Especiais: TERROR ISLÂMICO

"Estado Islâmico": de militância sunita a califado


Spencer Kimball / Isadora Pamplona
Deutsche Welle 

A origem do "Estado Islâmico"



A trajetória do "Estado Islâmico" (EI) começou em 2003, com a derrubada do ditador iraquiano Saddam Hussein pelos EUA. O grupo sunita surgiu a partir da união de diversas organizações extremistas, leais ao antigo regime, que lutavam contra a ocupação americana e contra a ascensão dos xiitas ao governo iraquiano.

Braço da Al Qaeda
A insurreição se tornou cada vez mais radical, à medida que fundamentalistas islâmicos liderados pelo jordaniano Abu Musab al Zarqawi, fundador da Al Qaeda no Iraque (AQI), infiltraram suas alas. Os militantes liderados por Zarqawi eram tão cruéis que tribos sunitas no Iraque ocidental se voltaram contra eles e se aliaram às forças americanas, no que ficou conhecido como "Despertar Sunita".

Aparente contenção
Em junho de 2006, as Forças Armadas dos EUA mataram Zarqawi numa ofensiva aérea e ele foi sucedido por Abu Ayyub al-Masri e Abu Omar al-Bagdadi. A AQI mudou de nome para Estado Islâmico do Iraque (EII). No ano seguinte, Washington intensificou sua presença militar no país. Masri e Bagdadi foram mortos em 2010.

Volta dos jihadistas


Após a retirada das tropas dos EUA do Iraque, efetuada entre junho de 2009 e dezembro de 2011, os jihadistas começaram a se reagrupar, tendo como novo líder Abu Bakr al-Bagdadi, que teria convivido e atuado com Zarqawi no Afeganistão. Ele rebatizou o grupo militante sunita como Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL).

Ruptura com Al Qaeda
Em 2011, quando a Síria mergulhou na guerra civil, o EIIL atravessou a fronteira para participar da luta contra o presidente Bashar al-Assad. Os jihadistas tentaram se fundir com a Frente Al Nusrah, outro grupo da Síria associado à Al Qaeda. Isso provocou uma ruptura entre o EIIL e a central da Al Qaeda no Paquistão, pois o líder desta, Ayman al-Zawahiri, rejeitou a manobra.

Ascensão do "Estado Islâmico"


Apesar do racha com a Al Qaeda, o EIIL fez conquistas significativas na Síria, combatendo tanto as forças de Assad quanto rebeldes moderados. Após estabelecer uma base militar no nordeste do país, lançou uma ofensiva contra o Iraque, tomando sua segunda maior cidade, Mossul, em 10 de junho de 2014. Nesse momento o grupo já havia sido novamente rebatizado, desta vez como "Estado Islâmico".

Importância de Mossul
A tomada da metrópole iraquiana Mossul foi significativa, tanto do ponto de vista econômico quanto estratégico. Ela é uma importante rota de exportação de petróleo e ponto de convergência dos caminhos para a Síria. Mas a conquista da cidade é vista como apenas uma etapa para os extremistas, que pretenderiam avançar a partir dela.

Atual abrangência do EI
Além das áreas atingidas pela guerra civil na Síria, o EI avançou continuamente pelo norte e oeste iraquianos, enquanto as forças federais de segurança entravam em colapso. No fim de junho, a organização declarou um "Estado Islâmico" que atravessa a fronteira sírio-iraquiana e tem Abu Bakr al-Bagdadi como "califa".

As leis do "califado"
Abu Bakr al-Bagdadi impôs uma forma implacável da charia, a lei tradicional islâmica, com penas que incluem mutilações e execuções públicas. Membros de minorias religiosas, como cristãos e yazidis, deixaram a região do "califado" após serem colocados diante da opção: converter-se ao islã sunita, pagar um imposto ou serem executados. Os xiitas também têm sido alvo de perseguição.

Ameaça terrorista


Atualmente o "Estado Islâmico" está mais forte do que nunca. Durante suas ofensivas armadas, o grupo tem saqueado centenas de milhões de dólares em dinheiro e ocupado diversos campos petrolíferos no Iraque e na Síria. Seus militantes também se apossaram do armamento militar de fabricação americana das forças governamentais iraquianas, obtendo, assim, poder de fogo adicional.

Edição Augusto Valente




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O Ocidente pode derrotar o Estado Islâmico. Basta querer

 Nathalia Watkins
Veja online

"A força do EI está na fraqueza de seus inimigos. Qualquer exército acabaria com eles”, diz Yoram Schweitzer, ex-oficial de inteligência israelense

Paris enfrentou, na noite desta sexta-feira, o seu 11 de setembro. Desde a II Guerra Mundial a França não sofria uma agressão armada de tal magnitude. Neste sábado, o Estado Islâmico, um grupo terrorista que controla vastas áreas da Síria e do Iraque, reivindicou a autoria do atentado, algo que o presidente François Hollande já havia revelado horas antes, com base nas informações do serviço de inteligência francês. Não é o primeiro ataque do grupo ou de seus seguidores à França ou a outros países. Se o Ocidente e seus aliados há muito sabem das intenções assassinas do grupo, por que os ataques continuam, cada vez mais letais? É possível derrotar o Estado Islâmico e reduzir sua capacidade de espalhar o terror nas cidades-símbolo da civilização?

O quartel-general do Estado Islâmico fica em Raqqa, na Síria. Seu contingente estimado é de algo entre 30.000 e 50.000 jihadistas. Eles têm uma grande quantidade de armas de pequeno porte e também equipamentos mais pesados, como metralhadoras, lançadores de mísseis e baterias antiaéreas, além de veículos blindados e tanques capturados dos exércitos da Síria e do Iraque. Do ponto de vista militar, nada disso deveria amedrontar os exércitos convencionais da maioria dos países ocidentais. Ainda assim, nas grandes porções de território controladas pelo grupo terrorista, seus integrantes circulam praticamente sem inconvenientes. "A força do EI está na fraqueza de seus inimigos. Qualquer exército acabaria com eles. Até os curdos já mostraram superioridade no combate", diz Yoram Schweitzer, ex-oficial de inteligência israelense e diretor do Programa sobre Terrorismo da Universidade de Tel Aviv.

Os atuais bombardeios na Síria e no Iraque contra alvos do EI não são suficientes. "Se os Estados Unidos têm 50 especialistas em operações especiais lá, precisa colocar 500", diz Schweitzer. O fato de os americanos ou mesmo os europeus não estarem dispostos a enviar seus soldados para território alheio não quer dizer que não se possa fazer mais para coibir as ações do grupo. "A intervenção militar que existe hoje é tão fraca que o Ocidente comemora a morte de um único militante como o Jihadi John como se fosse uma grande vitória", diz Lorenzo Vidino, especialista em violência política e Islã da Universidade George Washington, nos Estados Unidos. "É possível acabar com o EI com uma operação terrestre sólida, com apoio aéreo, em bem pouco tempo. O que impressiona é que, com tantos satélites espiões do Ocidente, eles passeiem em carreatas livremente", completa.

A relutância ocidental é de ordem política. Os governos dos Estados Unidos e das potências europeias temem o caos e a responsabilidade de estabilizar a Síria e Iraque depois de eliminar as bases do grupo nesses país. Não se quer repetir a experiência do Afeganistão e do Iraque, países invadidos pelos Estados Unidos e seus aliados em 2001 e 2003, respectivamente, e que até hoje não conseguiram se estabilizar. Cada vez mais fica claro, porém, que, se as potências ocidentais não tomarem uma atitude implacável contra o Estado Islâmico como foi feito contra a Al Qaeda no Afeganistão, o grupo não dará trégua.

As dificuldades de uma ação militar que extirpasse o EI existem, mas não são intransponíveis. Bem organizado, com alta capacidade de recrutamento e sem um território definido, o Estado Islâmico provou suas habilidades. "O grau de coordenação dos ataques em Paris mostra que eles formam um proto-Estado", diz o cientista político francês Stephane Monclaire, da Universidade Sorbonne, em Paris. Enquanto o grupo tiver seu santuário, continuará atraindo recrutas e se multiplicando. Uma operação militar mais contundente poderia conter os sucessos do EI e prejudicar seu esforço de propaganda, destinado a atrair novos recrutas.

O envio de tropas aos territórios sírios e iraquianos é delicado: uma entrada americana poderia ajudar a campanha do EI, demonizados como conquistadores, e possivelmente outro grupo semelhante ressurgiria das cinzas do EI, assim como o EI surgiu das cinzas da Al Qaeda. Para não alimentar a rivalidade entre xiitas e sunitas, seria mais prudente deixar os xiitas de fora do esforço de guerra.

O presidente francês disse hoje que será implacável contra os culpados pelo atentado. Se isso significar mais empenho militar contra o Estado Islâmico, pode ser o ponto de virada na guerra civil da Síria, que serviu de caldo de cultura para a proliferação dessa cepa de bárbaros que não suporta os valores de igualdade, fraternidade e liberdade.




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"Este é apenas o começo", diz Estado Islâmico em comunicado sobre ataques a Paris


Zero Hora (*)

Grupo extremista divulgou comunicado neste sábado

Foto: Reprodução / Twitter 
Estado Islâmico (EI) divulgou comunicado neste sábado

O grupo extremista Estado Islâmico (EI) reivindicou, neste sábado, em comunicado, os atentados terroristas de sexta-feira à noite, em Paris, que causaram pelo menos 129 mortes e deixaram mais de 350 feridos.

Em tradução livre, confira o comunicado:

"E nome de Alá, o mais Misericordioso, o Mais Beneficente
Alá (ta'ala) disse: Eles pensaram que suas fortalezas iriam defendê-los de Alá, mas Alá veio sobre eles de onde eles não esperavam, e infundiu o terror em seus corações para que eles destruíssem suas casas através de suas próprias mãos e pelas mãos dos fiéis. Então fiquem avisados, ó povo de visão. (Al-Hashr: 2).

Em uma batalha abençoada cujo sucesso foi possibilitado por Alá, um grupo de fiéis soldados do Califado (que Alá os fortaleça e dê suporte), começou estabelecendo alvos na capital da prostituição e do vício, a maior mensageira da cruz na Europa, Paris. Este grupo de fiéis era formado por jovens que se afastaram da vida mundana e avançaram em direção aos seus inimigos na esperança de serem mortos em nome de Alá, fazendo isso em apoio a sua religião, ao seu Profeta (que a bênção e paz estejam com ele), e seus aliados. Eles o fizeram a despeito de seus inimigos. Assim, eles foram sinceros com Alá — nós o consideramos — e Alá concedeu a vitória às suas mãos e lançou o terror no coração dos "cruzados" em sua própria terra natal.

E assim oito irmãos equipados com cintos de explosivos e armas de fogo atacaram precisamente os alvos escolhidos no centro da capital da França. Esses alvos incluiram o Stade de France durante uma partida de futebol — entre os times da Alemanha e França, ambas nações cruzadas — na qual compareceu o imbecil da França (François Hollande), o Bataclan, onde centenas de pagãos se reuniram em uma festa idólatra e perversa. Ocorreram também ataques simultâneos a outros alvos no 10º, 11º e 18º distritos. Paris tremeu sob os pés de seus cruzados, e suas ruas tornaram-se estreitas para eles. O resultado dos ataques é nada menos que 200 cruzados mortos e muitos feridos. Todo louvor e o mérito pertencem a Alá.

