sexta-feira, maio 26, 2017

Lula ameaça destruir a Rede Globo, mas é somente mais uma encenação

Carlos Newton 
Tribuna da Imprensa


Charge reproduzida do Arquivo Google

Com frequência, vem sendo divulgado que o ex-presidente Lula da Silva, se eleito em 2018, pretende acabar com o monopólio da TV Globo, cassar sua concessão e suspender outras vantagens que esse poderoso grupo de comunicação teria auferido da administração federal nas últimas décadas.  Lula, que responde a cinco processos criminais, sente-se perseguido pela TV Globo, esquecendo-se que as mesmas denúncias também são apresentadas pelas outras emissoras. A diferença está na maior audiência e no alcance nacional da rede da família Marinho, não existindo aí, salvo prova em contrário, nenhuma perseguição pessoal com o objetivo de pôr em risco a honra de quem não a possui.

Esse incontido inconformismo não passa de discurso para enganar trouxa, como vem ocorrendo com sucesso nas eleições presidenciais desde 2002. Agora, Lula continua abusando da boa-fé e da desinformação do povo brasileiro, ao apregoar que, de volta ao poder, pretende não somente se vingar da Globo, mas também processar juízes, procuradores e policiais que estão no seu encalço.

LULA SE OMITIU – Durante seu interminável governo e com popularidade na estratosfera, tendo sido chamado de “o Cara” por Barack Obama, Lula e seu primeiro-ministro José Dirceu foram representados junto ao Supremo por não terem investigado ilícitos cometidos por Roberto Marinho ao se apoderar da TV Paulista (hoje, TV Globo de São Paulo), na ditadura militar.

Lula e José Dirceu foram informados de que o fundador da Rede Globo, para assumir o controle do canal 5 de São Paulo, segundo pareceres de conceituados peritos, usou documentos falsos, forjados com participação de sua assessoria, para se apossar dos direitos societários de mais de 650 acionistas fundadores da antiga Rádio Televisão Paulista S/A e assim  consolidar seu vitorioso projeto de ter uma rede nacional  para enfrentar a TV Tupi.

Lula e Dirceu fingiram-se de mortos, o que à época poderia ser interpretado como prevaricação. Deixaram de investigar como foi possível que um único acionista, titular de apenas duas ações, chamado  Armando Piovesan, pudesse ter simulado a  instalação de uma Assembleia-Geral Extraordinária da Rádio TV Paulista S/A, para que, com apoio dos governantes militares, o canal 5 de São Paulo fosse transferido para Marinho.

FRAUDE NA VENDA – Lula e Dirceu foram comunicados de que Victor Costa Júnior, o “vendedor” das ações da TV Paulista, não era nem acionista da emissora, pois no inventário dos bens deixados por seu pai, Victor Costa, não estavam incluídas ações da TV Paulista e de outras duas emissoras, que depois se transformaram na TV Globo de Recife e na TV TEM de Bauru, supostamente compradas na ditadura militar por Roberto Marinho.

Também foram informados de que, nas assembleias societárias da TV Paulista, Roberto Marinho registrou em atas as presenças de importantes acionistas majoritários, que, apesar de mortos há mais de dez anos, teriam comparecido à antiga sede da emissora, na Praça Marechal Deodoro, 340, em São Paulo, para garantir quórum e “legitimar” o apossamento de suas próprias ações pelo interessado maior.

Naquela época não havia videoconferência nem teleconferência com o Além. Os acionistas mortos, muito embora não precisassem comparecer, mesmo assim estiverem presentes, conforme foi atestado por Roberto Marinho em documento público, registrado em cartório.

LULA AMARELOU – Por tudo isso, não se pode acreditar na nova promessa de Lula enfrentar a TV Globo. Quando tinha obrigação funcional de abrir investigação para esclarecer essa transferência ilegal de outorga de concessão pública, o então todo-poderoso presidente nada fez, simplesmente amarelou, comportando-se como se nunca soubesse de nada.

Deve-se registrar, contudo, que entre a situação atual de Lula e o momento vivido por Roberto Marinho, há duas diferenças curiosas e expressivas: 1) Lula jura que não é dono do tríplex, porque o registro de propriedade está em nome da OAS, mas assim mesmo está sendo processado; 2) Marinho, ao contrário, jurava ser dono das emissoras de São Paulo, Recife e Bauru, apesar do registro de propriedade e da concessão estarem em nome de terceiros, que nunca lhes venderam essas empresas.

###

PS – A situação descrita acima foi levada ao conhecimento do então presidente Lula em 2003 e da presidente Dilma em 2013. O senador Roberto Requião (PMDB-PR) foi o único político que requereu, oficialmente, explicações ao governo do PT sobre essas simulações societárias e não foi atendido pelo Ministério das Comunicações.  No site da Organização Globo, ainda se pode ler a informação inverídica de que Roberto Marinho adquiriu os canais de São Paulo e de Recife de Victor Costa – que morreu em 1959, e o tal contrato de compra e venda data de novembro de 1964, foi assinado por Victor Costa Júnior. É um caso para a Comissão de Valores Mobiliários,  já que a Justiça não funciona, especialmente quando a Organização Globo está no banco dos réus. (C.N.)

Nenhum comentário: