segunda-feira, junho 05, 2017

Valério: “Ronan ia entregar Lula como mentor do assassinato”

Hugo Marques
Veja online

Preso, operador do mensalão diz que empresário ia denunciar o ex-presidente no caso Celso Daniel se não recebesse 6 milhões de reais

(Leonardo Benassatto/Reuters)
Lula: mentor?


Em setembro de 2012, o publicitário Marcos Valério prestou depoimento ao Ministério Público Federal e revelou que  foi informado em 2004 pelo secretário-geral do PT, Silvio José Pereira, que o presidente Lula estava sendo chantageado. A conversa entre os dois ocorreu dois anos após o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. O publicitário disse que o empresário Ronan Maria Pinto exigia 6 milhões de reais para não divulgar informações relacionadas ao caso Santo André, envolvendo o presidente Lula, o ex-ministro José Dirceu e o então assessor particular Gilberto Carvalho.

Marcos Valério diz agora que quer  esclarecer todos detalhes da chantagem. Pelo menos foi o que ele garantiu à deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), que colheu um longo depoimento do publicitário: “O Valério me disse que Ronan ia apontar  o ex-presidente Lula como mentor do assassinato do Celso Daniel”, disse a deputada. Segundo ela, Valério garantiu ter as provas da chantagem.


(Vara Federal de Curitiba/Reprodução)
Valério: o publicitário decidiu revelar os segredos do Caso Santo André 

A primeira conversa de Valério com a deputada foi no dia 11 de outubro. Ela foi ao presídio atender às reivindicações de presos portadores de necessidades especiais e encontrou o publicitário em uma das celas. No ano passado, Mara, que é filha de um empresário que foi extorquido pela quadrilha que atuava na Prefeitura de Santo André,  tinha entregado ao juiz Sérgio Moro um dossiê sobre o assassinato.  No dia 3 de abril, Mara enviou um ofício ao procurador de Justiça de São Paulo, Gianpaolo Smanio, narrando as conversas com o publicitário e pedindo andamento às investigações do crime.

“Ele (Valério) deixou muito claro que o senhor Ronan Maria Pinto ia entregar o senhor Luiz Inácio Lula da Silva para a polícia como mentor do assassinato do prefeito Celso Daniel”, escreveu a deputada. Para ela, o depoimento de Valério pode ajudar a desvendar o crime.


(Gustavo Lima/Câmara dos Deputados)

Deputada Mara Gabrilli: duas conversas com Valério na cela 

Valério já vem negociando sua delação premiada com três promotores de Minas Gerais e dois procuradores da República. O publicitário disse que o ex-prefeito, pouco antes do assassinato, ia entregar um dossiê para a Polícia Federal e para o presidente Lula, envolvendo petistas com o crime organizado. Após o envio do ofício da deputada ao procurador de Justiça de São Paulo, dois promotores foram visitá-lo. O  publicitário quer depor  somente à Polícia Federal.

Perguntado sobre a acusação, Ronan, por intermédio de seu advogado, informou que jamais chantageou quem quer que seja.   A  assessoria do ex-presidente Lula não comentou.

O coronel das sombras

Rodrigo Rangel
Veja online

Polícia Federal encontra recibos de despesas de familiares de Temer no escritório de um dos acusados de receber propina

(Jefferson Coppola/VEJA)
O coronel Lima, fotografado na semana passada 

O coronel João Baptista Lima Filho é amigo de longa data do presidente da República. Ele assessorou Michel Temer quando o peemedebista assumiu pela primeira vez a Secretaria da Segurança Pública do governo paulista, ainda nos anos 1980. Desde então, a relação entre os dois estreitou-se. “Coronel Lima” ou “doutor Lima”, como é conhecido, virou homem de confiança do presidente: por muitos anos atuou em campanhas, muitas vezes no papel de coordenador dos comitês eleitorais de Temer, e ajudou a resolver problemas da família. O militar, de 74 anos, sempre prezou pela discrição. Fotografias dele são raríssimas. Mais raras ainda são imagens em que aparece ao lado de Temer. Ele é, no dizer que pessoas que o conhecem, um homem que prefere a sombra aos holofotes. Há três semanas, sua rotina quase monástica sofreu um revés. Ele virou alvo da Lava-Jato. Agora, ao lado do ex-deputado Rodrigo Rocha Loures e de outros auxiliares de Temer também sob investigação, o coronel é peça-chave do tabuleiro que pode definir o destino do presidente.

O coronel aposentado entrou no radar da Lava-Jato com a delação da cúpula da JBS. Ricardo Saud, o caixa-forte do grupo, contou aos procuradores que, na reta final da campanha de 2014, mandou entregar 1 milhão de reais em espécie na sede de uma das empresas do militar. O dinheiro, segundo o delator, era parte de um acerto de 15 milhões de reais feito com o presidente e foi entregue ao coronel em espécie “conforme indicação direta e específica de Temer”, nas palavras de Saud. Os investigadores foram atrás do amigo do presidente. Em seu escritório, encontraram ao menos três pacotes de documentos que fizeram surgir a suspeita de que o coronel, além da acusação de receber propina, seria encarregado de resolver pendências financeiras ao clã presidencial.

Entre os pacotes, havia comprovantes de pagamento e recibos de despesas de familiares e também do próprio presidente da República. Em uma caixa plástica azul guardada no subsolo do prédio onde funciona a empresa de João Baptista Lima Filho, também havia recibos de pagamentos de serviços executados durante a reforma da casa da psicóloga Maristela de Toledo Temer Lulia, uma das três filhas do presidente. Entre os papéis, havia ainda comprovantes de pagamentos antigos ligados ao presidente (um deles, de 1998), planilhas com “movimentações bancárias”, programação de pagamentos do escritório político do então deputado Michel Temer e uma coleção de reportagens “sobre corrupção e casos de propina”, como anotou o responsável pela busca.

Todo o material foi encaminhado para a sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília. Temer nega ter qualquer relação financeira, pessoal ou familiar, com o amigo coronel Lima.

Janot denuncia Aécio ao STF por corrupção e obstrução de Justiça

Eduardo Gonçalves
Veja online

Procurador-geral da República acusou o senador afastado de pedir e receber R$ 2 milhões de propina com base em delação da JBS

(Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)
Senador Aécio Neves (PSDB-MG) - 06/11/2013 

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, denunciou pela primeira vez no âmbito da Operação Lava Jato o senador afastado Aécio Neves (PSDB) pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça. A PGR acusa formalmente o tucano de pedir e receber 2 milhões de reais de propina do dono da JBS, Joesley Batista, que fechou acordo de delação premiada com a procuradoria.

Além de Aécio, também foram denunciados a sua irmã, Andrea Neves; o seu primo Frederico Pacheco; e o advogado Mendherson Souza Lima, ex-assessor do senador Zezé Perrela (PMDB-MG) — os três estão presos desde a deflagração da Operação Patmos na semana retrasada.

Segundo a denúncia, Andrea Neves foi a primeira a pedir a “vantagem indevida” em 18 de fevereiro de 2017. Ela disse que o dinheiro serviria para renumerar os advogados do parlamentar. Depois, o próprio Aécio ratificou a solicitação em encontro com Joesley num hotel em São Paulo, em 24 de março. A conversa entre os dois foi gravada pelo empresário, que entregou o áudio à PGR para conseguir em troca o perdão penal pelos crimes confessados. No diálogo, os dois acertam como seriam feitos os pagamentos. “Você consegue me ajudar nisso?”, perguntou o senador, num dado momento.

Os 2 milhões acabaram sendo entregues em quatro parcelas de 500.000 reais nos dias 5, 12, 19 de abril e 3 de maio ao primo Frederico, que havia sido indicado pelo senador — Mendherson participou de três pagamentos. Por meio das chamadas “ações controladas”, a Polícia Federal filmou os dois recebendo o dinheiro das mãos do diretor de Relações Intitucionais da JBS e também delator, Ricardo Saud.