Alá abençoou nossos irmãos e concedeu a eles o que eles desejavam. Eles detonaram os cintos explosivos nas massas de descrentes depois de esgotar suas munições. Que Alá os aceite entre os mártires e permita que nos juntemos a eles.

Que a França e todos que seguem o seu caminho saibam que continuarão sendo os principais alvos do Estado Islâmico e que continuarão a sentir o cheiro da morte enquanto seguirem o caminho das cruzadas, enquanto se atreverem a insultar nosso Profeta, e enquanto se vangloriarem de sua guerra contra o Islã na França e de suas ofensivas aéreas contra os muçulmanos na terra do Califado.

Este é apenas o começo. E é também um aviso para aqueles que queiram meditar e tirar lições.

Alá é o maior

(A Alá pertence toda a honra, e a Seu Mensageiro e aos fiéis, mas os hipócritas não o sabem) [Al- munafiqun : 8]"

Após ataques, Hollande decretou luto por três dias
O presidente francês, François Hollande, já havia atribuído os ataques ao grupo terrorista, que qualificou como um "ato de guerra" cometido por "um exército terrorista" contra a França.

François Hollande pediu aos franceses "unidade e sangue-frio", ao mesmo tempo em que decretou o "luto nacional por três dias", na sequência dos ataques terroristas de sexta-feira.

— O que aconteceu ontem (sexta-feira) é um ato de guerra (...) que foi cometido pelo Estado Islâmico, organizado a partir do exterior e com cúmplices interiores que o inquérito deverá estabelecer — afirmou Hollande.

O EI opera na Síria e no Iraque e conta com milhares de jihadistas estrangeiros, incluindo franceses, em suas fileiras. Já Paris, participa de uma coalizão internacional que realiza ataques aéreos contra os terroristas nesses dois países.

— A França será implacável — assegurou Hollande. — As forças de segurança internas e o exército estão mobilizados no mais alto nível de suas possibilidades e todos os dispositivos de segurança foram reforçados.

O presidente francês decretou luto nacional de três dias e anunciou que falará na segunda-feira ante o Parlamento francês, reunido em Versalhes, "para unir a Nação nesta provação".

Os ataques terroristas ocorreram em pelo menos seis locais diferentes da cidade, entre eles uma sala de espetáculos e o estádio nacional, onde decorria um jogo de futebol entre as seleções de França e da Alemanha.

(*)  Com informações Agência Brasil




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Um atentado anunciado


Gagriela Cañas
El País 

Procurador da República chegou a falar em iminência de um 11 de setembro à francesa

CHRISTIAN HARTMANN (REUTERS) 
Várias vítimas no chão em frente a um restaurante de Paris onde se produziu
 um dos tiroteios desta sexta-feira. Ataques simultâneos causam ao menos 26 mortes.

Desde os atentados de janeiro deste ano, a França vive em alerta máximo. "Desbaratamos atentados diariamente", dizia em meados do ano o ministro do Interior Bernard Cazaneuve. O último deles data de 29 de outubro. As autoridades prenderam um jovem de Toulon de 25 anos que preparava um atentado terrorista. Os atentados desta sexta-feira não puderam ser evitados e ocorrem justamente no primeiro dia em que a França restaurava as fronteiras internas da União Europeia para reforçar a segurança da Cúpula do Clima a ser realizada em Paris de 30 de novembro a 11 de dezembro.

A França é o país ocidental mais ameaçado pelos jihadistas. Em guerra contra os radicais em várias frentes, os atentados contra o Charlie Hebdo e o supermercado Hiper Cacher, que custaram a vida de 17 pessoas, foram um dramático chamado de alerta. Desde então, o país livrou-se por pouco de oito atentados, pelo menos dois deles programados para causar verdadeiras matanças. Quase 2.000 cidadãos franceses viajaram para a Síria ou o Iraque – muitos via Barcelona ou Madri – e 500 já empunham as armas.

Os aspirantes ao combate aumentaram 212% só este ano. E o dado mais preocupante: entre 200 e 300 retornaram da Síria e do Iraque. O medo de um novo grande atentado estava no ar. O procurador da República François Molins chegou a falar da iminência de um 11 de setembro à francesa.

Homem chora em frente ao restaurante Le Carillon, um dos alvos dos ataques.

O arsenal de novas medidas antiterror também cresce a cada mês. Desde janeiro, entre 7.000 e 10.000 militares patrulham as ruas. Outros 25.000 policiais vigiam 5.000 lugares sensíveis. O Governo levou adiante uma polêmica Lei de Serviço Secreto que autoriza a coleta maciça de dados na rede. Ao mesmo tempo, aumentou em 736 milhões o orçamento para recrutar peritos e comprar material mais moderno.

O jovem detido em Toulon tinha ficha na polícia desde o verão de 2014 em razão, justamente, de seus projetos de viajar para a Síria e por sua intensa atividade no Facebook com mensagens próximas ao ISIS. Uma vez preso, confessou sua intenção de lutar na França, já que não podia ir a Síria.

Um dos mais importantes ataques abortados foi o do francês Yassine Salhi, que tentou explodir depósitos de gás em Saint-Quentin-Fallavier em junho, depois de decapitar seu chefe. Como em quase todos os casos, o terrorista tinha ficha policial como suspeito de extremismo islâmico. Também está fichado o marroquino Ayoub El Khazzani, que em agosto tentou realizar uma matança no trem Thalys que ia de Bruxelas para Paris com todo um arsenal de armas.

As críticas na França ante a escassa eficácia policial foram mínimas. A polícia recorda que há 5.000 fichados por suspeita de radicalismo e que é impossível seguir todos eles 24 horas por dia. O procurador Molins afirma que 1.733 são vigiados, mas não continuamente. E destaca a dificuldade adicional de que não existe organização, nem células, nem rede de comando. "Enfrentamos comportamentos individuais, lobos solitários". Desde 2012, 326 pessoas foram presas por conexões com atos violentos.




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Reação a ataques em Paris deixa clima de guerra declarada


Deborah Berlinck, 
Especial para O Globo 

Em dia de respostas, Hollande promove caça internacional a autores de massacre




PARIS - A França reage em clima declarado de guerra aos autores do maior atentado terrorista de sua História recente. Em meia hora, grupos supostamente comandados pelos radicais do Estado Islâmico colocaram o país de joelhos: em ataques a oito pontos de Paris, fizeram 129 mortos e 352 feridos, 99 deles em estado grave. Agora, uma verdadeira caça aos autores e seus cúmplices — na França, mas também internacionalmente — está em curso e mobiliza vários outros países, como Bélgica e Alemanha.

— A França está em guerra — declarou solenemente o presidente francês, François Hollande, logo depois dos atentados. — Mas mesmo ferida, a França vai se reerguer. Diante da guerra, um país precisa tomar a ação apropriada.

Durante todo o dia, Hollande multiplicou os contatos com líderes estrangeiros, enquanto seu Conselho de Ministros se reuniu várias vezes para fechar o cerco contra os radicais no interior do país. Mais cedo, os jihadistas reivindicaram, em comunicado, a responsabilidade pelo massacre. Segundo a nota, enviada a vários jornais franceses, os atos terroristas teriam sido uma resposta a “insultos ao profeta Maomé e bombardeios franceses contra alvos do grupo”.

“Um grupo de fiéis soldados do Califado começou estabelecendo alvos na capital da prostituição e do vício, a maior mensageira da cruz na Europa, Paris. Que a França e aqueles que seguem seu caminho saibam que permanecerão entre os alvos do Estado Islâmico”, desafiou a organização extremista. “Paris tremeu sob os pés de seus cruzados, e suas ruas tornaram-se estreitas para eles. O resultado dos ataques é nada menos que 200 cruzados mortos e muitos feridos”.

Um dos terroristas era francês
Paris virou um quartel-general de guerra: com todo país em estado de emergência, o Eliseu anunciou a mobilização de 1.500 militares armados até os dentes vigiando as estações de trem e aeroportos, além do reforço dos controles nas fronteiras. Eventos esportivos e artísticos foram suspensos, lojas, escolas, universidades e prédios municipais, fechados.

A violência dos ataques levantou inicialmente dúvidas sobre o efeito que isso terá na determinação da França de acompanhar os Estados Unidos na sua campanha implacável contra o Estado Islâmico na Síria e no Iraque. A França também está envolvida em várias operações militares de combate ao extremismo islâmico na África. Mas o primeiro-ministro Manuel Valls enterrou as dúvidas numa entrevista à televisão francesa:

— A França irá fundo no combate ao Estado Islâmico — avisou. — Estamos em guerra, e vamos agir. Vamos atingir o inimigo aqui e também na Síria e no Iraque. E vamos responder no mesmo nível. Vamos responder golpe por golpe para destruir o Daesh (sigla do Estado Islâmico, em árabe).

Menos de 24 horas depois dos atentados, elementos novos surgiram nas investigações. Três grupos comandaram os ataques. E um dos sete atacantes da sala de espetáculos Bataclan (onde 89 pessoas morreram) era francês: chamava-se Ismael, tinha 30 anos, nasceu em Courcouronnes, nos subúrbios de Paris e era conhecido pelo serviço de Inteligência francesa desde 2010 e pela Justiça como pequeno delinquente. Fontes da agência AFP disseram que seu pai e irmão foram detidos. As duas casas estão sendo investigadas.

Um passaporte sírio também foi achado junto ao corpo de um dos homens-bomba que detonaram uma das explosões na porta do Stade de France, durante o jogo entre França e Alemanha — o vice-ministro grego de Polícia confirmou que o sírio havia chegado à União Europeia pela Grécia em outubro. Quarto, uma mulher desarmada foi vista acompanhando um dos grupos terroristas.

De acordo com o promotor de Paris, François Molins, os grupos se distribuíram para conduzir ataques com kalashnikovs e cintos com explosivos — alguns feitos de Taap, um composto que facilmente passa despercebido por cães farejadores. Pelo menos um deles tinha ingresso para a partida, mas, ao ser revistado, com cerca de 15 minutos de jogo, foi descoberto um colete de explosivos. O atacante, então, detonou o colete, carregado com explosivos e parafusos. Perto dali, cerca de três minutos depois, uma segunda pessoa também se explodiu do lado de fora do estádio. O terceiro suicida detonou explosivos perto de um McDonald’s.

A prioridade das autoridades agora é identificar os corpos, incluindo os dos terroristas, em sua maioria pulverizados. Uma vez completado o processo, será determinado se eles tiveram a ajuda de cúmplices.

— Podemos dizer, neste ponto da investigação, que provavelmente foram três grupos de terroristas coordenados por trás desse feito bárbaro — afirmou Molins.

Aumento do combate interno
Internamente, o combate ao terror vai se intensificar. Quatro mil pessoas estariam fichadas na França como potencialmente perigosas. Valls reconheceu que o risco zero é impossível. David Rigoulet, especialista em Oriente Médio, segue a mesma linha de raciocínio:

— A ameaça é multiforme. Não tem solução milagrosa. Não podemos evitar tudo. Os responsáveis britânicos também reconheceram que o risco zero é impossível, por conta da natureza da ameaça — disse.

