quinta-feira, junho 01, 2017

Eu antevi: Fachin, esfinge sem segredos, ignora o óbvio e recusa pedido do presidente

Reinaldo Azevedo
Portal RedeTV


Só os idiotas comemoram quando a Justiça não é cega; 
se não é, isso quer dizer que seleciona os alvos

Escrevi na noite de ontem, (Folha), neste blog, que o ministro Edson Fachin, do Supremo, estava pronto para recusar um pedido razoável do presidente Michel Temer.

Dito e feito!

Vamos lembrar. Fachin, que outorgou a si mesmo, com o beneplácito de Cármen Lúcia, o papel de relator do caso que diz respeito a Temer resolveu dar autorização para a Polícia Federal interrogar o presidente da República. A única reserva que impôs: tem de ser por escrito.

A defesa do presidente recorreu pedindo uma de duas coisas:

a: adiamento do questionamento até que se tenha a perícia da gravação;

b: caso negado o pedido, que não tivesse de responder questões relativas à gravação de Joesley.

Ora, é o razoável, é o certo, é o justo.

Por isso mesmo, antevi qual seria a decisão do homem no post publicado ontem à noite, a saber:

A defesa de Temer, diga-se, vai pedir ao Supremo que a PF se abstenha de lhe dirigir perguntas sobre a fita gravada por Joesley até que se tenha o resultado da perícia. Seria o sensato. Seria o razoável. Seria o óbvio. Logo, a gente deve concluir que é também improvável.”

Mas acho que as razões que determinam seus atos seguem um tanto nebulosas. E, nesse caso, ele é uma esfinge com segredos.

Para encerrar
A resposta de Fachin beira o ridículo, é bom dizer. Para o ministro, Temer tem a prerrogativa de não responder, como em qualquer depoimento. É o fim da picada.

O presidente é vítima de uma gravação que, segundo a jurisprudência dos tribunais, nem poderia ser usada no processo, já que Joesley não o fazia para provar a sua própria inocência ou denunciar alguma violência que estivesse sofrendo.

Não só Fachin usou a gravação para autorizar diligências — e o caso nem lhe cabia, mas ele o tomou — como agora sugere ao presidente que não responda a questões oriundas de uma gravação criminosa, fartamente editada e não-periciada.

As violências contra os direitos fundamentais do presidente vão se multiplicando.



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