A acusação será analisada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello e julgada pela Primeira Turma da Corte, constituída pelos ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux. Esta é a primeira denúncia oferecida contra Aécio, que é alvo de outros sete inquéritos no STF, cinco em razão da megadelação da Odebrecht e outros dois sobre irregularidades na usina de Furnas e na CPI dos Correios.

O senador afastado explica que aceitou os 2 milhões de reais porque não tinha dinheiro para pagar os seus advogados na Lava Jato e que o dono da JBS fez uma “armação” para parecer que o “empréstimo” foi um ato ilegal. Aécio nega que tenha havido qualquer contrapartida pelo valor, o que descaracterizaria os atos de corrupção. Em nota enviada nesta sexta-feira, a defesa do parlamentar lamentou a rapidez com que a denúncia foi oferecida.

Confira a nota enviada pela defesa de Aécio Neves:

A Defesa do Senador Aécio Neves recebe com surpresa a notícia de que, na data de hoje, foi oferecida denúncia contra ele em relação aos fatos envolvendo o Sr. Joesley Batista.  Diversas diligências de fundamental importância não foram realizadas, como a oitiva do Senador e a perícia nas gravações. Assim, a Defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta do Senador Aécio Neves e de seus familiares.

 O Globo

Suspeita é de que ele lavou dinheiro em obras na Ferrovia Norte-Sul

O Popular/08-09-2010
JUQUINHA: 
ex-presidente da Valec foi solto, mas ainda é investigado 

RIO - Em novo desdobramento da operação de "Volta aos Trilhos, a Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira de manhã o ex-presidente da estatal Valec José Francisco das Neve, mais conhecido como Juquinha das Neves. A prisão preventiva pedida pelo Ministério Público Federal (MPF) apura lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio em obras da Ferrovia Norte-Sul.

Segundo o G1, o advogado de defesa diz que acompanha o caso, mas não tem informações do motivo da detenção. Na semana passada, Juquinha das Neves chegou a ser conduzido à força para depor na PF, em fase anterior da operação que prendeu o filho dele, o empresário Jader Ferreira das Neves, e o advogado Leandro de Melo Ribeiro.

O MPF, que já havia pedido a prisão de Juquinha na última fase da operação, afirma que ele e Jader "continuaram a lavar dinheiro da propina" mesmo depois de condenados à prisão, "produzindo provas falsas no processo para ludibriar o juízo e assegurar impunidade, além de custearem parte de sua defesa técnica (advogados) com dinheiro de propina".

A operação se baseia em acordos de delação premiada de executivos das empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez assinados junto ao Ministério Público Federal em Goiás (MPF-GO). Eles afirmaram ter pago propina a Juquinha. Investigações da PF em Goiás também levaram à identificação e à localização de parte do patrimônio ilícito que era mantido oculto sob nome de terceiros.

CONDENAÇÃO ANTERIOR
Juquinha e seu filho já foram condenados anteriormente, na operação Trem Pagador. A pena foi de 10 e sete anos de prisão, respectivamente, sob acusação de formação de quadrilha e lavagem de aproximadamente R$ 20 milhões pelos crimes de cartel, fraudes de licitações, peculato e corrupção também em obras da ferrovia Norte-Sul, quando Juquinha presidiu a Valec. Eles recorreram da decisão da Justiça e aguardavam em liberdade.

Os investigadores afirmam que, mesmo depois das condenações, os investigados continuam a lavar dinheiro, produzir provas falsas no processo que são acusados e ainda pagam despesas da defesa (advogados) com dinheiro oriundo de propina. O juízo, porém, considerou que não havia provas suficientes de que Juquinha seguisse com atuando criminosamente e, por isso, indeferiram o pedido de prisão preventiva contra ele.

A operação "De volta aos trilhos" foi batizada desta forma, pois significa "trazer as coisas de volta ao seu lugar". É uma alusão à tentava de recuperar parte dos recursos desviados da ferrovia Norte-Sul.

Aílton de Freitas / O Globo/Arquivo
FERROVIA NORTE-SUL 
Presidente da Valec, José Francisco das Neves (o Juquinha)
 passeia na Ferrovia Norte-Sul

Em abril de 2015, O GLOBO revelou que o ex-presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, confessou à Justiça que a empresa pagou propina para executar obras na Ferrovia Norte-Sul. Segundo o empresário, o esquema era similar ao realizado com contratos da Petrobras investigados pela Lava-Jato e abasteceu partidos políticos e agentes públicos.

O Ministério Público de Goiás suspeitava que empreiteiras realizavam pagamentos regulares, por meio de contratos simulados, a um escritório de advocacia e a mais duas empresas do estado indicados por Juquinha, que eram usados para lavar dinheiro proveniente de fraudes em licitações públicas.

Depois, em junho de 2016, foi deflagrada a operação "Tabela Periódica", batizada em referência ao nome que alguns dos próprios investigados deram a uma planilha de controle em que desenhavam o mapa do cartel. A investigação apontava prejuízos aos cofres públicos de R$ 631,5 milhões, considerando somente trechos executados na Norte-Sul, em Goiás.

A operação era uma nova etapa de outra, chamada "O Recebedor", deflagrada em 26 de fevereiro. Em acordo de leniência e delação premiada, a Camargo Corrêa se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 800 milhões, dos quais R$ 65 milhões destinados a ressarcir danos acusados à Valec.


CONFIRA: O LONGO HISTÓRICO DE CORRUPÇÃO DA FERROVIA NORTE-SUL


O VEXAME DO MINISTÉRIO PÚBLICO: A segunda tragédia da boate Kiss

Thais Skodowski
Revista ISTOÉ

Diante do que se vê na cidade de Santa Maria, Franz Kafka parece amador: os pais das vítimas é que estão sendo processados pelo Ministério Público, enquanto os responsáveis pelo incêndio que matou 242 jovens seguem impunes

(Crédito: Charles Guerra)
DOR Sérgio da Silva e o cartaz com as fotos das vítimas:
 os promotores que o processam não compreendem o seu desespero


“Já carrego a dor de ter perdido um filho. Não fará diferença ser preso ou não por denunciar o MP” Sérgio da Silva, pai de Augusto


A Boate Kiss continua fazendo vítimas, mas o fogo no qual ela ardeu em 2013, matando queimados, pisoteados e sufocados 242 jovens, atende agora pelo nome de impunidade. Pior: num emaranhado de processos tão absurdos que fariam de Franz Kafka um amador, pais de mortos é que estão sendo processados, e isso porque reclamam que, ano após ano, ninguém é responsabilizado pela tragédia que traumatizou para sempre a cidade gaúcha de Santa Maria. Amargando um luto que se revela em dor, indignação e sentimento de impotência, Paulo Carvalho (pai de Rafael, morto aos 32 anos), afirmou à ISTOÉ: “Por meu filho, que não se acovardou naqueles momentos terríveis, nunca calarão a minha boca”. 

Quem quer calá-lo? Por mais incrível que possa parecer, justamente dois promotores que deveriam estar empenhados em aplicar a lei àqueles que sabiam que a boate funcionava em condições precárias de segurança. Imagine a angústia de perder um filho de forma tão doída e cruel e estúpida como são as mortes em todos os incêndios. Agora imagine essa angústia somada à revolta por responder a um processo somente porque se pleiteia que seja feita justiça. Assim vai vivendo e sofrendo Paulo, processado por calúnia e difamação pelos promotores Joel Dutra e Maurício Trevisan. Paulo declarou que há corporativismo e protecionismo no Ministério Público, e que a instituição não se moveu contra servidores municipais indiciados pela polícia. Para seus acusadores, no entanto, o arquivamento parcial do inquérito contra tais funcionários foi a decisão acertada. “É uma indecência”, revolta-se o pai, que aguarda sentença de um juiz em seu processo até o final desse mês.