Em uma das declarações mais contundentes sobre o massacre, o Papa Francisco comparou os ataques à uma “Terceira Guerra Mundial”. Os atentados de sexta-feira também colocaram os holofotes, novamente, sobre a comunidade muçulmana da França, que teme uma nova onda de islamofobia. E o fato de terem acontecido apenas dez meses depois dos ataques de janeiro contra o semanário satírico “Charlie Hebdo”, também feitos por radicais islâmicos, não ajuda. O movimento islâmico Hamas, no poder na Faixa de Gaza, e a Jihad Islâmica condenaram os atentados — assim como o Hezbollah.

O franco-tunisiano Hassam Vhalghoumi, imã da cidade de Drancy, reagiu praticamente com o mesmo discurso de dez meses atrás:

— A França é forte pela sua História. Não será um bando de bárbaros que vai colocar o país de joelhos. Não! Isso não é a religião. Isso não é humano.

Ele fez um apelo aos muçulmanos a se exprimirem e se manifestarem contra os extremistas. E aos radicais que acreditam que os atacantes são mártires que partirão ao paraíso, ele avisou:

— Não, não! São diabos. Eu prometo: terão o inferno eterno! O salafismo tem que ser combatido, são monstros que destroem a França.

Ele foi duro com a própria comunidade de imãs, ao reconhecer que alguns pregam o ódio.

— É o momento de sancioná-los!

 Ataques coordenados em Paris - O Globo




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TERROR EM PARIS – Os pelo menos 140 mortos provam que é preciso tratar Estado Islâmico de outro modo

 Reinaldo Azevedo  
Veja online

Potências ocidentais têm e conversar com Vladimir Putin e lançar ataque terrestre fulminante, com ocupação de território

O novo e espetacular atentado terrorista em solo francês demonstra que o Estado Islâmico, que nasceu debaixo do nariz das potências ocidentais, é muito mais perigoso do que se imaginava. Parece-me que é chegada a hora de as tais potências se perguntarem se bastam ataques aéreos para contornar o mal.

Sim, eu sei o que estou perguntando, aparentemente em contradição com os fatos. Afinal de contas, o atentado foi praticado em solo francês. Quando se conhecer a identidade dos terroristas, é possível que haja franceses entre eles — se não forem todos nascidos na própria França.

Ocorre que esses “emissários” ou “representantes” atuam hoje em nome do que está pretendendo se estabelecer como uma pátria. Parece claro a esta altura que simples ataques aéreos são insuficientes para vencer os delinquentes.

Ainda que o terrorismo em rede prescinda de um território específico — os desta sexta, reitero, muito provavelmente são nativos da França —, o fato é que as amplas áreas ocupadas pelo Estado Islâmico dão a impressão de que existe também uma “pátria” pela qual lutar.

Por improvável e até, vá lá, exótico que pareça, chegou a hora de as potências ocidentais se sentarem à mesma mesa de Vladimir Putin e planejar uma ação terrestre e fulminante, com ocupação do território, nas áreas dominadas pelo Estado Islâmico.

Talvez, por um tempo, as ações terroristas no Ocidente até se intensifiquem. Mas chegou a hora de constatar o óbvio: o que se passa por lá e os braços que essa gente mobiliza no mundo agridem a noção mais comezinha de humanidade.




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Combate ao terrorismo tem que ser repensado


Ricardo Noblat

Em mais um espetáculo de horror patrocinado supostamente pela organização terrorista Estado Islâmico, cerca de 150 pessoas foram mortas em Paris, 80 atravessaram esta madrugada com ferimentos e em estado grave, e pelo menos mais 200 foram para casa ou ainda repousam em hospitais com ferimentos leves.

O banho de sangue chocou o mundo e reforçou mais uma vez a forte impressão de que a política contra o terror, assim como foi concebida e está sendo executada pelos Estados Unidos e países aliados, não deu certo até aqui. Pelo contrário: o terror cresceu desde os ataques de 11 de setembro de 2011.

Nas últimas duas semanas, atentados terroristas atingiram Egito, Rússia, Líbano e agora a França. No Líbano, anteontem, um duplo atentado suicida contra um reduto do Hezbollah, na periferia de Beirute, deixou 43 mortos e mais de 200 feridos. Morreram 224 pessoas no avião russo derrubado no Sinai egípcio.

Lembra da Al-Qaeda de Osama Bin Laden? Seu líder foi morto pelos Estados Unidos. A organização perdeu a importância. Foi suplantada amplamente pelo Estado Islâmico, que luta para criar um califado na Síria, recruta jovens na Europa, espalha sua mensagem pelo mundo e detona bombas por toda parte.

Relatório do governo dos Estados Unidos, divulgado em junto último, concluiu que os ataques terroristas no mundo aumentaram em 35% em 2014 frente ao ano anterior. Mais de 60% deles concentraram-se no Iraque, Paquistão, Afeganistão, Índia e Nigéria. Ontem, finalmente, o terror atingiu o coração da Europa.

Todo indica que pela primeira vez, homens-bomba deixaram seus países para se imolar em atentados em terras estranhas. Células terroristas adormecidas em Paris acordaram para cometer o mais trágico ataque da história recente da França. Há, hoje, naquele país, cerca de 5 mil suspeitos que o governo não dá conta de monitorar.

É provável que terroristas treinados no Oriente Médio estejam entrando neste momento em vários países da Europa como se fossem refugiados políticos em busca de trabalho e paz. Não há como impedir tal infiltração. Ou não foi descoberta ainda uma maneira eficiente e segura de detê-la.

Sempre se dirá que o terrorismo estaria pior se não fosse enfrentado com os métodos atuais. Pode ser. Mas esses métodos não têm bastado. É mais do que hora de rediscuti-los. 

 (Foto: Anne Sophie Chaisemartin / AP)
 Vítimas atingidas por tiros na porta do restaurante La Bell Equipe




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Paris hoje não é Paris


Simone Esmanhotto, de Paris,
Especial para Veja.com

O dia seguinte aos seis atentados simultâneos amanheceu sombrio, grave e silencioso — poucos parisienses saíram às ruas para se mostrarem vivos, deixando a cidade vazia, inclusive de atrações, para turistas chineses, russos e americanos

(VEJA.com/AFP) 
Homenagens nos locais dos atentados em Paris 

Foi a noite mais longa e mais curta da história recente de Paris. Plugados no Twitter e no Whatsapp, os parisienses - e a denominação vale para todos os que vivem nessa cidade, seja qual for seu passaporte de origem - buscaram notícias de amigos a partir das dez e meia da noite, quando não se sabia muito mais do que o fato de três ataques haviam ocorrido, com 18 mortos. Lucia? Plinio? Richard? Fabio? Isabel? Adriana? Sophie? Virginie? Henry? Dois minutos de demora para uma resposta, um nó na garganta. A maioria estava em casa. Patricia mandou mensagens num francês telegráfico, com erros de quem demonstra que não é minuto de se preocupar com gramática: "Barricada num restaurante no Marais. Mais de 1 quilômetro. A França vive um novo drama nacional. As pessoas correm como lebres." Numa conversa truncada, ela explica que não podem sair do Carreau du Temple e que Vincent, um amigo, está a 10 minutos a pé dali, no Bataclan. "A última mensagem dizia que era um banho de sangue. E ele não responde mais." 

Muito além do fim da tomada de reféns deste que é um dos endereços queridos da cidade para shows, por volta da meia-noite, meia-noite e meia - os ponteiros se arrastavam - continuamos fissurados nas notícias. Cerca de 1500 pessoas assistiam ao show da banda americana Eagles of Death Metal. Paris é uma cidade pequena, com pouco mais de 2 milhões de habitantes. Todo mundo conhece alguém que conhece alguém. De "ataques", passamos a ouvir "atentado". Da hashtag #portesouvertes (portas abertas), passamos a #rechercheparis (busca Paris): cada foto num post dava o nome àqueles que não estavam entre os "mais de 100 mortos". A noite terminou de manhã: não sabemos mais se dormimos livres, mas certo é que já acordamos, pouquíssimas horas depois, em estado de urgência. "Nunca vivi isso aqui", diz Denis, 48 anos. O último estado de urgência foi decretado em 1961, na época da guerra contra a Argélia. Cartesianos, tentamos encontrar algum sentido naquilo que, enfim, não tem lógica.

A prefeitura de Paris pediu para os cidadãos evitarem sair de casa nesta manhã de sábado. Museus, bibliotecas, escolas, ginásios e piscinas públicas estariam fechados. Manifestações nas ruas - no país das manifestações - estão proibidas até quinta-feira. Pela rádio France Info, ouvimos Patrick Pelloux, médico especialista em urgências e parte da antiga redação de Charlie Hebdo, falar que as equipes nos hospitais da cidade estão prontas para lidar com as feridas "de guerra". Pouco antes das 11h, o presidente François Hollande se pronunciou pela segunda vez, na saída de um encontro no Conselho de Segurança: "Este é um ato de guerra e a França vai reagir sem piedade." Entre amigos falamos da Terceira Guerra que se aproxima, mais desiludidos do que ameaçados. Desta vez, a palavra vem do presidente. E o peso é outro. Mas porque hoje é sábado, dia de feira, de parque, de floricultura, sair me pareceu uma questão de sobrevivência. É preciso sair para ver os outros, ver que existem.

 A pedido do meu marido, evitei o metrô. Evitar o metrô, num certo sentido, é evitar a cidade: perde-se grande parte da liberdade de ir e vir. "Le métro, c'est Paris", diz o slogan da concessionária RATP: 113 anos de história, 14 linhas (a décima-quinta está a caminho), 303 estações (nenhum endereço de Paris fica a mais de 500 metros de distância de uma), 205 quilômetros de rede. A pé, saí do parque Buttes Chaumont, no nordeste da cidade, em direção ao museu do Louvre, passando pela subprefeitura do 11o distrito de Paris, numa diagonal em direção ao coração da cidade. O parque do século XIX é onde os parisienses correm, andam de pônei, pescam, fazem piquenique na grama, treinam de tai-chi a artes marciais - ou, no caso dos irmãos Kouachi, responsáveis pelo atentado do Charlie Hebdo, recrutam jihadistas para enviar ao Oriente Médio e se juntar a algum grupo radical islâmico.


Entre Belleville e Ménilmontant, cruzei inúmeras crianças de patinete, muçulmanas de corpo coberto saindo de boulangeries com baguetes, senegalesas com buquês tão coloridos quanto os boubous tradicionais que vestem. As lojas estavam abertas e a vida me pareceu seguir no mesmo espírito. Um aviso na porta fechada numa ressourcerie - uma loja solidária, que funciona com doações - me fez lembrar que este sábado não era um outro qualquer: "Caros, por causa dos acontecimentos desta noite, permaneceremos fechados hoje." A cena mudou de figura na avenue Parmentier, trinta minutos depois. A loja de bonecas antigas, de roupas de segunda mão, as livrarias - tudo era uma sucessão de portas de ferro abaixadas. Na mesma avenida, no correio quase colado à lateral da subprefeitura do bairro do Bataclan, outro cartaz: "Em razão dos atentados ontem na vizinhança, não temos condições de abrir a agência nesta manhã. Por razões de segurança, reabriremos na segunda." A subprefeitura fez o contrário: decidiu manter as portas abertas para estender um atendimento psicológico aos sobreviventes, testemunhas ou familiares de desaparecidos dos atentados. 

