quinta-feira, junho 01, 2017

PIB sobe 1% no 1º trimestre e sai da recessão, informa IBGE

Exame.com
 João Pedro Caleiro

Foi a primeira alta nessa medida após 8 trimestres seguidos de queda. Na comparação com o 1º trimestre de 2016, o PIB caiu 0,4%.

(Cristiano Mariz/EXAME/Revista EXAME)
Destaque foi a Agropecuária, que cresceu 13,4% em relação ao tri anterior 

São Paulo – O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 1% no 1º trimestre de 2017 em relação ao 4º trimestre de 2016 na série com ajuste sazonal, informou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Foi a primeira alta nessa medida após 8 trimestres seguidos (dois anos) de queda. Por essa medida, acabou a recessão, mas há dúvida se a trajetória de alta é consistente e vai continuar.

Na comparação com o 1º trimestre de 2016, o PIB caiu 0,4%. No acumulado dos quatro trimestres até o primeiro trimestre de 2017, o PIB teve queda de 2,3% em relação aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

O resultado veio na linha do que estava sendo projetado pelo mercado. Uma média de 25 projeções compiladas pela Bloomberg News previa 1% de alta, assim como o Ibre/FGV. Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, vinha projetando alta de 0,7%.

O resultado de hoje dá força ao discurso do presidente Michel Temer de que a economia brasileira está em um ponto de inflexão e que a mais longa e profunda recessão da história acabou.

Mas a crise política que se instalou com a delação premiada de executivos da JBS traz novas turbulências e tem feito os economistas reverem suas projeções para os próximos trimestres.


Setores




O resultado foi puxado pela Agropecuária, que cresceu 13,4% em relação ao trimestre anterior e 15,2% em relação ao mesmo período de 2016.

Já a Indústria subiu 0,9% em relação ao trimestre anterior, mas ainda acumula queda de 1,1% na comparação anual.

Houve alta anual em áreas como Extração Mineral (+9,7%) e queda em setores como Construção (-6,3%) e Indústria de Transformação (-1%).

Os Serviços ficaram estagnados na comparação trimestral mas tiveram queda de 1,7% em relação a 2016.



Todas as outras principais medidas de demanda interna continuam em queda. O consumo das famílias, por exemplo, a mais importante delas, teve queda de 0,1% no trimestre e de 1,9% em relação a 2016.

“Esse resultado pode ser explicado pelo comportamento dos indicadores de crédito e mercado de trabalho ao longo do período”, diz o comunicado.



A formação bruta de capital fixo, que mede o investimento na economia, caiu 1,6% na comparação trimestral e 3,7% na comparação anual.

A taxa de investimento como proporção da economia caiu mais de um ponto percentual em um ano: foi de 16,8% no primeiro trimestre de 2016 para 15,6% no primeiro trimestre de 2017.

Já a taxa de poupança teve um movimento contrário e em um ano foi de 13,9% para 15,7% do total do PIB.

As exportações subiram 1,9% comparado ao ano anterior enquanto as importações subiram 9,8%, efeito de uma valorização cambial de cerca de 20% no período e também da recuperação econômica.


Período de comparação
PIB
1º Tri 2017 / 4º tri 2016
1,0%
1º Tri 2017 / 1º Tri 2016
-0,4%
Acumul. 4 tri / Acumul. 4 tri anteriores
-2,3%
Valores correntes no ano (R$ bilhões)
1.594,5


Período de comparação
Agropec.
Indústria
Serviços
1º Tri 2017 / 4º tri 2016
13,4%
0,9%
0,0%
1º Tri 2017 / 1º Tri 2016
15,2%
-1,1%
-1,7%
Acumul. 4 tri / Acumul. 4 tri anteriores
0,3%
-2,4%
-2,3%
Valores correntes no ano (R$ bilhões)
93,4
291,1
996,4


Período de comparação
Investimento
Cons. Fam.
Cons. Gov.
1º Tri 2017 / 4º tri 2016
-1,6%
-0,1%
-0,6%
1º Tri 2017 / 1º Tri 2016
-3,7%
-1,9%
-1,3%
Acumul. 4 tri / Acumul. 4 tri anteriores
-6,7%
-3,3%
-0,7%
Valores correntes no ano (R$ bilhões)
248,6
1.003,6
307,6




Nenhum comentário: