segunda-feira, junho 05, 2017

 O Globo

Suspeita é de que ele lavou dinheiro em obras na Ferrovia Norte-Sul

O Popular/08-09-2010
JUQUINHA: 
ex-presidente da Valec foi solto, mas ainda é investigado 

RIO - Em novo desdobramento da operação de "Volta aos Trilhos, a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira de manhã o ex-presidente da estatal Valec José Francisco das Neve, mais conhecido como Juquinha das Neves. A prisão preventiva pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) apura lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio em obras da Ferrovia Norte-Sul.

Segundo o G1, o advogado de defesa diz que acompanha o caso, mas não tem informações do motivo da detenção. Na semana passada, Juquinha das Neves chegou a ser conduzido à força para depor na PF, em fase anterior da operação que prendeu o filho dele, o empresário Jader Ferreira das Neves, e o advogado Leandro de Melo Ribeiro.

O MPF, que já havia pedido a prisão de Juquinha na última fase da operação, afirma que ele e Jader "continuaram a lavar dinheiro da propina" mesmo depois de condenados à prisão, "produzindo provas falsas no processo para ludibriar o juízo e assegurar impunidade, além de custearem parte de sua defesa técnica (advogados) com dinheiro de propina".

A operação se baseia em acordos de delação premiada de executivos das empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez assinados junto ao Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO). Eles afirmaram ter pago propina a Juquinha. Investigações da PF em Goiás também levaram à identificação e à localização de parte do patrimônio ilícito que era mantido oculto sob nome de terceiros.

CONDENAÇÃO ANTERIOR
Juquinha e seu filho já foram condenados anteriormente, na operação Trem Pagador. A pena foi de 10 e sete anos de prisão, respectivamente, sob acusação de formação de quadrilha e lavagem de aproximadamente R$ 20 milhões pelos crimes de cartel, fraudes de licitações, peculato e corrupção também em obras da ferrovia Norte-Sul, quando Juquinha presidiu a Valec. Eles recorreram da decisão da Justiça e aguardavam em liberdade.

Os investigadores afirmam que, mesmo depois das condenações, os investigados continuam a lavar dinheiro, produzir provas falsas no processo que são acusados e ainda pagam despesas da defesa (advogados) com dinheiro oriundo de propina. O juízo, porém, considerou que não havia provas suficientes de que Juquinha seguisse com atuando criminosamente e, por isso, indeferiram o pedido de prisão preventiva contra ele.

A operação "De volta aos trilhos" foi batizada desta forma, pois significa "trazer as coisas de volta ao seu lugar". É uma alusão à tentava de recuperar parte dos recursos desviados da ferrovia Norte-Sul.

Aílton de Freitas / O Globo/Arquivo
FERROVIA NORTE-SUL 
Presidente da Valec, José Francisco das Neves (o Juquinha)
 passeia na Ferrovia Norte-Sul

Em abril de 2015, O GLOBO revelou que o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, confessou à Justiça que a empresa pagou propina para executar obras na Ferrovia Norte-Sul. Segundo o empresário, o esquema era similar ao realizado com contratos da Petrobras investigados pela Lava-Jato e abasteceu partidos políticos e agentes públicos.

O Ministério Público de Goiás suspeitava que empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas do estado indicados por Juquinha, que eram usados para lavar dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas.

Depois, em junho de 2016, foi deflagrada a operação "Tabela Periódica", batizada em referência ao nome que alguns dos próprios investigados deram a uma planilha de controle em que desenhavam o mapa do cartel. A investigação apontava prejuízos aos cofres públicos de R$ 631,5 milhões, considerando somente trechos executados na Norte-Sul, em Goiás.

A operação era uma nova etapa de outra, chamada "O Recebedor", deflagrada em 26 de fevereiro. Em acordo de leniência e delação premiada, a Camargo Corrêa se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 800 milhões, dos quais R$ 65 milhões destinados a ressarcir danos acusados à Valec.


CONFIRA: O LONGO HISTÓRICO DE CORRUPÇÃO DA FERROVIA NORTE-SUL


Nenhum comentário: