPS DO BANCO CENTRAL PARA SEGURAR O DÓLAR – 

Valor do prejuízo – R$ 120 bilhões. 

Evitar a disparada do dólar tem sido das tarefas mais inglórias as quais o Banco Central poderia estar submetido. Graças a uma política fiscal que afugenta investidores e a uma conjuntura de aumento, além de meses na expectativa de tal aumento, a moeda brasileira sofreu uma desvalorização superior a 70% em um ano.

Para evitar a gravidade deste número, o Banco Central passou a atuar no mercado por meio dos chamados ‘swaps’. Através destas operações, o BC pode vender dólares no futuro pelo preço de agora. Em troca, o investidor interessado paga ao BC juros sobre o valor, e o BC se compromete a entregar os dólares, não importando a variação cambial. Para um investidor, o swap é uma maneira de eliminar os riscos de variação cambial, reduzindo-o a um custo simples com juros.

Com a mega desvalorização da moeda brasileira, o BC viu-se obrigado a entregar dólares por valores muito acima daqueles pelos quais havia vendido, a um modo que os juros nem de longe cobriram os riscos. O resultado desta política foram R$ 89,65 bilhões em prejuízos no ano de 2015, ou 1,5% do PIB – além de outros R$ 16,76 bilhões, em janeiro deste ano. Na soma, os prejuízos já passam de R$ 120 bilhões, quantia integralmente adicionada à dívida pública brasileira.

7) PEDALADAS FISCAIS – 

Valor do prejuízo – R$ 72,4 bilhões.  

Com déficits que chegam a 10,24% do PIB brasileiro em apenas um ano, as contas públicas enfrentam possivelmente seu maior desequilíbrio desde que começamos a adotar práticas mais sérias de orçamento e gestão, com o Plano Real. O resultado de tamanho desequilíbrio é um aumento de 15% na dívida pública em 2 anos, passando de 53% para 68% do PIB – e que pode chegar a 80% em 2018, nas projeções mais otimistas.

Para continuar arcando com os subsídios do BNDES, parte do Bolsa Família e outros financiamentos e subsídios que utilizam bancos públicos como intermediários, o governo teve de contar com a boa vontade deles em cobrir os rombos deixados pelos não aportes de recursos.

A diferença entre o que o governo deveria depositar nos bancos para o pagamento destas políticas e o que ele efetivamente deposita são as chamadas pedaladas fiscais. Segundo o TCU, estes valores somam R$ 72,4 bilhões.

Obs.: No valor acima não estão computadas as pedaladas ao exercício de 2015 que, numa análise preliminar do TCU, deverão ultrapassar R$ 200 milhões. 


Prejuízo total estimado da gestões do PT: R$ 700,6 bilhões.


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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEnviado pelo comentarista Wilson Baptista Filho, o artigo é impressionante. Notamos que possa haver erros, mais notadamente no caso da hidrelétricas, mas isso não absolve os governos do PT dos crimes de lesa-pátria que demoliram a economia nacional. (C.N.)