Cento e sessenta e sete pessoas haviam sido atendidas na madrugada. Sobre uma mesa, ao lado da porta principal, uma caneta Bic e um caderno quadriculado registravam mensagens de "sideração", "estupefação", "choque" - as palavras que mais escutei em muito menos de 24 horas. Por coincidência, cheguei à praça Léon Blum pouco antes do subprefeito, que não tinha tido noite: ele havia ficado aqui até às 6h da manhã. François Vauglin vinha direto da coletiva de imprensa de Anne Hidalgo, a prefeita de Paris, que resumiu assim seu discurso: "Este foi um ataque ao nosso modo de vida. Seremos mais fortes. Eles não vão nos silenciar." Pergunto a Vauglin por que o bairro foi alvo dos atentados. Em janeiro, há onze meses, ainda se tentava encontrar respostas, todas descabidas: o "desrespeito ao Alcorão" do Charlie Hebdo e "os judeus" dos dois mercados nos arredores da cidade. Agora, ninguém se arrisca. Ou melhor: sabemos que qualquer um pode ser a próxima vítima, que não é preciso razão - a não ser o fato de tomarmos taças de vinho com os amigos nos terraços dos cafés, irmos a shows, gostarmos de futebol. "Nosso bairro é feito de jovens, a força viva deste país. É também onde vivemos o caldeirão cultural de forma plena, algo que desafia os integristas", responde um Vauglin abatido, em voz baixa. Dois números de telefone são as linhas diretas para se ter notícias dos desaparecidos: 3015 e um 0800. E quantos somam eles, pergunta uma jornalista da rádio Europe1? "Não sei." Vauglin encerra a conversa e entra no prédio. Ele soube da notícia por meio de um dos vereadores da região, vizinho do Bataclan. Ligou para o delegado para saber mais. Ele não fez nada de diferente de nenhum de nós. Somos todos iguais hoje em Paris.

Dali, sigo pelo Boulevard Voltaire, a outra rua lateral da subprefeitura. Vou em direção ao Bataclan. No caminho, um senhor de mais de 80 anos - terno, lenço no pescoço - me pergunta se há tabacs, as lojas onde se vende cigarros, jogos de loteria e cafés duvidosos, abertos no caminho pelo qual passei. Ele diz que não consegue sacar dinheiro nos caixas eletrônicos. Pergunto se ele mora no bairro. Ele diz que morou na época da II Guerra e viu jovens, "como os de ontem", serem mortos ali - apontando para a esquina a 50 metros, com a rue Chemin Vert. Quero saber como ele se sente neste sábado. "O homem é um projeto que deu errado", diz Yahnn Lequere. "Eles (os jihadistas) inventam guerras e matam de forma gratuita como quem atira em pombos, menosprezam as mulheres. O problema é o sexo masculino", me repete várias vezes. Lequere não vê sentido para a vida, embora mantenha um sorriso tão largo como as costeletas descabeladas que emolduram o rosto enrugado, e me pergunta que sentido eu vejo nas coisas. Respondo que é encontrar pessoas como ele. Paris fez isso ontem, abrindo as portas de casa para estranhos. É o que nos mantém vivos e humanos, ele emenda. Sigo caminhando e entreouvindo a conversa de grupos reunidos na calçada: "Será que vão mandar nossos homens para a Síria?"; "Não gostam quando confundem muçulmanos com Estado Islâmico; "Só há uma diferença entre todos nós hoje: os mortos e os vivos".

Na altura do número 100, já avisto os furgões das TVs - e os repórteres russos, americanos, ingleses que gravam passagens em voz tão baixa que se tornam quase inaudíveis. O Bataclan fica no número 50 e, dessa barreira, reforçada por poucos policiais, não se vê nada. Uma moça se aproxima dos policiais e mostra um documento: ela mora na rua e quer passar. Seu queixo treme involuntariamente, como se o frio fosse siberiano. Faz 11 graus e o vento é gelado, mas ela está bem agasalhada. De bicicleta, outra vizinha atravessa a barreira no sentido contrário, rumo ao Boulevard Richard Lenoir: ela chora de soluçar. Caminho pela rua paralela. Um parque separa uma centena de pessoas que anda, fotografa ou só observa a fachada chinesa do século XIX. Os policias pedem "por favor, senhoras e senhores, caminhem." Só então eu me dou conta do silêncio ao meu redor. Ouvimos carros, mas não pessoas. Não há esse silêncio em Paris: alguém vai buzinar, alguém vai ouvir a música mais alto do que deveria, um bando de adolescentes vai rir às gargalhadas. Mas não. A cidade está muda.

A partir desse ponto, a caminhada muda. Pego o metrô na estação Filles de Calvaire, em direção ao Opéra Garnier. A linha 8 passa pela Bastille, République, Concorde e Invalides, alguns dos pontos mais visitados da cidade. Os vagões estão vazios. Na frente do Opéra, a escadaria que serve de plateia para os músicos de rua está vazia. Apenas um grupo de chineses, de colete verde, posa para fotos, rindo e falando alto. Viajar para Paris é, afinal, o sonho da liberdade. No topo do prédio, a bandeira da França está a meio mastro: "No visits today, pas de visite aujourd'hui", diz o cartaz na bilheteria de uma das salas emblemáticas da alta cultura europeia ("não há visitação hoje"). As lojas de departamento Printemps e Galeries Lafayette estão fechadas. As vitrines de Natal seguem animadas e com o jingle-bells nos alto falantes. Andar na Paris que não é Paris é uma experiência surreal. É possível parar na faixa e fotografar a perspectiva vazia deste que é um boulevar capaz de tirar do sério qualquer motorista. Decido andar pela Rue de la Paix, rua da Paz, a caminho do Louvre. As joalherias estão fechadas. A Cartier parece de luto, com todas as vitrines cobertas por grandes portas negras. Na rue Saint Honoré, as lojas estão fechadas. Símbolo da modernidade parisiense, a Colette, sempre lotada, está aberta. A roda-gigante instalada para o fim do ano na place de la Concorde está parada. O Jardim das Tulherias está fechado. Turistas russas tiram foto através das grades. Nesse momento, começo a pensar que se o Louvre estiver aberto, haverá uma espécie de conforto: é uma resistência do nosso modo de viver. 

Nos cinemas, hoje fechados, acaba de estrear Francofonia, drama de Alexander Sokurov sobre o Louvre durante a ocupação nazista. O filme é uma reflexão sobre o papel do Louvre, de Paris e da arte como parte do espírito da civilização. Quando vejo o vizinho Arts Décoratifs fechado, perco as esperanças: eles fazem parte da mesma administração. Na entrada do Carroussel do Louvre, o segurança confirma, em silêncio. Só com um gesto de mãos: elas se cruzam, como num x. De frente para a pirâmide, não há filas. Turistas tiram fotos nas poses de sempre: sobem nos apoios de pedra para "pegar" a pirâmide diminuta, num efeito de perspectiva, pelos dedos. Hoje, a pirâmide me parece encolhida. Mas Vincent conseguiu escapar do Bataclan. Amanhã é outro dia.




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Ao menos 20 estrangeiros entre mortos em Paris


AFP

AFP / GIUSEPPE CACACE
Pessoas acendem velas na Piazza Fontana, em Milão, 
em homenagem às vítimas dos atentados de Paris, em 14 de novembro de 2015

Ao menos 20 estrangeiros se encontram entre as pessoas que perderam a vida nos atentados da noite de sexta-feira em Paris, informaram fontes oficiais.

A emissora de televisão RRBF, da Bélgica, noticiou a morte de dois cidadãos daquele país, citando o ministério belga de Relações Exteriores.

Sem dar maiores detalhes, um porta-voz do ministério informou que o governo belga foi informado das mortes pelas autoridades francesas.

Entre os mortos também está dois cidadãos portugueses, um residente em Paris e que trabalhava no transporte público, e outro com dupla nacionalidade francesa, .

Segundo uma fonte oficial, citada pela agência de notícias Lusa, o primeiro teria morrido nos arredores do Stade de France, ao norte da capital francesa, um dos locais que foram alvo dos mortais atentados da noite passada.

Dois romenos também morreram nos atentados, anunciou neste sábado o ministério de Relações Exteriores em Bucareste.

A informação foi confirmada pelas autoridades francesas, destacou um comunicado. O ministério não deu maiores detalhes.

Duas jovens irmãs tunisianas, de 34 e 35 anos, também morreram nos ataques, segundo o ministério das Relações Exteriores da Tunísia.

As jovens eram originárias de Menzel Bourguiba, perto de Bizerte (norte), viviam na região do Creusot (centro-leste), acrescentou a fonte.

Na noite de sexta-feira, as duas comemoravam o aniversário de uma amiga, em Paris, quando ocorreram os atentados, segundo declarações de uma fonte próxima às vítimas citada pela rádio Mosaique FM.

Cerca de 700.000 tunisianos vivem na França.

Uma estudante americana também morreu nos atentados, segundo confirmou sua universidade.

A jovem Nohemí González, de 20 anos, estudante de desenho da Universidade de Long Beach, Califórnia, estava em Paris fazendo intercâmbio, afirmou a instituição.

A embaixada dos Estados Unidos em Paris trabalha sem descanso para identificar cidadãos afetados pelos atentados, informou neste sábado o Departamento de Estado, destacando que vários americanos estão entre os feridos.

"Estamos a par de que há feridos americanos e oferecemos a eles toda a assistência consular possível", disse Mark Toner, porta-voz da diplomacia americana.

O funcionário não revelou quantos cidadãos foram afetados nem tampouco se há americanos entre os mortos nestes ataques reivindicados pelo grupo Estado Islâmico.

Além disso, figuram três chilenos, mortos no Bataclan, dois argelinos, um marroquino, dois mexicanos, e um sueco.

O Ministério brasileiro das Relações Exteriores confirmou dois brasileiros entre os feridos nos ataques. Um terceiro brasileiro também ficou ferido, mas levemente.




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Tudo o que se sabe sobre os terroristas que atacaram Paris


Talita Abrantes 
EXAME.com 

Reuters 
Pessoas prestam homenagens nas proximidades dos locais onde ocorreram
 atentados em Paris. No destaque, a frase: "Choramos, mas não tememos"

São Paulo – Um dia depois que uma onda de atentados deixou 129 mortos em Paris, a polícia francesa começa a juntar as primeiras peças do quebra-cabeça por trás do pior ataque da história da França desde a Segunda Guerra Mundial.

Ainda não se sabe ao certo quantas pessoas estão envolvidas nos atentados. No total, sete terroristas morreram durante as ações – apenas um foi identificado até o momento. Ele era francês e tinha 29 anos.

Na manhã deste sábado, o Estado Islâmico reclamou para si a autoria dos atentados.

1. Eles eram ligados ao Estado Islâmico
Na manhã de hoje, o Estado Islâmico reivindicou a autoria dos atentados. Em comunicado, o grupo terrorista afirma que os locais dos ataques foram escolhidos “minunciosamente no coração de Paris” e que a França é o principal alvo do grupo.

O país faz parte da coalizão que organiza ataques aéreos contra militantes do Estado Islâmico na Síria e no Iraque.

“Enquanto vocês mantiverem os bombardeios, vocês não viverão em paz. Vocês vão ter medo até de entrar no mercado", afirma o grupo no comunicado.

Em vídeo, divulgado neste sábado, o EI convoca militantes para atacar a França. “Há armas e carros disponíveis e alvos prontos para serem atacados", diz o vídeo. 