Crédito:Jean Pimentel/ AGÊNCIA RBS 
“Eu me sinto marginalizado, sou execrado por uma instituição
 que deveria zelar pelo cidadão” Flávio Silva, pai de Andrielle 


O fogo e o gelo
Ele não está sozinho nesse absurdo espetáculo no qual se vê representantes do MP, uma da mais fundamentais instituições na operação do direito, movendo processos pelo avesso. Sérgio da Silva e Flávio José Silva, presidente e vice-presidente da Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria, também estão sendo processados. Por quem? Pelo promotor Ricardo Lozza, que acompanhou um dos inquéritos sobre a boate Kiss, antes do incêndio, uma vez que ela estava denunciada por poluição sonora. A denúncia procedia, e o próprio Lozza foi quem chegou a tal conclusão. Ele denuncia Sérgio (pai de Augusto, 20 anos) e Flávio (pai de Andrielle, 22 anos) também por calúnia, responsabilizando-os pelos cartazes nos quais há sua foto acompanhada da frase: “o Ministério Público e seus promotores também sabiam que a boate estava funcionando de forma irregular”. 

Vamos supor que haja exagero nessa formulação. Pois bem: entender eventuais exageros que brotam de corações dilacerados como são os desses pais e mães pode não ser dever de ofício de um promotor, mas com certeza é sua obrigação humanitária, como membro da instituição. Pais e mães que viram seus filhos e filhas saírem alegres de casa naquela fatídica noite de 26 de janeiro e só foram revê-los deformados pelo fogo no gelo das mesas do Instituto Médico Legal. “O promotor Lozza tinha conhecimento de que a boate Kiss funcionava irregularmente desde 2009, mas nunca tomou nenhuma providência”, disse Flávio à ISTOÉ. “Eu me sinto marginalizado, sou execrado por uma instituição que deveria zelar pelo cidadão”.


 ACUSAÇÃO Para o promotor Ricardo Lozza (à dir.), 
há crime contra a honra na exposição de sua foto em cartaz que critica o MP


Já culparam até os mortos 
O Ministério Público ofereceu um acordo aos pais processados que, de tão exigente, só podia mesmo não ser aceito. A proposta envolvia o pagamento de um salário mínimo, doações de cestas básicas a casas de caridade e retratação pública. Para aí? Não. Os pais teriam a obrigatoriedade de se apresentarem à Justiça a cada três meses, como se fossem egressos de uma penitenciária, em cumprimento de liberdade condicional. E isso ao longo de dois anos. “Para mim, que carrego a dor de ter perdido um filho, não fará diferença ser preso ou não por denunciar o MP”, diz Sérgio. Defendendo-se do processo movido por Lozza, os dois pais requisitaram à Justiça o direito à exceção da verdade (provar que estão falando a verdade), mas vinte desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul rejeitaram o pedido. Ou seja: é quase certo que o destino de Flávio e Sérgio já esteja selado: sentença condenatória. Igualmente por calúnia, acrescida de difamação e falsidade ideológica, está sendo acionada judicialmente Irá Marta Beuren (mãe de Silvio Bauren Junior). Quem a processa é o promotor aposentado João Marcos Adede y Castro, e seu filho, o advogado Ricardo Luís Schultz. Ela denunciou uma situação que achou, no mínimo, estranha: Ricardo tornou-se advogado da Kiss após a aposentadoria do pai, que atuava ainda na promotoria.

PELA (Crédito:Fernanda Ramos/Agência RBS)
INSTITUIÇÃO Os promotores Joel Dutra (acima.) e Maurício Trevisan:
 “não existem corporativismo nem protecionismo no Ministério Público” 

quando a boate começou a ser investigada pelo MP antes do incêndio, por outros motivos. Até agora respondem pela tragédia dois proprietários da casa e dois músicos da banda que se apresentava naquela noite (aguardam julgamento em liberdade). Pelo andar das coisas, porém, é capaz que sobre mesmo tudo para os pais que protestam contra a impunidade. Pouco a estranhar em um caso no qual até os próprios mortos já foram informalmente acusados de serem culpados, uma vez que estariam consumindo bebida alcoólica e por isso não conseguiram sair da boate. É surreal. E, como se disse, faz de Kafka a pessoa mais lógica do mundo.

 (Crédito: Germano Roratto/Ag. RBS/Folhapress)
MADRUGADA de 27 DE JANEIRO DE 2013 
Toda Santa Maria correu para ajudar no socorro às vítimas da boate Kiss 


O incêndio na Justiça

Nenhum dos indiciados na tragédia que matou 242 pessoas está preso

  • 27/01/ 2013  Incêndio na Boate Kiss, na cidade gaúcha de Santa Maria
  • 28/01/2013  Decretada a prisão temporária dos sócios da boate Elissandro Spohr e Mauro Hoffmann e dos músicos da banda Gurizada Fandangueira Luciano Augusto Bonilha Leão e Marcelo de Jesus dos Santos
  • 29/05/2013   Tribunal de Justiça revoga as prisões e todos passam a responder ao processo em liberdade
  • 01/09/2015  O ex-chefe dos Bombeiros de Santa Maria, major Gerson da Rosa Pereira, é condenado a seis meses de detenção por fraude em documentos do inquérito policial que apurou o incêndio. A pena foi convertida em prestação de serviços à comunidade
  • 27/07/20 16   A Justiça de Santa Maria acolhe integralmente a denúncia do MP e determina que os réus Elissandro Spohr, Mauro Londero Hoffmann, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão sejam julgados pelo Tribunal do Júri
  • 13/04/2017   A defesa de Marcelo de Jesus dos Santos entra com recurso para que o julgamento não vá ao Tribunal do Júri. Ainda não houve decisão


A eleição que não acabou

Da Redação
Veja online

Às vésperas do julgamento pelo Tribunal Superior Eleitoral da chapa Dilma-Temer, VEJA lista sete feridas abertas da eleição presidencial de 2014

(PR/Divulgação)
Michel Temer (PMDB) e Dilma Rousseff (PT)
 tomam posse após a vitória na eleição de 2014 

“A eleição de 2014 será, no futuro, conhecida como a mais longa da história brasileira”, sentenciou o ministro Herman Benjamin, relator no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da ação que pode cassar a chapa formada por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB) em 2014, cujo julgamento começa na terça-feira, dia 6.

E ele está certo.  Quase três anos depois, o processo eleitoral de 2014 agoniza ainda em praça pública, à espera de coisas tão básicas quanto o seu encerramento formal, que só ocorrerá quando o TSE finalmente decidir se houve ou não abuso de poder econômico e uso de dinheiro ilícito na campanha.
Não só isso: a revelação dos esquemas de financiamento daquela campanha, principalmente com a Operação Lava Jato e as delações de grandes empresas como Odebrecht e JBS, deixou nas cordas os principais partidos brasileiros (PT, PSDB e PMDB), dinamitou algumas candidaturas a 2018 – o caso mais estrondoso é o de Aécio Neves (PSDB), que nesse período foi de quase presidente a investigado em sete inquéritos e ameaçado de prisão -, destroçou a imagem do presidente mais popular da história do país, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e criou uma guerra político-ideológica que dividiu o país como poucas vezes se viu.

Às vésperas do julgamento da chapa Dilma-Temer, VEJA relembra todas as feridas abertas da disputa que reconduziu Dilma ao poder.

Vitoriosos na berlinda



A chapa vitoriosa na eleição, composta por Dilma Rousseff (PT) e Michel Temer (PMDB), pode ser cassada no julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no próximo dia 6 sob as acusações de abuso de poder econômico e uso de dinheiro ilícito (caixa dois). O processo tramita desde 2014. Dilma já sofreu impeachment. Temer pode ser afastado agora. E o Brasil poderá ter o terceiro presidente no mesmo mandato.

Derrotados no poder



O PSDB, derrotado com Aécio Neves, foi quem entrou na Justiça eleitoral questionando a legitimidade da vitória da chapa Dilma-Temer. Primeiro, pediu perícia no sistema de urna eletrônica. Depois, a impugnação da chapa, o que levou ao julgamento da semana que vem. Por ironia, agora, o partido não só está no governo, como é um dos principais responsáveis pela sustentação de Temer. Se vencerem no TSE, estarão fora do poder.

