terça-feira, junho 06, 2017

Janot quer denunciar Temer já e intimidar TSE; Joesley: pena de 2 mil anos por um presidente

 Reinaldo Azevedo

Levantamento feito pelo Estadão evidencia que Joesley e irmão poderia pegar mais de 2 mil anos de cadeia; tocaram a coisa pela liberdade, sem nem processo. Preço: o presidente da República e um senador


Ah, vai ser batata!

É altíssima a chance de Rodrigo Janot, mesmo com elementos capengas, denunciar Michel Temer. Quem sabe já nesta segunda. Quem sabe na terça, no dia mesmo em que começa o julgamento do TSE. Voltarei ao tema. Antes, vamos pôr números no descalabro.

Quanto vale um presidente da República e um senador que disputou com a deposta Dilma Rousseff a eleição de 2014? Deixem-me ver… Até 2 mil anos de cadeia! Ou, então, coloquemos as coisas numa ordem que parece mais correta: 2 mil anos de cadeia até que valem um presidente da República e um figurão do Senado, certo? Ou, se quiserem, 4 mil anos, já que Wesley também arcaria com as penas de seu irmão e sua rima, o Folgadão. Explico.

O Estadão fez um levantamento em reportagem deste domingo sobre os crimes cometidos por Joesley e Wesley Batista. Caso se considerem as penas máximas de cada imputação — na verdade, de cada confissão —, a soma total de cada um poderia ultrapassar dois mil anos.

Atenção! Os valentes admitiram 124 casos de corrupção, 96 de lavagem de dinheiro, 14 de falsidade ideológica (caixa dois), 6 de organização criminosa, 2 de obstrução à investigação, 1 de evasão de divisas, 1 de crime do colarinho brando e mais um de falsificação de documentos. Só isso! Ao todo, 245 condutas criminosas.

E, no entanto, o que vai acontecer com a dupla e seus valentes assessores no mundo do crime? Nada!
E tudo isso por quê? Porque, afinal de contas, Joesley gravou o presidente da República e, contra a lei, tal gravação foi empregada como instrumento da arquitetura engendrada por Rodrigo Janot, com a conivência de Edson Fachin e Carmen Lúcia, para destituir Michel Temer.

Trata-se de um dos maiores escândalos da história. Bastaram aquela gravação mequetrefe, que nem submetida a perícia foi, para que Doutor Janot formasse a convicção da culpa do presidente. Segundo o valente, outras provas corroboram a dita-cuja. Pois é… A maioria dessas provas não passa de testemunhos de Joesley, Wesley e seus asseclas no mundo do crime.

“Mas e aqueles R$ 500 mil entregues a Rocha Loures? E o pagamento de R$ 500 mil por semana, ao longo de 20 anos? O presidente seria destinatário de parte de uma montanha de dinheiro, que chegaria a R$ 480 milhões!” Pois é, leitores amigos. Vocês acreditam mesmo que alguém tratou a sério de um acordo como esse? Venham cá: se Michel Temer terminar seu mandato, que poder terá a partir de 1º de janeiro de 2019?  Digamos mais um pouco: que interferência exercerá nos negócios de Estado daqui a dez anos?

É impressionante que uma bobagem dessa envergadura cole. Mais: conhecemos algumas cifras do petrolão, não? Propina de meio bilhão? Pensem no inferno que seria ter de esconder, toda semana, R$ 500 mil em dinheiro vivo… Isso nem mesmo chega a fazer sentido.

Em todo caso, que se investigue tudo, é claro!

O que não dá para aceitar é que se derrube um presidente da República e se garanta imunidade a dois dos maiores criminosos da história do país tendo, por ora, como base fundamental do ataque, as delações que serviram aos bandidos de salvo-conduto. E é tanto pior quando sabemos que a investigação que colheu o presidente traz uma soma formidável, inédita mesmo, de ilegalidades.

Determinação
A operação é mesmo de asfixia. E Janot, está claro, sabe jogar com o calendário, não é mesmo? Acho que é, deixem-me ver, de 90% a chance de ele oferecer denúncia contra o presidente. E o fará, quem sabe, nesta terça, dia 6, quando começa o julgamento no TSE da chapa Dilma-Temer. Ou já nesta segunda. Ao agir assim, constrange o presidente e também os ministros do TSE.

Sim, foi este senhor que, na denúncia eivada de absurdos contra Aécio Neves (PSDB-MG), teve o topete de transcrever uma conversa entre o senador e o ministro Gilmar Mendes, do STF, tentando emprestar à atuação normal de um senador a inflexão da ilegalidade e da obstrução da investigação. Mais ainda: ao reproduzir a conversa com um dos ministros da Corte, busca intimidá-lo.

Não será demais lembrar ao ilustríssimo: um procurador-geral da República não pode se confundir com um difamador-geral da República.

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