2. Um era francês e outros portavam passaportes da Síria e Egito
De acordo com o procurador francês, um dos terroristas era francês e vivia no subúrbio de Courcouronnes, na França. Ele tinha 29 anos e foi identificado por suas digitais.

Desde 2004, o homem, cuja identidade não foi revelada, tinha passagem pela polícia. Em 2010, foi considerado suspeito por envolvimento com grupos extremistas islâmicos – mas nunca foi preso.

A polícia encontrou um passaporte sírio de um homem nascido em 1980, segundo o The Guardian, junto com o corpo de um dos terroristas. Ele não era conhecido pela polícia francesa.

Outro passaporte encontrado com o corpo de um dos terroristas pertencia a um homem egípcio. Ainda não se sabe se os documentos eram, de fato, dos homens-bomba.

Mais cedo, ministro adjunto grego para assuntos de polícia, Nikos Toskas,afirmou que o passaporte encontrado com os terroristas era de um refugiado sírio que entrou na Grécia no último dia 3 de outubro por meio da Ilha de Leros junto com outros 69 refugiados.

3. Eles estavam divididos em três equipes coordenadas
Os terroristas estavam divididos, aparentemente, em três grupos coordenados: um no Stade de France e outros em dois carros pretos – um da marca Seat e outro modelo VW Polo.

Segundo o jornal The Guardian, um dos carros estava registrado no nome de um cidadão francês, que foi parado na fronteira da França com a Bélgica com outras duas pessoas.

4. Um dos homens-bomba tentou entrar no estádio, mas foi detido pela polícia
O terrorista que carregava o passaporte sírio portava também um ingresso para o jogo da França contra a Alemanha que acontecia durante os ataques.

Ao revistá-lo, um agente de segurança percebeu que o terrorista usava um colete de explosivos e o impediu de entrar no estádio, segundo informações do jornal The Wall Street Journal.

O guarda, identificado como Zouheir, tentou detê-lo, mas o homem detonou os explosivos. Três minutos depois, outro terrorista explodiu o colete de bombas nas redondezas e um terceiro, em uma unidade do McDonald´s próxima ao estádio.

5. As bombas eram de alto impacto
Os terroristas usavam um tipo de explosivo muito comum em ações terroristas orquestradas por radicais islâmicos feito à base de TATP (triperóxido de triacetona).

Segundo informações do The New York Times, as bombas traziam um detonador especial embalado com pregos para aumentar o poder letal do explosivo. 

6. Veja, em detalhes, como foi a ação dos terroristas

9h20 (horário local) - Uma pessoa morreu com a explosão da primeira bomba perto do Stade de France, onde ocorria um amistoso entre as seleções da França e Alemanha. O homem-bomba teria tentado entrar no estádio, mas foi impedido por um agente de segurança. [Apresentado com ícone vermelho no mapa]. 

9h25 – Terroristas armados com kalashnikovs alvejaram clientes e pessoas que passavam no bar Le Carillon e no restaurante Le Petit Cambodge. Os terroristas estavam em um carro preto da marca Seat. Quinze pessoas são mortas e 10 ficaram feridas .[Apresentados com ícones  laranja e verde no mapa]. 

9h30 – Outro homem-bomba suicida detonou explosivos perto do Stade de France. [Apresentado com ícone vermelho no mapa]. 

9h32 – Usando o mesmo carro, os terroristas alvejaram clientes e pessoas que passavam pelo bar La Bonne Biere. Cinco pessoas morreram e oito ficaram feridas. [Apresentado  com ícone azul no mapa]. 

9h36 – Provavelmente a mesma equipe de terroristas atirou contra clientes do restaurante La Belle Equipe. No total, 19 pessoas morreram e nove ficaram feridas. [Apresentado com ícone lilás no mapa]. 

9h40 – Terrorista detona explosivo dentro do restaurante Voltaire. Uma pessoa é gravemente ferida. [Apresentado com ícone amarelo no mapa]. 

9h40 – Em um VW Polo preto, três terroristas chegam à casa de espetáculos Le Bataclan. Eles fazem o público como refém e atiraram aleatoriamente. Cerca de 89 pessoas morreram. [Apresentado com ícone preto no mapa]. 

9h53 – Terceiro suicida explode bomba na rua Coquerie, próximo ao estádio. 

0h20 – A polícia entra no Bataclan e mata um terrorista. Os outros explodem as bombas que vestem. 

Veja no mapa:






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O ódio dos jihadistas em relação à França é específico, mas não exclusivo


AFP

AFP / ALAIN JOCARD 
Torre Eifell com suas luzes diminuídas 
em homenagem às vítimas dos atentados de Paris

A França é um alvo privilegiado, mas não único, dos jihadistas que recriminam o país da proibição do uso do véu islâmico nas escolas até sua participação na coalizão contra o grupo Estado Islâmico (EI).

"Se você quiser matar um infiel americano ou europeu, em particular os malignos e sujos franceses, contem com Alá e mantem-nos de qualquer maneira", proclamou em setembro de 2014 um porta-voz do EI, Abu Mohamed al Adnani, depois do início dos bombardeios da coalizão contra sua organização no Iraque.

Inspirados ou não por essa convocação, os jihadistas atacam com violência inusitada a França há um ano.

Em janeiro, 17 pessoas morreram nos atentados contra a revista satírica Charlie Hebdo, contra uma policial e contra um supermercado kosher. Em junho, um homem decapitou seu empregador no leste da França.

Na sexta, a série de ataques, incluindo pela primeira vez camicases, deixaram 128 mortos e 300 feridos em Paris.

"A França é um alvo por causa de suas atividades antiterroristas no norte e centro da África, mas também por causa de supostos maus-tratos e discriminações contra a minoria muçulmana do país", assinala Matthew Henman, do centro londrino IHS Jane's, especializado em questões de defesa.

A França, cujo exército combateu os islamitas no Mali e apoia a ação africana contra o grupo nigeriano Boko Haram, realizou 283 bombardeios contra o EI no Iraque desde o início de suas operações nesse país, em setembro de 2014.

Desde outubro de 2015, também atua na Síria, onde os aviões de combate franceses realizaram cinco bombardeios contra cmpos de treinamento do EI e instalações petroleiras. Seu porta-aviões "Charles de Gaulle" estará na região em dezembro para intensificar essa campanha.

Uma testemunha do ataque à casa de shows Le Bataclan, Pierre Janaszak, afirmou ter ouvido claramente os agressores dizer aos reféns: 'a culpa é de (presidente François) Hollande".

No obstante, Shashank Joshi, investigador del Royal United Services Institute (Rusi) de Londres, considera que "los pretextos y las causas de tales ataques son sumamente complejos y rara vez hay un solo factor en juego".

"Não acho que a França ficará protegida se cessar os bombardeios, porque os terroristas a acusaria de outras coisas", comenta.

Captação
Além de sua ação no cenário internacional, a França é geralmente criticada pelos islamitas radicais por sua concepção de laicismo, que levou à proibição do véu muçulmano nos colégios franceses em 2004 e do véu integral nas ruas em 2010.

A concepção francesas de liberdade de expressão, que permite criticar livremente as religiões, também colocou o país na mira dos extremistas, como no caso da Charlie Hebdo, que publicou charges do profeta Maomé.

Os cinco milhões de muçulmanos que vivem na França, a maior comunidade muçulmana da Europa, sofre muitas discriminações, em particular no emprego, segundo recente pesquisa do centro de reflexão Instituto Montaigne.

O sociólogo Raphaël Liogier, catedrático do Instituto de Estudos Políticos da Universidade de Aix-en-Provence, afirma que a França é o país em que há mais frustrações nesse debate sobre o Islã e, disso, resulta o processo de captação de jovens por parte dos jihadistas.

Importantes contingentes de jihadistas do EI procedem da França, e 571 franceses ou residentes na França se encontram hoje no Iraque e na Síria, sendo que 245 regressaram para casa e 141 morreram fora do país.

Esses combatentes têm o objetivo de atacar seu país de origem.

A França não é o único país a sofrer ataques jihadistas este ano: mais de 200 russos morreram em 30 de outubro na queda de um avião no Sinai egípcio, ação reivindicada pelo EI. Iêmen, Tunísia, Turquia e Líbano também figuram nesta triste lista.




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Três grupos coordenaram ataques em Paris


Veja online
Com informações Agências Internacionais

Procurador da cidade confirmou que atos de terror aconteceram de foram organizada. Segundo presidente Hollande, resposta francesa será "implacável"

(Foto: VEJA.com/AFP) 
Homenagens nos locais dos atentados em Paris 

O governo francês confirmou neste sábado (14) que a série de atentados em Paris foi arquitetada por três equipes de terroristas. Em pronunciamento oficial à nação, o presidente François Hollande classificou os ataques como: "um ato de guerra, cometido por exércitos jihadistas, terroristas, do Estado Islâmico, contra a França". "Os ataques foram preparados, organizados e planejados a partir de países estrangeiros, com a cumplicidade de alguém de dentro da França", completou o presidente.

 Conforme o número de vítimas aumenta - 129 mortos, 352 feridos e 99 pessoas em estado grave -, a ordem dos seis ataques coordenados e a autoria das atos começam a ser investigadas.

Segundo o procurador de Paris François Molins, os ataques começaram quando um dos terroristas fortemente armado abriu fogo próximo a um dos portões do estádio de futebol Stade de France, onde acontecia uma partida entre França e Alemanha. Segundo o procurador, sete dos terroristas responsáveis pelos atentados foram mortos.


Em entrevista, o procurador destacou ainda o armamento usado pelos terroristas. Fuzis AK-47 e uma grande quantidade de explosivos deixava evidente a intenção de fazer o maior número de vítimas possíveis. 

O presidente francês decretou três dias de luto no país e frisou que tropas militares continuarão a patrulhar a capital francesa. Na tarde deste sábado uma megaoperação de segurança foi realizada na Torre Eiffel, embora nenhuma suspeita de um novo ato terrorista tenha sido confirmada.

Em seu pronunciamento, Hollande prometeu ser "implacável com os bárbaros do Estado Islâmico" e usar "todos os meios necessários" para pôr fim ao terror no país.





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Vídeo mostra desespero de pessoas fugindo de ataque em Paris


Talita Abrantes
EXAME.com 

Philippe Wojazer/Reuters 
Homem ferido é acompanhado por policial após ataques em Paris. 

São Paulo – Um jornalista do jornal francês Le Monde captou imagens da fuga dramática dos sobreviventes do atentado à casa de shows Bataclan, onde os terroristas fizeram reféns e mataram cerca de 80 pessoas na noite de ontem 

Daniel Psenny, que fez as filmagens, mora em uma rua atrás da casa de shows. De acordo com informações do jornal britânico Telegraph, o jornalista foi ferido por uma bala após descer do seu apartamento para ajudar as vítimas.

Nas imagens, é possível ver pessoas tentando fugir pelas janelas do segundo andar da casa de shows, além do som de gritos e tiros vindos de dentro do espaço. As cenas mostram pessoas feridas sendo carregadas e algumas vítimas estendidas no chão.

A casa de espetáculos foi tomada por volta das 21h30 da sexta-feira por quatro homens que começaram a disparar aleatoriamente contra a multidão. A banda Eagles of the Death Metal, que se apresentava no local, conseguiu escapar pelos fundos do espaço. 

 As imagens são fortes. 