Perdeu, ganhou, perdeu de novo



O senador Aécio Neves (PSDB ) perdeu por muito pouco a eleição de 2014, mas, com o impeachment de Dilma, assumiu protagonismo na gestão Michel Temer (PMDB), tanto que em maio fez um post no Twitter comemorando um ano de governo. Agora, abatido pelas gravações da Polícia Federal, denunciado ao STF pelo Ministério Público Federal por corrupção e obstrução de Justiça, com um pedido de prisão à espera de deferimento e afastado do Senado, o tucano é carta fora do baralho para 2018 e amarga a sua mais doída derrota política.

Caixa de Pandora



Como na mitologia grega, quando a abertura de um recipiente por Pandora liberou todos os males do mundo, a eleição de 2014 trouxe à tona todos os podres do sistema político-eleitoral: caixa dois, propina, depósitos no exterior, compra de partidos, notas frias, empréstimos bancários fictícios e a relação mais do que promíscua entre grandes empresas, como Odebrecht e JBS, e os principais partidos, entre eles o PT - cujo tesoureiro na campanha, João Vaccari, está preso -, o PSDB e o PMDB. As revelações sobre o financiamento de campanhas estão na base da grande maioria dos inquéritos que ameaçam levar centenas de políticos ao banco dos réus – só no STF (e apenas levando em conta a delação da Odebrecht), há 98 políticos sob suspeita.

Quem para de pé?



A tempestade política que se abateu sobre o país a partir de 2014 deixou mortos e feridos pelo caminho. Além de Dilma, abatida no cargo, outra morte certa é a de seu rival na eleição passada, Aécio Neves (PSDB), que não tem mais capital político para 2018. Outros presidenciáveis tucanos, José Serra e Geraldo Alckmin estão na lista da Odebrecht. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se tornou réu em cinco inquéritos e pode ficar inelegível e até ser preso antes da eleição. Como disse o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), a definição dos candidatos para 2018 vai depender de quem “vai parar de pé” após as investigações.


País dividido



Sempre houve divisões político-ideológicas na sociedade brasileira, mas nada parecido com o que se viu a partir da eleição presidencial de 2014. As contestações à vitória de Dilma Rousseff (PT), a campanha pelo seu impeachment e o cerco judicial a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intoxicaram o debate político nas ruas, nas redes sociais, nos grupos de Whatsapp e até nas reuniões de família. Surgiram “facções” como petralhas, tucanalhas, coxinhas, mortadelas e supostos isentões, todos ainda se engalfinhando em uma batalha cujo fim não está à vista. A guerrilha eleitoral deve se estender no mínimo até a eleição de 2018.


Será que ela volta?



As chances são remotíssimas, mas Dilma Rousseff (PT) ainda tenta no Supremo Tribunal Federal reverter o impeachment e reassumir a Presidência da República, da qual foi afastada de forma provisória em maio do ano passado e de maneira definitiva, três meses depois. O caso, por ironia, está nas mãos do ministro Alexandre de Moraes, ex-tucano, indicado por Michel Temer (PMDB) e um antigo desafeto do PT. O julgamento não tem data para ocorrer.



Oportunismo nas Diretas, Já

Germano Oliveira
Revista ISTOÉ

Realizar eleições diretas para presidente agora é inconstitucional e imoral. Por ser inviável, transformou-se numa fantasiosa narrativa para quem, como o PT, há muito perdeu o discurso

(Crédito: Adriano Vizoni/Folhapress)
SEM APOIO 
Ex-prefeito Haddad defende Diretas Já, 
que não vem obtendo respaldo popular 

Em 1984, o movimento das “Diretas, Já” uniu o País nas ruas em nome da democracia. Políticos, estudantes, artistas, intelectuais e sindicalistas, exigiam o fim da ditadura e a construção de um Estado de Direito. Nas últimas semanas, parte da chamada esquerda, liderada pelo ex-presidente Lula, tentou se apropriar da ideia de “Diretas, Já” para tirar o foco da corrupção e das mazelas econômicas perpetradas no País durante os governos petistas. Desde a redemocratização, os brasileiros viveram o maior período de estabilidade política e aprenderam que as crises são superadas preservando-se as instituições e as regras constitucionais. Se as “Diretas, Já” de 1984 representaram um estágio de amadurecimento e de participação da sociedade civil nos rumos do País, as “Diretas,Já” de 2017 não passam de uma jabuticaba (fruta que só nasce no Brasil), produzida por meia dúzia de líderes flagrados institucionalizando a corrupção no Brasil e que agora se esperneiam na tentativa de se manterem impunes e com os privilégios obtidos a partir do loteamento que fizeram no estado. 

O casuísmo ganhou respaldo popular, mas no Congresso alguns oportunistas tentaram animá-lo. Na quarta-feira 31 foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que prevê eleições diretas para presidente e vice-presidente caso esses cargos fiquem vagos nos três primeiros anos de governo. Mas para essa medida ter validade, precisará ser aprovada em dois turnos no plenário do Senado e da Câmara, o que hoje é considerado improvável.

“Lula e o PT acham que esse Congresso não tem legitimidade para eleger indiretamente um presidente que conduza o País até as eleições de 2018, mas sustentam que esse mesmo Congresso deve mudar a Constituição para fazer diretas já. Isso não faz o menor sentido. É puro casuísmo para evitar a prisão do ex-presidente”, disse um dos senadores do PSDB. De fato, a manobra golpista é tão visível que, apesar de todo o desgaste e impopularidade do atual governo, a proposta não encontra apoio na sociedade. 

No domingo 28, nem mesmo a presença de artistas como Caetano Veloso e Milton Nascimento, ícones da música popular brasileira, foi suficiente para lotar as areias da Praia de Copacabana, no Rio. Em torno de 50 mil pessoas foram ao evento, boa parte carregando bandeiras do PT e das centrais sindicais ligadas ao partido. Um fracasso de público comparando-se os mais recentes movimentos populares. No ato que pediu o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, por exemplo, mais de um milhão de pessoas protestaram na avenida Paulista. Nas manifestações pedindo eleições diretas em 1984, mais de dois milhões de brasileiros tomaram as ruas do Rio e de São Paulo.
Oportunismo

Quem pede eleições diretas agora trama contra a normalidade constitucional. O artigo 81 da Constituição de 1988, formulada por parlamentares eleitos diretamente, prevê que se o presidente Temer deixar o poder terá que ser substituído num processo de eleições indiretas, pelo Congresso, para um mandato tampão de um ano e meio, até a realização das eleições diretas de 2018. Trata-se de uma situação bem distinta daquela vivida em 1984, quando se exigia a mudança de uma constituição elaborada pelos militares sem nenhum tipo de participação popular. “É claro que tanto Lula como seus principais aliados sabem que eleições diretas nesse momento é impossível”, observa o deputado Carlos Sampaio. (PSDB-SP). “O que eles querem na verdade é aproveitar o desgaste do presidente Temer para ofuscar a Lava Jato e até procurar evitar que o ex-presidente vá para a cadeia”.

O cientista político Antonio Lavareda entende que eleições diretas agora não será bom para o País. “Só é bom para o PT, que tem seu candidato liderando as pesquisas. Para o País não. Afinal, a Constituição não prevê agora. Não é bom para o Brasil ficar alterando a Constituição para atender interesses de A ou B. Temos que manter o ordenamento jurídico”, disse Lavareda.

