segunda-feira, junho 05, 2017

Banco Central comunica indícios de crime da JBS

 Thiago Bronzatto
Veja online

Empresas de Joesley Batista teriam lucrado 600 milhões de reais com operações de câmbio às vésperas da delação premiada

(Suamy Beydoun/Agif/Folhapress)
INFORMAÇÃO PRIVILEGIADA - 
O impacto na bolsa foi devastador 

Antes de vir à tona a delação da JBS, que estremeceu o país, empresas de Joesley Batista ganharam uma bolada apostando na contramão do mercado. Reportagem publicada em VEJA desta semana revela que quatro companhias do grupo J&F, dona da JBS, realizaram quase 3 bilhões de dólares em operações de câmbio e juros — que renderam um ganho de cerca de 600 milhões de reais. Essas transações chamaram a atenção do Banco Central (BC), que encontrou indícios de crime de informação privilegiada. Por isso, conforme manda a lei, a entidade monetária enviou no último dia 29 de maio um comunicado de crime ao Ministério Público Federal de São Paulo.

Executivos do grupo J&F sabiam que as suas revelações poderiam surpreender a todos e alterar os rumos do mercado. Por isso, resolveram se antecipar. A própria empresa, que tem negócios no exterior e dívidas atreladas ao dólar, divulgou um comunicado admitindo ter realizado operações com câmbio. Procurado, o BC afirma que não comenta ações de supervisão e nem caso específico. Os detalhes das transações financeiras atípicas também foram enviados pela entidade monetária à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável pela fiscalização do mercado de capitais, que já abriu 10 investigações ligadas ao caso JBS.

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