Images de la fusillade au Bataclan por lemondefr








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Ataques sangrentos de Paris revelam 'próxima fase' do EI


Exame.com
Com informações Agência AFP 

Christian Hartmann/Reuters 
Equipes trabalham para retirar pessoas perto de casa de shows em Paris, 
após ataques: especialistas consideram ataques uma nova fase do Estado Islâmico

São Paulo - A destreza com que o Estado Islâmico executou os ataques sangrentos em Paris revela a sofisticação crescente e o alcance de sua rede jihadista mundial, indicam analistas neste sábado.

Pelo menos 129 pessoas morreram na sexta-feira na capital em tiroteios e ataques com homens-bomba, que o presidente francês, François Hollande, qualificou de "atos de guerra".

Ao reivindicar os atentados, o Estado Islâmico se vangloria de que "oito irmãos com cintos explosivos e fuzis de assalto" lançaram o "bendito ataque... à França Cruzada".

Os ataques, simultâneos e coordenados, ocorreram um dia depois de 40 pessoas morrerem em dois atentados suicidas a bomba em um subúrbio ao sul de Beirute, que também foram reivindicados pelo EI.

A rede jihadista tem ameaçado insistentemente os países europeus, inclusive a França, com atos violentos.

Em um vídeo difundido em julho, um combatente diz, em francês, que o EI "matará vocês nas ruas de Paris".

Mas os ataques na capital francesa são o primeiro caso de grande magnitude na Europa.

Especialistas afirmam que os ataques demonstram a evolução do EI em sua passagem de operações localizadas no Iraque e na Síria para o Ocidente.

"A passagem para a França representa, aparentemente, a próxima fase do EI", afirmou Clint Watts, do Foreign Policy Research Institute.

"Agora, veremos que se distanciarão pouco a pouco das operações convencionais e insurgentes no Iraque e na Síria para uma realização de ataques terroristas por parte de sua ampla rede", acrescentou.

'Ataque sem precedentes'
Desde o ataque, em janeiro, contra o semanário satírico Charlie Hebdo, agentes da polícia e e interesses judaicos, a polícia francesa deteve vários indivíduos com supostos vínculos com o EI.

A série de eventos, segundo o analista do jihadismo Aymenn al Tamimi, indica que "é questionável considerar (os ataques de Paris) como uma mudança na estratégia" do EI. Mas, sim, demonstram uma mudança no percentual de êxito, acrescentou Tamimi.

"É, sem dúvida, um ataque sem precedentes para eles em termos de resultados na Europa. Mostra que têm redes sofisticadas na Europa, não só compostas por fanáticos lobos solitários", acrescentou.

Na medida em que a França centraliza seu combate contra o fanatismo, enquanto ao mesmo tempo há um número importante de cidadãos franceses ingressando nas fileiras dos combatentes do EI, Paris se tornou um alvo lógico, acrescentou Tamimi.

Os ataques simultâneos consistiram em tiroteios, ataques suicidas com cintos carregados de explosivos e tomadas de reféns no Stade de France, ao norte de Paris, e em restaurantes, cafés e na casa de shows Bataclan, situados em bairros do leste de Paris.

Charlie Winter, acadêmico especializado no EI, diz que "é a trajetória lógica na estratégia do EI".

O grupo EI "está passando da expansão e consolidação no Iraque, na Síria e na Líbia para a certeza de que este é o momento indicado para realizar ataques em países estrangeiros como o Líbano, o Golfo e a França".

Para Watts, a demora da França em "reconhecer seus problemas com o extremismo" abriu uma via para o EI construir uma rede jihadista.

"A França tem um sério problema. Per capita, tem o maior número de combatentes estrangeiros que vão e vêm da Síria", assim como uma série "de vias fáceis para (a ação d) os terroristas" que não tem paralelo na Europa.

Investindo contra o Ocidente
"Grande parte do que estamos vendo agora surge do excesso de combatentes estrangeiros que se deslocam para o interior da União Europeia", acrescentou.

E na medida em que os esforços do governo tornarem mais difícil a ida de radicais franceses para o Iraque a Síria, agora eles "podem agir em casa", afirmou.

Na sexta-feira, a polícia e uma fonte próxima às investigações indicaram que um francês seria um dos quatro atacantes que invadiram o show no Bataclan.

Em sua reivindicação, o EI acusa a França de "atingir muçulmanos no califado com seus aviões" e ameaça lançar mais ataques "se [Paris] prosseguir sua campanha cruzada".

A França faz parte de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos, que faz uma guerra aérea contra o EI tanto na Síria quanto no Iraque. Lançou ataques aéreos no Iraque por mais de um ano, estendendo-os para a Síria em setembro.

Na sexta-feira, as forças curdas iraquianas, apoiadas por ações aéreas da coalizão liderada pelos Estados Unidos expulsaram o EI da estratégica cidade iraquiana de Sinjar, que está em uma importante rota de abastecimento.

No mesmo dia e na mesma rota, uma coalizão de árabes e combatentes curdos tiraram o EI da cidade de Al Hol, situada no nordeste da Síria.

E as forças do governo sírio acabaram na quarta-feira com o assédio de um ano do EI ao redor de uma base aérea no norte do país.

Na medida em que a rede jihadista enfrenta derrotas em zonas de seu "califado", ela aumentará suas ações em outros locais no exterior.

"Se o EI não obtém êxitos em sua zona de operações, aumentará sua violência na região e no Ocidente", disse Watts.

"Paris parece o local onde podem fazê-lo", concluiu.




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Polícia belga realiza várias prisões ligadas a ataques em Paris, diz ministro


O Globo
Com Agências Internacionais

Segundo ministro grego, passaporte sírio encontrado ao lado de um dos agressores pertencia a migrante que chegou à UE pela Grécia

HENDRIK DEVRIENDT / AFP 
 Polícia belga realiza em Bruxelas operação contra 
supostos terroristas ligados a atentados em Paris  

ATENAS — Após buscas em um distrito de Bruxelas, a polícia belga realizou várias prisões neste sábado de pessoas supostamente ligadas aos ataques em Paris reivindicados pelo Estado Islâmico que deixaram ao menos 129 mortos, informou o ministro da Justiça da Bélgica. Em uma mensagem no Twitter, Koen Geens disse que as ações estavam relacionadas a um veículo com placa belga visto perto da casa de shows Bataclan, onde mais de 70 pessoas morreram na sexta-feira.

O número de detenções não foi confirmado, mas uma fonte próxima das operações citada pela mídia estatal “RTBF” afirmou que cinco pessoas haviam sido presas. Segundo a imprensa, as buscas policiais continuam no distrito de Molenbeek, em Bruxelas.

Outro suposto agressor, detentor de um passaporte sírio encontrado perto do corpo de uma dos atiradores, passou pela Grécia em outubro, informou o vice-ministro grego responsável pela polícia, Nikos Toskas. Uma fonte da polícia grega disse que o homem chegou a Leros com um grupo de 69 refugiados e que suas impressões digitais foram coletadas pelas autoridades na ilha. A identidade dele, no entanto, não foi revelada

“O detentor do passaporte passou pela ilha de Leros em 3 de outubro de 2015, onde foi identificado de acordo com as regras da União Europeia”, disse Nikos Toskas, em nota.

A autenticidade do documento reforça a tese de que o terrorista possa ter chegado à Europa com os refugiados. Mas como os passaportes sírios são conhecidos por serem moedas valiosas entre todos os requerentes de asilo no continente, ainda não é possível confirmar se o dono é de fato um dos agressores. Um passaporte egípcio também foi encontrado próximo ao corpo de outro agressor.

CHRISTIAN HARTMANN / REUTERS 
Após ataques, corpo de vítima é visto do lado de fora do teatro Bataclan 

Mais cedo, a polícia anunciou que um dos agressores no teatro Bataclan é um cidadão francês foi identificado pelas impressões digitais. O homem teria cerca de 30 anos e já tinha sido fichado pelas autoridades por ligações com radicais islâmicos.

As autoridades alemãs também elevaram o estado de alerta depois dos ataques em Paris. O ministro de Interior alemão, Thomas De Maiziere, confirmou neste sábado que um homem suspeito de ter relação com os atos terroristas foi preso na região da Baviera no dia 5 de novembro. Aparentemente, ele estava a caminho de Paris em um carro carregando armas e explosivos.

Oito agressores morreram nos ataques, sete deles ao detonarem explosivos e outro foi abatido pelas forças de segurança. Três homens detonaram explosivos que carregavam, se matando perto do Stade de France; outros três homens-bomba teriam se explodido no teatro Bataclan, e um quarto foi morto durante o ataque da polícia ao local; outro homem-bomba teria detonado explosivos próximo ao Boulevard Voltaire. Os corpos de todos eles estão sendo estudados e o DNA coletados.




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Imprensa francesa destaca 'Guerra em Paris'


Veja online

Jornais da França convocam a população a "enfrentar" a situação depois da onda de atentados que sacudiu a capital

 (Franck Fife/AFP)
 Peritos inspecionam o local de um ataque do lado de fora
do Stade de France, em Saint-Denis, norte de Paris

"Guerra em Paris", destacou a imprensa francesa na manhã deste sábado, convocando a população a "enfrentar" a situação após a onda de atentados que sacudiu a capital francesa.

A manchete do Le Figaro era "A Guerra em plena Paris", na mesma linha do Le Parisien/Aujourd'hui en France, que estampou: "Desta vez, é a guerra".

"A barbárie terrorista superou uma etapa histórica", escreveu o diretor do jornal Libération, Laurent Joffrin.

"É impossível não ligar estes eventos sangrentos aos combates que ocorrem no Oriente Médio. A França tem seu papel e deve prosseguir com suas ações sem pestanejar".

Para o l'Est républicain, "a ameaça terrorista chegou ao solo francês e agora há um estado de guerra permanente", enquanto a manchete do jornal esportivo L'Equipe foi "O Horror".

"Nós éramos Charlie, agora somos Paris!" - escreveu o République des Pyrénées.

Ao menos 120 pessoas morreram na noite de sexta-feira em Paris em uma série de ataques terroristas, que incluiu uma chacina em uma casa de espetáculos e outros cinco atentados nas imediações do Stade de France.

O presidente francês, François Hollande, decretou estado de emergência, anunciou o fechamento das fronteiras do país e mobilizou reforços militares para enfrentar os "ataques terroristas sem precedentes".




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Hollande acusa Estado Islâmico e promete revidar


Veja online
Com informações Estadão Conteúdo

O presidente francês declarou três dias de luto nacional e colocou a segurança da nação em seu nível mais alto

(VEJA.com/Reprodução) 
Presidente francês François Hollande faz pronunciamento 
após sequência de atentados terroristas no país 

O presidente francês, François Hollande, disse na manhã desta sexta-feira que o grupo Estado Islâmico orquestrou o pior ataque na França desde a Segunda Guerra Mundial e prometeu revidar.

Hollande disse após a reunião de segurança de emergência, neste sábado, que o número de mortos oficial subiu para 127, na série de ataques simultâneos na sexta à noite. No entanto, outras fontes afirmam que as vítimas fatais já passam de 150.

O presidente declarou três dias de luto nacional e colocou a segurança da nação em seu nível mais alto. Ele disse que a França "vai ser implacável para com os bárbaros do Estado Islâmico". "A França vai agir por todos os meios em qualquer lugar, dentro ou fora da país". A França já está bombardeando alvos dos extremistas na Síria e no Iraque e tem tropas lutando com extremistas na África.