Assim, se Temer deixar o poder, por renúncia, impeachment ou se vier a ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o texto legal diz que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), terá 30 dias para convocar as eleições indiretas. Vários candidatos já se apresentaram, mas nenhum nome ainda é consenso nacional. Caberá ao sucessor de Temer eleito pelo Congresso garantir as normas jurídicas até as eleições diretas de outubro do ano que vem. Eleição direta agora seria oportunismo, segundo o sociólogo Bolívar Lamounier. “Os partidos de esquerda só levantam a bandeira das diretas já porque estão sem discurso”, disse Lamounier. Sobram apenas fantasiosas narrativas

 (Crédito:Arquivo / AgÍncia O Globo)
ABAIXO A DITADURA 
Em 1984, as Diretas Já reuniram mais de dois milhões nas ruas do Rio e São Paulo 


Uma agenda golpista

• Manifestação pedindo diretas já para presidente, realizada no Rio no domingo 28, reuniu em torno de 50 mil pessoas. Foi promovida por parte da esquerda, que tenta ofuscar as investigações da Lava Jato e não empolgou.

• Em 1984, quando houve movimento vitorioso pelas Diretas Já, mais de dois milhões de pessoas foram às ruas em São Paulo e Rio. O País se uniu em torno de um projeto que pusesse fim a ditadura militar e restaurasse a democracia.

• Mudar a regra do jogo agora é golpe. O artigo 81 da Constituição, elaborada por representantes eleitos pelo povo, prevê que caso haja vacância no cargo no segundo biênio do mandato presidencial o novo presidente será escolhido de forma indireta, pelo Congresso. Nova eleição direta só em 2018, conforme estabelece a lei.

• Para se realizar eleições diretas para presidente agora, só mudando-se a Constituição, o que o Congresso e nem a sociedade desejam agora.

MPF pede prisão de Lula e multa de R$ 87 milhões no caso do tríplex

O Globo

No pedido, o Ministério Público Federal também quer o pagamento de R$ 87 milhões em multas

UESLEI MARCELINO / REUTERS 
O pedido consta nas alegações finais do processo que apura
 um suposto pagamento de propina por parte da OAS 

BRASIL - O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta sexta-feira ao juiz Sérgio Moro a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros seis réus pelos crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro. O pedido faz parte das alegações finais do processo que apura um suposto pagamento de propina por parte da OAS, por meio da entrega de um apartamento tríplex no Guarujá, litoral paulista.

No pedido, o MPF também quer que Moro determine a apreensão de R$ 87.624.971,26. O valor é correspondente ao montante de propinas que foram pagas nos contratos que a OAS firmou junto à Petrobras a agentes públicos. Desse montante, Lula teria recebido, segundo o MP, um total de pouco mais de R$ 3 milhões, somando o valor do apartamento e do contrato entre a OAS e a Granero. Apesar disso, os procuradores pediram que o ex-presidente seja condenado a pagar outros R$ 87 milhões em multas.

Esta é a última fase do processo sobre o tríplex que tramita na 13ª Vara Federal de Curitiba. Após todas as partes apresentarem as alegações finais, o processo volta ao juiz Sérgio Moro, que vai definir se condena ou absolve os réus. As defesas têm até o dia 20 de junho para apresentar as últimas alegações.

De acordo com o MPF, o tríplex do guarujá seria entregue a Lula, como contrapartida por contratos que a OAS fechou com a Petrobras. Também faz parte da denúncia o pagamento que a OAS fez à transportadora Granero, para que a empresa fizesse a guarda de parte do acervo que o ex-presidente recebeu ao deixar o cargo.

Banco suíço denunciou supostas contas de Lula e Dilma com a JBS

Da redação
Veja online

Informação foi publicada nesta sexta-feira pelo jornal 'O Estado de S. Paulo'. Em sua delação, Joesley Batista diz que valor nas contas chegou a US$ 150 mi

(Nacho Doce/Reuters)
Delator da JBS diz que mantinha contas-propina
 com 150 milhões de dólares a Dilma e Lula 

Em sua delação premiada firmada com a Procuradoria-Geral da República, o empresário Joesley Batista, dono da JBS, revelou que a empresa mantinha duas contas na Suíça com dinheiro de propina reservado aos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. As contas, que teriam chegado ao valor de 150 milhões de dólares em 2014, contudo, foram fechadas pelo banco suíço Julius Baer e o dinheiro transferido pela instituição a um banco nos Estados Unidos antes mesmo do conteúdo das delações da JBS vir à tona. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que publicou a informação nesta sexta-feira, o banco suspeitou do volume de dinheiro e dos padrões das transferências e denunciou as transações aos órgãos de combate de lavagem de dinheiro do país europeu.

De acordo com o jornal, o Julius Baer não sabe quem são os beneficiários das movimentações financeiras, uma vez que o dinheiro era movido por doleiros e operadores e as contas estavam em nome de duas empresas, a Lunsville International Inc. e a Valdacro. Fontes do setor financeiro suíço ouvidas pelo Estado de S. Paulo indicam, contudo, que as datas das transferências de valores podem indicar alguma relação com eleições no Brasil.

Segundo o jornal, o Julius Baer informou aos administradores do dinheiro que não manteria em seus sistemas os recursos, que teriam sido oriundos de um esquema “misto”, com dinheiro lícito e ilícito da JBS. O Estado de S. Paulo diz que a Procuradoria-Geral da República espera que as autoridades suíças enviem as informações ao Brasil.

Na delação de Joesley Batista, o empresário afirma que o dinheiro sujo era pago para garantir que nenhum pleito do grupo fosse atrapalhado por burocratas do governo. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega era o responsável, de acordo com Joesley, por receber os pleitos e negociar a propina devida em cada operação.

Foi por ordem de Mantega que o empresário abriu as duas contas para depositar a propina que, diz ele, era destinada a Lula e Dilma. “Os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema-gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef. Esses saldos somavam, em 2014, cerca de 150 milhões de dólares”, afirmou o delator.

Joesley disse aos procuradores ter tido encontros com os ex-presidentes nos quais discutiu abertamente o emprego da propina escondida no exterior nas campanhas do partido. Com o ex-presidente, numa conversa no Instituto Lula, em outubro de 2014, o empresário relatou a preocupação com o fato de o grupo já ter doado 300 milhões de reais a campanhas petistas. “Não havia plataforma ideológica que explicasse tamanho montante”, ponderou Joesley Batista. Lula, segundo ele, ignorou: “O ex-presidente olhou nos olhos do depoente, mas nada disse”.

Um mês depois, naquele mesmo ano, Joesley diz ter encontrado Dilma Rousseff no Palácio do Planalto para tratar de um repasse de 30 milhões de reais para a campanha do petista Fernando Pimentel ao governo de Minas Gerais. Na conversa, o empresário alertou Dilma de que o saldo das contas de propina no exterior seria liquidado a partir da doação. “Dilma confirmou a necessidade e pediu que procurasse Pimentel”, disse.

A defesa do ex-presidente Lula alega que ele é inocente e que os trechos da delação divulgados pela imprensa já mostram que as afirmações não decorrem de qualquer contato do presidente com o empresário Joesley. Já a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff diz que a petista jamais tratou ou solicitou de qualquer empresário ou de terceiros doações, pagamentos e ou financiamentos ilegais para as campanhas eleitorais, tanto em 2010 quanto em 2014.

O quadrilhão em apuros

Débora Bergamasco e Eduardo Militão
Revista ISTOÉ

Existiam quatro grandes quadrilhas a saquear o Estado. O procurador-geral da República reuniu todas elas em um único processo e agora parte para punir seus comandantes. Lula, como sempre, é o líder deles

(Crédito: Reprodução)
A QUADRILHA VAI DANÇAR 
Integrantes do "quadrilhão” serão denunciados até setembro 
pelo procurador-geral da República por crimes que podem chegar
 a oito anos de prisão. Entre os políticos que fazem parte da quadrilha estão:
 Mário Negromonte, Henrique Eduardo Alves, Eduardo Cunha, João Vaccari, Lula 
e Antonio Palocci (da esq. para a dir.) 

