sábado, maio 20, 2017

Se a gravação foi editada, o criminoso não é Michel Temer

Comentando a Notícia


Escutei as inúmeras fitas gravadas com a delação de Joesley Batista. O que mais chama a atenção é que o pilantra não apresentou documento algum. Só contou histórias, quando apertado diz não se lembrar do fato em si, quando cobrado diz não haver guardado listas ou relações, e desfiou uma série de acusações contra políticos de todas as cores.

Ora, uma delação para ser aceita na Justiça precisa de comprovação. Na base do disse-que-disse, o delator não conseguirá se beneficiar de suas confissões. Perde o direito a qualquer afago legal. 

Na quarta-feira, quando estourou o escândalo, afirmamos que seria preciso primeiro ouvir as tais fitas para só depois julgar o presidente Temer. De fato, quanto a acusação sobre o presidente, de que ele teria autorizado Joesley comprar o silencio  de Eduardo Cunha, o texto transcrito por Lauro Jardim saiu um pouco diferente daquilo que realmente teria sido dito por Temer. E a conclusão que muitos chegaram é de que não é conclusiva a tal gravação. 

Além disso, o que fica claro são as confissões de diferentes crimes cometidos pelos irmãos donos da JBS, coisa, aliás, que é de conhecimento público. Trata-se de dois bandidos tentando se erguer como superempresários à base da corrupção. 

Claro que em outros trechos se poderia acusar Temer de prevaricação, uma vez que, tendo tomado conhecimento dos crimes, nada fez para que os mesmos fossem denunciados.  

Ainda no texto de quarta-feira, levantei uma série de questões que atingem o comportamento estranho tanto do Ministério Público, quando do ministro Edson Fachin, do STF. E, claro, apontei aqui a tentativa dos irmãos da JBS de afastarem de si as investigações que rondavam seu comportamento nos últimos anos. Apresentando-se como delatores, esperavam e esperam reduzir ao mínimo as suas penas,  além de manterem o imenso patrimônio construído e subsidiado com dinheiro sujo. Há inúmeros exemplos de delatores que, além de escaparem da prisão, encontram-se aboletados nas fortunas e imóveis erguidos a base do crime.

Sustento que Temer deveria renunciar para o bem do país. A única possibilidade para se sustentar na Presidência, será seus advogados provarem através de perícia técnica, que os áudios foram editados. Fora isso, não creio haver ambiente para se manter no comando do país. 

Reportagem da Folha de São Paulo, deste sábado, levanta uma questão assustadora,. A gravação submetida a peritos, comprova que a mesma foi editada, tendo sofrido diversos cortes, o que significa que foram editadas, manipuladas. 

E esta é a única ressalva que faço para que Temer permaneça na Presidência, se  provada e confirmada a edição criminosa dos áudios para fazer o presidente parecer um criminoso. Neste caso, estamos diante de um quadro ainda mais preocupante: a de que a Procuradoria Geral da República, amasiada com um ministro do STF, Edson Fachin, uniram-se para aplicar um golpe no país e que vai muito além do vergonhoso: é inaceitável que as duas autoridades não sejam depostas de seus cargos e respondam a processo criminal.   

Retomando o texto de quarta-feira, também lá destaquei não só a gravação clandestina de um Presidente da República, e clandestina foi por ser feita por um ente privado sem autorização judicial, bem como a pressa com que o ministro Fachin acolheu a delação e a prova ilegal. Imaginem se a tal “prova”, ainda por cima, se mostrar não mais do que uma montagem criminosa!

Assim, reitero: sem que a gravação se comprove como editada, o presidente Michel Temer deve pensar mais no país e renunciar. O cargo não é propriedade sua e o Brasil precisa retornar sua vida normal para resolver os problemas e os inúmeros desafios que tem pela frente. Do contrário, a questão social, que já é grave, caminha para uma convulsão. Seria o pior cenário após dois anos de recessão, que até pode somar mais um. Seria um preço horroroso a pagar por conta de uma classe política criminosa e irresponsável. 

Mas, para arrumar a casa, não precisamos de uma conspirata urdida pelo Ministério Público em conluio com um ministro do STF. O Brasil já tem patifes e bandidos demais.



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