Mais cedo, o Vaticano condenou "da maneira mais radical" os ataques terroristas em Paris. O reverendo Federico Lombardi disse em um comunicado que a madrugada de sábado foi "um atentado à paz para toda a humanidade".

Lombardi disse que o Vaticano estava rezando pelas vítimas e feridos.




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Terror em Paris - Vídeos


Relatos, vídeos e comentários sobre os ataques compartilhados nas redes sociais


Atendimento a feridos no teatro Bataclan







Movimento nas ruas de Paris logo após os atentados




Vídeo feito instantes após explosão perto do Stade de France




Vídeo mostra tiroteio nas ruas e socorro a feridos




Torcedores cantam o hino francês na saída do Stade de France, em reação aos ataques







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Presidente francês acusa Estado Islâmico de cometer "ato de guerra"


AFP

François Hollande disse que país será "implacável" na caçada aos responsáveis por atentados que deixaram mais de uma centena de mortos


O presidente francês, François Hollande, acusou neste sábado o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) de ser responsável pelos ataques realizados na sexta-feira à noite em Paris, que fizeram 128 mortos e 250 feridos.

"O que aconteceu ontem foi um ato de guerra (...) que foi cometido pelo Daesh (acrônimo em árabe de EI). Ele foi preparado, organizado, planejado no exterior, com cúmplices internos que a investigação deverá estabelecer", declarou Hollande durante uma breve alocução no palácio do Eliseu.

O presidente francês, que acabara de se reunir com um conselho de defesa no qual participaram os principais ministros do governo, denunciou "um ato de barbárie absoluta".

"A França será implacável", assegurou, indicando que "todas as medidas para assegurar a segurança dos cidadãos serão tomadas como parte do estado de emergência" decretado à noite.

"As forças de segurança internas e o exército estão mobilizados no mais alto nível de suas possibilidades" e "todos os dispositivos de segurança foram reforçados", assegurou.

"As famílias estão sofrendo. O país está despedaço", declarou o chefe de Estado, antes de anunciar a sua decisão de estabelecer um luto nacional de três dias. Ele também anunciou que falará na segunda-feira ante o Parlamento francês reunido em Congresso em Versalhes, perto de Paris, "para unir a Nação nesta provação".

"O que estamos defendendo é a nossa pátria, mas é muito mais do que isso, são os valores da humanidade e a França vai assumir as suas responsabilidades", declarou solenemente François Hollande, que chamou os franceses "a se unir e manter o sangue frio".

Estado Islâmico reivindica atentados de Paris 
O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) reivindicou neste sábado os ataques que deixaram pelo menos 128 mortos em Paris, em um comunicado publicado na internet, afirmando que a França continuará a ser um de seus principais alvos.

"Oito irmãos usando cintos explosivos e armados com fuzis atacaram locais cuidadosamente escolhidos, no coração de Paris", afirma o comunicado, publicado em duas versões, em árabe e em francês.

"Que a França e aqueles que seguem seu caminho saibam que permanecerão entre os alvos do Estado Islâmico", acrescentou a organização extremista sunita.

Segundo o comunicado, os ataques de Paris seriam uma resposta aos "bombardeios contra os muçulmanos em terras do califado", um termo geralmente utilizado para designar as regiões do Iraque e da Síria controladas pelo EI.

A França, que participa de uma coalizão internacional, realiza ataques aéreos contra os jihadistas no Iraque e na Síria.

Mais cedo, o presidente francês, François Hollande, já havia acusado o EI de ter cometido "um ato de guerra" em Paris.

Horror e choque
A França acordou neste sábado em estado de choque após uma noite de pesadelo, em que 128 pessoas foram mortas em uma série de ataques terroristas em Paris e sua região metropolitana.

Dez meses após os atentados jihadistas contra a revista satírica Charlie Hebdo, policiais e judeus, as autoridades franceses decretaram estado de emergência.

Oito terroristas morreram, incluindo sete que se explodiram, nesta série de ataques realizados em Paris na casa de espetáculos Bataclan, em várias ruas no coração da capital, e perto do Stade de France, onde o presidente François Hollande assistia a uma partida entre as seleções da França e Alemanha.

Ao todo, seis ataques quase simultâneos a partir das 21H20 (18H20 de Brasília), foram registrados em vários locais, principalmente no leste de Paris.

Estes ataques ainda não foram reivindicados, mas a suspeita recaiu imediatamente sobre o movimento islamita: esta "terrível provação (...) nós sabemos de onde vem, de criminosos, de terroristas", declarou o presidente François Hollande, que decretou estado de emergência em todo o território.

Os primeiros testemunhos de sobreviventes apontam que os atiradores gritaram "Alá Akbar" (Deus é grande) e citaram a intervenção francesa na Síria para justificar as ações.

"Eram pessoas familiarizadas no manuseio de armas de guerra. Eram homens muito determinados, que recarregavam metodicamente suas armas. Sem escrúpulos", relatou Julian Pearce, um jornalista da rádio Europe 1, que estava no Bataclan e descreveu um dos agressores como uma "máquina de matar", que "abatia metodicamente as pessoas caídas no chão".

A escala desta tragédia semeou terror na capital, a duas semanas da conferência sobre o clima da ONU em Paris (COP21), onde são esperados mais de uma centena de chefes de Estado e de Governo.

No total, pelo menos 128 pessoas foram mortas e cerca de 180 ficaram feridos, incluindo 80 gravemente, de acordo com fontes próximas à investigação.

A Justiça abriu uma investigação por assassinatos em conexão com o terrorismo sobre esses ataques, os mais mortíferos na Europa desde os atentados islâmicos em Madri, em março de 2004.

"A prioridade é identificar os corpos, incluindo os dos terroristas, que em sua maioria foram pulverizados quando explodiram a si mesmos", explicou uma fonte policial à AFP.

No campo, equipes de legistas começaram na sexta-feira à noite os trabalhos.

Eles vão assistir "horas de imagens de circuitos de segurança interna para determinar as circunstâncias" dos ataques, indicou uma fonte policial, acrescentando: "Uma vez identificados os terroristas, vamos determinar se tiveram a ajuda de cúmplices".

Quatro terroristas morreram no Bataclan, incluindo três ao ativar um cinto de explosivos, o último foi morto durante a intervenção das forças da ordem.

Três homens-bomba morreram no Stade de France, e outro no Boulevard Voltaire, no centro de Paris.

No Bataclan, a intervenção policial foi decidida "muito rapidamente, porque eles estavam matando todo mundo", indicou uma fonte próxima à investigação.

"Um verdadeiro açougueiro. Dentro da casa, pessoas com tiros na cabeça, pessoas que foram atingidas quando estavam no chão", relatou, em frente ao local, um policial que participou da intervenção durante a noite.

O presidente Hollande visitou ainda na noite de sexta-feira o Bataclan, onde afirmou que "a batalha será implacável" contra a "barbárie".

Mais cedo, em um discurso televisionado, o chefe de Estado havia declarado estado de emergência, denunciando "uma monstruosidade" e "ataques terroristas sem precedentes".

O Eliseu anunciou a mobilização de 1.500 militares adicionais e o reforço dos controles nas fronteiras. Um Conselho de Defesa estava em andamento neste sábado no Palácio do Eliseu.

'Coordenação internacional'Pelo menos 82 pessoas morreram na casa de espetáculos Bataclan, lotada com quase 1.500 espectadores quando os terroristas invadiram o local durante a apresentação do grupo americano Eagles of Death Metal.

"Eu os escutei claramente dizer aos reféns 'é a culpa de Hollande, é a culpa do presidente de vocês, que não deveria intervir na Síria'", relatou à AFP Pierre Janaszak, apresentador de rádio e TV.

Em um movimento de união nacional, os principais partidos franceses já anunciaram a suspensão de sua campanha para as eleições regionais marcadas para dezembro.

Na região de Paris, as escolas e universidades foram fechadas neste sábado e os eventos esportivos suspensos neste fim de semana.

O chefe da diplomacia francesa, Laurente Fabius, considerou neste sábado "mais do que nunca necessário coordenar a luta internacional contra o terrorismo", pouco antes da abertura de uma cúpula sobre a Síria em Viena.

"Um dos objetivos da reunião de hoje em Viena é precisamente ver concretamente como podemos aumentar nossa coordenação internacional na luta contra o Daesh (acrônimo em árabe do grupo Estado Islâmico)".

A comunidade internacional condenou os ataques, que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, chamou de atentado "contra toda a humanidade", e transmitiu sua solidariedade à França.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, chamou os ataques de "crime contra a humanidade" e adiou a viagem prevista para a Itália, no sábado, e França, na segunda-feira.




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Terror e covardia em Paris


Rodrigo Turrer
Revista ÉPOCA

Ataques simultâneos, tiroteios, explosões e fuzilamento a sangue-frio deixam a França em pânico. É o pior atentado já vivido pelo país


Os parisienses mal tiveram tempo de superar o luto pelo massacre no jornal satírico Charlie Hebdo, em janeiro deste ano. A Cidade Luz, berço dos ideais republicanos e iluministas foi, mais uma vez, palco de uma série de violentos atentados na sexta-feira, dia 13 de novembro. Para muitos, o 7 de janeiro de 2015, quando radicais islâmicos invadiram a redação do Charlie Hebdo, era o 11 de setembro da França. Mas o 13 de novembro se revelou um dia ainda mais negro. Ataques com tiros e explosões em ao menos cinco pontos diferentes da capital francesa deixaram ao menos 140 mortos. É o pior atentado da história da França.

As informações preliminares dão conta de uma série de ataques coordenados e preparados para acontecer bem no dia de um importante jogo de futebol, o amistoso entre Alemanha e França, noStade de France, em Paris. Durante a partida, onde estavam presentes o presidente François Hollande e autoridades francesas foi possível ouvir explosões. Ao menos três estrondos ocorreram dentro do estádio, no bairro de Saint-Denis. Hollande e outras autoridades foram retirados às pressas do local. A polícia confirmou que as explosões vieram de dentro do estádio. O jogo prosseguiu, mas os acessos ao estádio foram fechados. Ao fim do jogo, os alto-falantes pediram calma na saída dos presentes. Muitas pessoas ocuparam o gramado, com medo da situação. Um espectador que estava no estádio disse ao jornal francês Le Figaro que a saída foi caótica. “Na saída, metade das portas do estádio estava bloqueada. Os espectadores gritaram ‘fuzilamento, fuzilamento’.” 

O fuzilamento não ocorreu no estádio, mas a alguns quilômetros dali, no 11º Distrito, dentro do famoso teatro Bataclan. Ali, centenas de pessoas estavam reunidas para assistir ao show da banda californiana Eagles of Heavy Metal. Na metade do show, segundo testemunhas, entre seis e oito atiradores, com os rostos cobertos e armados com fuzis kalashnikov e armas automáticas, começaram a atirar contra os espectadores. Um deles teria gritado “Allahu akbar” (Deus é grande, na tradução do árabe). A correria foi grande. E pelo menos 100 pessoas morreram, segundo divulgou a prefeitura de Paris na noite da sexta-feira. Uma testemunha que conseguiu escapar do Bataclan relatou a um jornal francês: “Conseguimos fugir. Havia sangue para todo lado. Eles atiraram a esmo contra a multidão”. Um jornalista da emissora Europa 1 que estava no local disse que os terroristas estavam calmos. E que tiveram tempo de recarregar as armas ao menos três vezes. Segundo a polícia, havia explosivos presos aos corpos de alguns dos reféns.