Políticos apontados como principais chefes da “organização criminosa” incrustada dentro de três partidos – PT, PMDB e PP – devem sofrer um novo revés nas próximas semanas. Antes de deixar o cargo em 17 de setembro, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, vai apresentar a maior parte das denúncias contra os 23 integrantes do chamado “quadrilhão” da Operação Lava Jato. Serão denunciados políticos como o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci, pelo PT, os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Romero Jucá (PMDB-RR) pelo PMDB do Senado, o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) pelo PMDB da Câmara, e o senador Benedito Lira (PP-AL) e o ex-deputado Mário Negromonte (PP-BA) pelo PP. Janot vai apontar esses e outros políticos dos três partidos que sustentaram os governos petistas no poder como mentores de um esquema de arrecadação de dinheiro em estatais e órgãos do governo, em conluio com grandes empreiteiros de grandes obras públicas. A acusação contra eles será a de crime de organização criminosa, cuja pena varia de três a oito anos de cadeia.

De acordo com Janot, os políticos do PT, do PMDB do Senado e da Câmara e do PP formaram um grupo criminoso com o objetivo “de saquear os cofres públicos” beneficiando empresários amigos e financiando as atividades desses partidos. Para a PGR, existe “uma teia criminosa única”, mas com “núcleos políticos” diferentes neste “grupo criminoso”. As cúpulas dos partidos que compõem o “quadrilhão” montaram também um esquema de “enriquecimento ilícito com fim de beneficiar seus integrantes, bem como financiar campanhas eleitorais, a partir de desvios públicos de diversas empresas estatais”, segundo Janot.

O procurador-geral narrou em documentos que integram os quatro inquéritos do “quadrilhão” que, inicialmente, “alguns membros do PP, PMDB e PT, utilizando as siglas partidárias, dividindo entre si, por exemplo, as diretorias de Abastecimento, Serviços e Internacional de Petrobras” para a arrecadação das propinas. “Como visto, a indicação de determinadas pessoas para importantes postos chaves do ente público, por membros dos partidos, era essencial para implementação do projeto criminoso.”

Entretanto, os crimes se arrastaram para outros órgãos do Estado. “Os elementos de informação que compõem o presente inquérito modularam um desenho de um grupo criminoso organizado único, amplo e complexo, com uma miríade de atores que se interligam em uma estrutura com vínculos horizontais”.

Parte do raciocínio do procurador-geral da República sobre o chamado “quadrilhão” está na denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra Lula pela posse do triplex, no Guarujá. Nela, os procuradores narram fatos de um governo regido por propinas, a chamada “propinocracia”, para contextualizar a acusação de que o petista ganhou um apartamento e a armazenagem de bens da empreiteira OAS em troca dos favores que concedeu à empresa de Léo Pinheiro. Lula não foi denunciado pelo crime de organização criminosa exatamente porque essa parte faz parte da denúncia do “quadrilhão” e é tratada no Supremo Tribunal Federal.

A divisão do butim
Para o Ministério Público, está claro que os três partidos comandavam o esquema de arrecadação de dinheiro usando dois vértices comuns no relacionamento com os empreiteiros. O primeiro eram altos funcionários públicos, muitos deles indicados para postos-chave pelos partidos. No entanto, essas indicações de diretores à cargos na Petrobrás eram condicionadas ao pagamentos de propinas para os políticos e suas campanhas eleitorais, por meio de caixa dois ou de doações registradas oficialmente. Na Petrobras, por exemplo, o PT tinha o controle da Diretoria de Serviços, comandada por Renato Duque. O PMDB, controlava a área Internacional, que ficou a cargo de Nestor Cerveró e Jorge Zelada. E o PP, comandava o setor de Abastecimento dirigido por Paulo Roberto Costa.

Esses dirigentes recebiam dinheiro das empresas fornecedoras e partilhavam o “butim” com os políticos. Para isso, se utilizavam do segundo vértice, os operadores da lavagem de dinheiro. Doleiros, lobistas e até tesoureiros dos partidos eram usados em esquemas complexos de repasse de dinheiro em espécie, ou na forma de depósitos no exterior, até chegarem às mãos dos políticos. No PT, quem exercia esse papel era o ex-tesoureiro João Vaccari, que já acumula condenações que superam os 33 anos de prisão. No PP, o principal arrecadador era o doleiro Alberto Youssef , que só está em casa porque fez acordo de colaboração premiada. No PMDB, esse papel era feito pelos lobistas Fernando Soares, Milton Lyra e Jorge Luz, que repassavam o dinheiro para os senadores e deputados peemedebistas.

Banco suíço onde JBS abriu conta para Lula e Dilma é o mesmo de Cunha

Diário do Poder

Julius Bär é o banco suíço preferido das estrelas da Lava Jato


Contas de Cunha e as de Lula e  Dilma (JBS) 
eram no banco suíço Julius Bär

O banco suíço Julius Bar, escolhido por Joesley Batista para abrir a conta nº 06384985, que segundo ele bancou Lula e Dilma, é o mesmo onde o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha mantinha a famosa conta da qual era “usufrutuário”, segundo alegou. A conta, cujo saldo chegou a US$150 milhões (R$486 milhões) em 2014, foi revelada pelo próprio Joesley Batista, dono da JBS, ao Ministério Público Federal. A informação é do colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O relato de Joesley sobre “conta corrente” para bancar Lula e Dilma é semelhante à “conta conjunta” revelada por Marcelo Odebrecht.

A “conta conjunta” do PT com a Odebrecht, para financiar “projetos políticos”, teria movimentado R$324 milhões entre 2009 e 2014.

Em 2010, fim do governo Lula, a conta na Suíça tinha R$226,1 milhões (US$70 milhões), diz Joesley. Em 2014, caiu para R$30 milhões.

Dilma alfinetou Cunha, em diversas ocasiões, até em pronunciamentos oficiais, afirmando que, ao contrário dele, não tinha conta na Suíça.

PT abocanhou R$ 616 milhões, quase metade das propinas do grupo JBS

Tribuna da Internet
Deu em O Tempo

Charge do Alpino (Yahoo)


A JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, afirmou ter entregado R$ 1,4 bilhão em propinas nos 42 anexos de seu acordo de delação premiada, conforme informou “O Estado de S. Paulo”. Os valores nominais de 214 pagamentos constam dos depoimentos e planilhas apresentados pelos delatores envolvendo 28 partidos – não está claro, porém, o período que engloba os repasses. Em valores, o grupo concorre com a Odebrecht, cuja delação listou R$ 1,68 bilhão em repasses para 26 partidos.

Os repasses envolvendo a JBS podem ser maiores ainda se forem consideradas todas as doações eleitorais legais. O total relatado nos anexos é mais que o triplo do que Joesley Batista havia admitido ter pagado como propina – R$ 400 milhões – e mais do dobro do que afirmara Ricardo Saud, ex-diretor de Relações Institucionais da empresa (R$ 600 milhões).

PRÓ-GOVERNO – Os pagamentos a políticos, provados pelas planilhas, mostram que a JBS é mais governista do que a Odebrecht. No ranking da quantidade de verba que o grupo direcionou a políticos o PT lidera com R$ 616 milhões (43,5% do total) e R$ 453 milhões para o PMDB, partido de Michel Temer, que foi vice de Dilma Rousseff. A Odebrecht havia reservado 25,4% de seus repasses para os petistas e 14,7% ao PMDB.

No caso específico de Dilma e Lula, que comandaram o país antes de Temer, o empresário Joesley Batista disse que abasteceu duas contas para os ex-presidentes na Suíça. O saldo chegaria, só em 2014, a cerca de US$ 150 milhões (sendo US$ 80 milhões de Dilma e US$ 70 milhões de Lula), o que em valores atuais representariam R$ 487,5 milhões, ou seja, quase meio bilhão de reais.

A cifra pode ser ainda maior se for considerada a informação dada por Joesley Batista de que contas de Lula no exterior teriam recebido, em 2010, outros US$ 50 milhões (R$ 162,5 milhões, valores atuais) e de Dilma outros US$ 30 milhões (R$ 97,5 milhões). Somando os valores que teriam sido repassados a Dilma e Lula, juntos, em 2010 e 2014 chega-se à surpreendente cifra de R$ 747,5 milhões (em valores atuais). Só não está claro ainda se o cálculo de toda a propina paga ao PT inclui os valores das contas que os ex-presidentes teriam no exterior.

BNDES E FUNDOS – Os créditos dessas importâncias milionárias, segundo o delator, eram em grande parte decorrentes de propinas sobre empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). “Os saldos das contas vinculadas a Lula e Dilma eram formados pelos ajustes sucessivos de propina do esquema BNDES e do esquema gêmeo, que funcionava no âmbito dos fundos Petros e Funcef”, apontou o empresário em um dos anexos da delação.

Tanto nas delações dos irmãos Batista quanto nos relatos de Ricardo Saud o PSDB – até 2016 na oposição – aparece em terceiro lugar como beneficiário de propinas. Do dinheiro da JBS, os tucanos ficaram com R$ 90 milhões (6,3%), um pouco menos do que receberam da Odebrecht (8,9% do total).

PSD BENEFICIADO – Em quarto lugar na lista de repasses da JBS está o PSD, do atual ministro Gilberto Kassab, com 51,6 milhões (3,6 % do total). O PSD nasceu governista, durante a gestão de Dilma Rousseff, e se mantém assim com Temer.

Em uma anotação feita a mão pelo executivo Ricardo Saud consta uma lista de “partidos cooptados (parceiros) PT”. A primeira sigla a aparecer é a do PR, ao lado da qual foi anotado R$ 34 milhões. A relação segue com PSD (R$ 43 milhões), PP (R$ 45 milhões), PMDB (R$ 129,2 milhões), PCdoB (R$ 13 milhões), PDT (R$ 4 milhões), PV-SP (R$ 1 milhão), PRB (R$ 2 milhões) e termina com o PROS ( R$ 10,5 milhões).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG O mais grave, sem dúvida, é usar recursos do BNDES e dos fundos de pensão para distribuir propinas, vejam a que ponto chegou a desfaçatez dessa gente. (C.N.)

A farra petista no posto da Lava-Jato

Da Redação
Veja online

Após o primeiro dia do congresso que vai eleger o novo presidente do PT, militantes fazem festa onde começou a investigação que pôs o partido na berlinda

(VEJA/VEJA.com)
Os militantes no Posto da Torre: 
o estabelecimento deu origem à investigação que levou figurões do PT para a cadeia 

O primeiro dia do congresso que vai definir o novo presidente do PT terminou com farra em um endereço de Brasília bastante simbólico para o partido. Encerrada a programação oficial, que contou com discursos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, dezenas de militantes resolveram improvisar uma roda de samba no posto de gasolina que deu origem à Operação Lava-Jato.

O posto, localizado bem ao lado do centro de eventos onde ocorre o 6º Congresso Nacional do PT, tem como proprietário um doleiro preso na primeira etapa da operação e, segundo a Polícia Federal, era usado para lavar dinheiro sujo do petrolão. Foi rastreando as movimentações do estabelecimento que os investigadores chegaram ao também doleiro Alberto Youssef e aos desvios bilionários na Petrobras que colocaram figuras ilustres do partido, Lula e Dilma entre elas, na mira da Justiça.

A festa petista entrou pela madrugada. Muitos dos militantes vestiam camisas vermelhas estampadas com a estrela do partido. Já passava das 2 horas e lá estavam eles, entre goles de cerveja, a cantarolar a plenos pulmões. “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão…”, entoavam (engana-se quem pensa que a trilha sonora era uma deferência aos brasileiros que se sentiram traídos pelo partido após os sucessivos escândalos de corrupção). A cantoria era substituída, vez ou outra, por gritos de “Fora Temer” e homenagens a Lula (veja vídeos abaixo).

A cúpula do partido estava bem representada na farra. Luiz Dulci, homem forte no Palácio do Planalto nos primeiros anos da era petista e agora diretor do Instituto Lula, conversava alegremente com amigos e posava para selfies. Perto dele, outra figura emblemática: o ex-deputado Virgílio Guimarães, conhecido por ter apresentado ao PT o empresário Marcos Valério, operador do mensalão.









Palocci prepara bomba contra o PT

Germano Oliveira
Revista ISTOÉ
O ex-ministro da Fazenda está negociando colaboração premiada com a Lava Jato para delatar Lula e diz que denunciará ao menos 20 empresas no o esquema de corrupção petista.

(Crédito: AP Photo/Eraldo Peres)
LÍNGUA SOLTA 
Palocci vai delatar como Lula movimentava propinas da Odebrecht 

Antonio Palocci, ex-ministro da Fazenda de Lula e da Casa Civil de Dilma, está preparando o roteiro da colaboração premiada que vai fazer nos próximos dias. Ele quer deixar a prisão em Curitiba, onde está desde setembro do ano passado e para isso compromete-se a delatar o ex-presidente Lula, que até recentemente era um dos seus maiores amigos. Vai entregar também esquemas de corrupção que envolviam a venda de Medidas Provisórias para bancos e grandes empresas brasileiras. Com o acordo proposto à Lava Jato, Palocci quer cumprir pena de somente um ano em prisão domiciliar. Uma punição levíssima, para um petista acusado de ter recebido R$ 128 milhões de propinas da Odebrecht para repasses ao PT. Além disso, o ex-ministro, identificado como “italiano” no departamento de propinas da Odebrecht, era o responsável por movimentar uma conta secreta da empreiteira em nome de Lula, que atendia pela alcunha de “amigo”, e que chegou a ter R$ 40 milhões à sua disposição.
Dinheiro vivo para Lula

O ex-ministro já confirmou aos procuradores da República de Curitiba que vai mesmo delatar Lula. Deve explicar as circunstâncias em que movimentou os R$ 40 milhões “destinados para atender as demandas” do ex-presidente, como revelou o empreiteiro Marcelo Odebrecht em depoimento ao juiz Sergio Moro. Desse total, pelo menos R$ 13 milhões foram sacados em dinheiro vivo para o ex-presidente petista pelo sociólogo Branislav Kontic, assessor do ex-ministro. Palocci vai detalhar também a divisão de propinas na criação da empresa Sete Brasil, em 2010. Esse negócio gerou subornos da Odebrecht no valor de R$ 51 milhões e, segundo o ex-ministro, Lula teria ficado com 50% desse valor. Ele vai contar ainda como foi a captação de R$ 50 milhões junto à Odebrecht para Dilma em 2009, com a participação do ex-ministro Guido Mantega, com ajuda de Lula. Esse dinheiro deveria ter sido usado na campanha de 2010, mas Dilma usou somente na campanha de 2014.

Além de Lula, Palocci já contou aos procuradores que vai detalhar como funcionava a venda de Medidas Provisórias para grandes bancos. Ele vai dar o nome de ao menos 20 empresas que pagaram subornos ao PT. Esses grupos teriam se beneficiado de esquemas de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Outro grupo que está na alça de mira das delações de Palocci é o empresário Abílio Diniz. O ex-ministro vai contar os bastidores de como o grupo de Diniz manobrou para levar vantagens na disputa que enfrentou com o grupo francês Casino pelo controle do Pão de Açúcar. Os detalhes da delação estão sendo tratados por seus advogados Adriano Bretas e Tracy Reinaldt.

Lula pode ser multado por propaganda eleitoral antecipada

Exame.com
Com informações Agência Brasil

Segundo a PGE, Lula anunciou sua candidatura em um evento em 19 de março deste ano e falou das benfeitorias que fez quando era presidente

(Paulo Whitaker/Reuters)
Lula: o ex-presidente teria promovido sua candidatura
para as eleições de 2018 

A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a aplicação de multa ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Lindbergh Farias (PT-RJ) por, segundo o órgão, prática de propaganda eleitoral antecipada.

Ambos teriam promovido a candidatura do ex-presidente petista para as eleições de 2018.

Segundo a PGE, Lula anunciou sua candidatura em um evento em 19 de março deste ano e falou das benfeitorias que fez quando era presidente da República.

O evento, na cidade de Monteiro (PB), foi chamado de “Inauguração Popular da Transposição de Águas do São Francisco” e, em seu discurdo, Lula se intitulou “pai” do projeto.

De acordo com o subprocurador-geral da República Francisco Vieira Sanseverino, que assina as representações, o evento foi largamente divulgado nos jornais de grande circulação do país, nas redes sociais e propagandas elaboradas pelo Instituto Lula.

Sanseverino aponta ainda que, em sua fala durante o evento, o discurso de Lula foi no intuito de fazer o eleitor acreditar que ele é a melhor opção para a região.

Em nota, o Instituto Lula negou as afirmações do subprocurador-geral da República. “Não houve nem antecipação eleitoral, nem lançamento de candidatura e isso ficará claro ao fim do processo”.

Lindbergh
O senador petista também teria, segundo Sanseverino, feito campanha eleitoral antecipada em favor de Lula.

Lindbergh divulgou, nos dias 30 e 31 de março deste ano, duas fotos com “claras referências” à candidatura de Lula para a presidência em 2018, diz o subprocurador.

Para ele, a atitude de Lindbergh “teve por objetivo a captação de votos para seu aliado político, de forma antecipada, o que desequilibra a campanha eleitoral próxima, atingindo a igualdade de oportunidades entre futuros candidatos”.

Procurado pela reportagem, Lindbergh disse que ainda não teve conhecimento do pedido da PGE.

Sanseverino indica que, nos dois casos, há desequilíbrio na campanha eleitoral futura e pede aplicação da multa prevista na Lei 9.504/97, no valor de R$ 5 mil a R$ 25 mil, ou ao equivalente ao custo da propaganda, se este for maior.

Transação sem aval de ações do Mineirão fortalece delação da JBS sobre Dilma e Pimentel

Thiago Herdy 
O Globo+

Joesley afirma que eram propina R$ 30 milhões pagos por fatia do estádio sem anuência de bancos

  Washington Alves/Reuters/21-12-2012
O estádio do Mineirão, em Belo Horizonte, 
que teve parte da gestora vendida para a J&F 

SÃO PAULO — A compra de ações da atual gestora do estádio Mineirão pelo grupo J&F, de Joesley Batista, não teve a anuência de dois financiadores do empreendimento, BNDES e Itaú, conforme previsto em contrato. A ausência de autorização fortalece a denúncia do empresário Joesley Batista, que diz ter simulado em contrato a compra de ações do estádio para repassar R$ 30 milhões em propina ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). O pagamento, ocorrido no início de 2015, seria uma contrapartida por recursos obtidos no BNDES no governo petista e teria sido autorizado pessoalmente por Dilma Rousseff.

De acordo com Joesley, para receber a propina, Pimentel recorreu a um antigo aliado: o empresário Roberto Giannetti Nelson de Senna, dono da HAP Engenharia, uma das sócias do Mineirão. Em contrato, Joesley e Senna registraram, em 2014, a venda de 3% das ações da HAP no empreendimento. Embora o dinheiro tenha sido transferido à HAP há dois anos, a J&F nunca foi formalizada como sócia da Minas Arena, que é a pessoa jurídica responsável pelo estádio.

Na época, as duas sócias da HAP — as empresas Construcap e Egesa — assinaram termo de renúncia ao direito de preferência para aquisição das ações, bem como a aprovação da transação em assembleia extraordinária da companhia. No entanto os próprios sócios consideravam o valor pago pelas ações acima do estimado pelo mercado, informação que chegou ao BNDES e ao Itaú — financiadores do empreendimento.

O Itaú exigiu, então, que as empresas reconhecessem em carta própria a anuência com a venda, um documento adicional ao registro da assembleia extraordinária. A resposta nunca chegou, o que levou a instituição financeira a deixar de dar aval à venda de ações. O BNDES foi pelo mesmo caminho e também desistiu de concordar com a venda.

O resultado foi desastroso para a intenção de formalizar em contrato o pagamento de R$ 30 milhões: a HAP foi impedida de registrar a venda nos livros de “Registro de Ações Nominativas” e de “Transferência de Ações Nominativas”, como prevê a Lei de Sociedades Anônimas. Com isso, Minas Arena, Construcap e Egesa não reconhecem até hoje a J&F como sócia do Mineirão.

Oficialmente, os bancos não quiseram comentar o caso, bem como a Egesa. Em nota, a Construcap negou ter participado da negociação das ações e informou que “não apoiou a operação de compra e venda”.

A HAP Engenharia reconhece a falta de anuência do Itaú e do BNDES para a transação, mas demonstrou ter esperança de ainda conseguir o documento, apesar da revelação do dono da J&F de que este foi um processo forjado para pagamento de propina. “O processo de conclusão tem várias etapas e pode se alongar. Após a aprovação da venda e registro público na junta comercial o último passo são as anuências dos bancos”, escreveu a empresa, em nota.

Em seu depoimento sobre pagamentos vinculados ao BNDES, Joesley disse ter sido orientado por Dilma Rousseff a procurar Pimentel para atender a um pedido de contribuição de R$ 30 milhões fora da contabilidade oficial.

“No mesmo dia peguei o avião, fui lá no Pimentel, encontrei com ele no aeroporto, falei pra ele: Pimentel, ó, tá tudo certo (...) Ele ainda me fez o comentário interessante: ‘a presidente me ligou dizendo que você tava vindo aqui’”, relatou Joesley em depoimento gravado pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo Joesley, foi quando Pimentel lhe apresentou Roberto Senna. A HAP confirmou o encontro de Joesley com o executivo. “Os empresários se conheceram em um evento social com a presença de várias pessoas públicas, entre elas, o governador do estado (de Minas)”, informou a empresa, segundo a qual Joesley se apresentou como alguém interessado em participar de Parcerias Público-Privadas (PPPs), o que o teria levado a virar sócio do Mineirão.

  Reprodução 
O empresário Roberto Giannetti Nelson de Senna 

A versão de Joesley é diferente:“Ele (Pimentel) me apresentou um sujeito que é o dono de uma construtora, que me vendeu 3% de um estádio, que eu nem sei que estádio que é. Nem time de futebol eu tenho, imagina comprar um estádio”, afirmou no depoimento, entre risadas, sem lembrar-se do nome do estádio.

Os problemas de Pimentel e Senna com a Justiça são antigos. Os dois são réus em processo em que a HAP é acusada pelo Ministério Público de superfaturar a construção de casas populares em R$ 9,1 milhões e desviar recursos para a campanha de Pimentel à prefeitura de Belo Horizonte, em 2004. O processo tramita desde 2009 na Justiça mineira.

Em 2011, reportagem do GLOBO mostrou indícios de que a HAP transferiu R$ 400 mil à empresa de consultoria de Pimentel, a P-21 Consultoria e Projetos, por meio de uma firma intermediária, ligada a assessores de Pimentel.

Mesmo depois de pagar R$ 30 milhões por 3% das ações da Minas Arena, em 2015, a J&F não se preocupou até hoje em garantir a formalização de sua participação para além do contrato assinado entre as partes. O caso deve ser submetido ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), em função da prerrogativa de foro do governador de Minas.

DILMA: “ACUSAÇÕES LEVIANAS”
A HAP nega que o dinheiro recebido da J&F tenha sido repassado a Pimentel. Segundo a empresa, os recursos foram “destinados à operação da construtora, não tendo havido repasse de qualquer parte do montante a político ou partido”. A empresa diz estar à disposição da Justiça para apresentar comprovantes “da destinação dos recursos”.

A ex-presidente Dilma Rousseff negou ter autorizado pagamento de propina a Pimentel e disse, pela assessoria, que as afirmativas de Joesley são “improcedentes e inverídicas”.

Para o atual governador de Minas Gerais, as afirmações do empresário “não têm suporte em provas ou evidências materiais” e se trata de “acusações levianas”.