Perto dali, no 10º Distrito, 11 pessoas foram assassinadas por ao menos um atirador armado com um fuzil kalashnikov, no restaurante Le Petit Cambodge. A área do primeiro tiroteio é próxima à Praça da República, área muito movimentada de Paris. De acordo com testemunhas, os agressores fugiram depois de disparar mais de 100 vezes, e pessoas estavam sendo retiradas às pressas do local – também perto do Canal Saint-Martin, área muito frequentada às sextas-feiras à noite. Uma testemunha que estava perto da Rue de La Fontaine-au-Roi relatou as cenas de terror. “Passamos de scooter, e a polícia não havia chegado ainda. As pessoas gritavam: ‘Não vá para lá. Há tiros, rajadas’. Vi quatro ou cinco corpos no chão e um mar de sangue. Todos estavam fugindo ou se escondendo nos restaurantes.”

O governo francês decretou estado de urgência no país. Com as medidas de exceção, a polícia terá direito de vasculhar locais privados. As fronteiras do país serão fechadas. Ninguém poderá entrar ou sair. As linhas de metrô foram interrompidas. O presidente francês François Hollande afirmou que “um ataque terrorista sem precedentes está em curso no país” e recomendou que as pessoas não saiam de casa. Universidades, escolas e estabelecimentos municipais ficarão fechados no fim de semana.

(Foto: Christian Hartmann/Reuters) 
MORTE
Polícia em Paris ao lado de corpos nas ruas. 
As autoridades pediram para as pessoas buscarem abrigo durante a noite de confusão 

O terrível atentado ocorre em um momento em que a França intensificou sua participação na Guerra Civil da Síria. Em setembro, o país ordenou seus primeiros ataques contra o Estado Islâmico em território sírio. Analistas acreditam que seja grande a possibilidade de os atentados terem sido cometidos por “lobos solitários”, radicais islâmicos que moram em países europeus e dispostos a cometer atrocidades.

O surpreendente, no entanto, é o nível de coordenação dos ataques. Algo similar foi visto na Europa pela última vez em 7 de julho de 2005, quando quatro atentados suicidas coordenados em três estações de metrô e ônibus em Londres deixaram 56 mortos e 700 feridos. Na ocasião, os ataques foram reivindicados pela al-Qaeda. Essa seria uma mudança radical no estilo do Estado Islâmico. Até o momento, o EI promoveu, principalmente, ataques a mesquitas, prédios de instituições e vários ataques a bala em países árabes, além de incursões como a do Charlie Hebdo. Há pelos menos dois meses, no entanto, o alto escalão da inteligência americana alertava para o perigo de o Estado Islâmico estar se preparando para possíveis ataques em massa. O grupo estaria estudando a mudança de foco em ataques de lobos solitários em outros países para organizar atentados de grande impacto, a exemplo da al-Qaeda. “Acredito que estejam usando muitos dos recrutas que não têm tempo para treinar para criar um tipo de atentado em massa que produza atenção midiática”, afirmou em agosto o tenente-general Mark Hertling, da CIA. 

Estima-se que 20 mil a 30 mil estrangeiros combatem na Síria e no Iraque pelo EI. Muitos deles, com cidadania europeia, têm facilidade para entrar e sair do continente. Os atentados em Paris também acontecem no momento em que a França aumentou as medidas de segurança para a Conferência do Clima, a COP21, organizada pela ONU, prevista para começar na capital francesa no dia 30 de novembro. A Conferência reúne representantes de 190 países, inclusive diplomatas e chefes de Estado. Mesmo com todos os preparativos para evitar atentados às vésperas da Conferência, a inteligência francesa não conseguiu evitar os ataques.

Líderes de vários países declararam solidariedade. O presidente americano Barack Obama disse que daria todo o apoio à França, “o mais antigo aliado dos Estados Unidos”, e afirmou que o atentado era um “ataque a toda a humanidade”, e que a França “representa os valores eternos do progresso humano”. A chanceler alemã Angela Merkel disse estar em “choque” e horrorizada com os ataques. “Neste momento, meus pensamentos vão para as famílias da vítimas desse terrível atentado.” Os franceses também se demonstraram solidários. Diante da tragédia na capital francesa os parisienses estão usando a hashtag ‪#‎PorteOuverte (Porta Aberta) para receber quem está longe de casa e precisa de um lugar seguro. A hashtag se tornou uma das expressões mais usadas no Twitter, entrando nos trending topics mundiais. Muitos dos que pediram auxílio são pessoas que ficaram retidas no Stade de France, no jogo entre França e Alemanha. As luzes da Torre Eiffel foram apagadas em sinal de luto. Solidariedade talvez seja a única arma capaz de aliviar a dor causada pelo mais terrível ataque terrorista na história da França.




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A cronologia dos atentados


Veja online

A sequencia de ataques terroristas aconteceu na noite de sexta-feira em Paris e matou 128 pessoas

(VEJA.com/VEJA) 


21:20 - Explosão nas proximidades do estádio Stade de France, no bairro de Saint Dennis, no norte de Paris. França e Alemanha disputavam uma partida de futebol.

21:25 - Disparos no bar Le Carillon e no restaurante Le Petit Cambodge, na rua Alibert, no 10º distrito

21:27- Minutos depois, foram ouvidos disparos na pizzaria La Casa Nostra, na Rue de la Fontaine -au roi

21:29- Novos disparos aconteceram na Avenida de la Republique

21:30- Segunda explosão nos arredores do estádio Stade de France

21:38 - Disparos no bar La Belle, na rue de Charonne, no 11º distrito

21:49 - Atiradores fizeram reféns e abriram fogo contra o público que assistia ao show da banda Eagles of Death Metal, na casa de espetáculos Bataclan. A casa está localizada no Boulevard Voltaire, no 11º distrito

21:53- Terceira explosão no estádio Stade de France

22:00- Disparos na rua Beaumarchais, perto da casa de shows Bataclan




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Estado islâmico diz que ‘Paris é a capital do adultério e do vício’


Redação
Diário do Poder

'Para ensinar a França e todas as nações que seguem seus passos'

 (FOTO: CHRISTELLE ALIX/ ÉLYSÉE – 
PRÉSIDENCE DE LA RÉPUBLIQUE FRANÇAISE)
EL diz que os ataques foram uma resposta contra a campanha militar 
da França contra o grupo e os insultos no país ao profeta do Islã 

No comunicado em que o Estado Islâmico (EI) reivindicou os ataques em Paris, os militantes disseram que eles foram planejados para mostrar que a França continuará em perigo enquanto mantiver as atuais medidas contra os terroristas. O grupo diz que os ataques foram uma resposta contra a campanha militar da França contra ele e os insultos no país ao profeta do Islã. 

"Para ensinar a França e todas as nações que seguem seus passos que eles continuarão no topo da lista de alvos do Estado Islâmico e o cheiro de morte não deixará seus narizes enquanto eles tomarem parte da sua campanha de cruzadas", escreveu o grupo. 

O grupo disse ainda que "oito irmãos com explosivos na cintura e fuzis fizeram vítimas em lugares escolhidos previamente e cuidadosamente no coração de Paris" que eles chamaram de "capital do adultério e do vício". 

"Incluindo o estádio de futebol onde a França estava jogando com a Alemanha, e o teatro Bataclan, onde uma banda de rock americana estava tocando e milhares de apóstatas assistiam e participavam de uma festa adúltera", diz o comunicado, se referindo ao grupo Eagles of Death Metal. (AE)




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Estado Islâmico pede em vídeo que muçulmanos ataquem França


Exame.com
Eric Knecht, Agência Reuters

Reprodução/LiveLeaks 
Estado Islâmico divulga vídeo de execuções: 
de acordo com informações do site SITE Intel Group, 
homens seriam espiões do regime iraquiano

Cairo - O Estado Islâmico divulgou um vídeo sem data neste sábado incitando muçulmanos que não podem viajar para a guerra santa na Síria realizarem ataques na França, um dia após atiradores e homens-bomba matarem pelo menos 127 pessoas em Paris.

"Vocês certamente receberam ordens para lutar contra o infiel onde ele estiver - que vocês estão esperando? Há armas e carros disponíveis e alvos prontos para serem atacados", afirmou um militante do Estado Islâmico, ao lado de outros combatentes, no vídeo.

"Mesmo veneno está disponível. Então, envenene a água e a comida de pelo menos um dos inimigos de Alá." 




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Oito terroristas morreram nos atentados de Paris


Exame.com
Com informações Agência AFP

Christian Hartmann/Reuters 
Três pessoas se abraçam perto da casa de shows Bataclan em Paris

Paris – Oito terroristas foram mortos na noite desta sexta-feira na onda de atentados em Paris, incluindo sete que detonaram cinturões com explosivos, informou à AFP um oficial ligado à investigação.

Quatro agressores morreram na casa de shows Bataclan, sendo três que acionaram cinturões com explosivos e um abatido pela polícia antes de acionar seu cinturão. Outros três suicidas explodiram nos arredores do Stade de France e um quarto morreu no Boulevard Voltaire, próximo ao Bataclan, revelou o oficial.

Segundo o promotor de Paris, François Molins, os ataques envolveram seis locais: o Stade de France, o Boulevard de Charone, o Boulevard Voltaire, a rua Alibert, e a rua La Fontaine deu Roi.

Molins destacou que há uma investigação em curso para apurar se há "cúmplices ou coautores" ainda em liberdade.

O comissário Michel Cadot revelou que o assalto policial ao Bataclan "foi muito difícil: os terroristas se trancaram no andar de cima e detonaram seus cinturões de explosivos".

"Três deles detonaram seus cinturões com explosivos e outro, que também carregava um cinturão, foi abatido pela polícia antes de acioná-lo", revelou outra fonte ligada a investigação.

Antes da ação policial, os terroristas atiravam de maneira indiscriminada. "Tinham fuzis grandes, suponho que eram Kalashnikovs, faziam um barulho enorme, atiravam sem parar", contou Pierre Janaszak, animador de rádio e televisão que estava no Bataclan.

Os agressores "não estavam encapuzados, me parece que tinham muita munição. E aconteceu uma explosão muito mais forte, não sei bem o que aconteceu".

"Depois ouvimos os disparos, quando a polícia entrou. Ouvimos tiros por todos os lados e aconteceram outras explosões", acrescentou.

No ataque ao Bataclan, que deixou mais de 100 mortos, os terroristas invocaram a intervenção militar francesa na Síria para justificar sua ação, relatou uma testemunha à AFP.

"Eu ouvi claramente eles dizendo aos reféns que 'a culpa era do Hollande, a culpa era do nosso presidente, que não deveria intervir na Síria'. Falaram também do Iraque", declarou Janaszak.




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Atentados em Paris causam horror e comoção em todo o mundo


AFP

AFP / MIGUEL MEDINA
Presidente François Hollande fala com a imprensa após ataques


A série de atentados terroristas sem precedentes que deixaram mais de cem mortos nesta sexta-feira em Paris e sua região metropolitana causou horror e comoção em todo o mundo e vários dirigentes enviaram sua mensagem de apoio ao presidente e povo franceses.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, condenou "os desprezíveis ataques terroristas realizados em Paris e apresentou suas condolências às famílias das vítimas", segundo seu porta-voz.

O presidente Barack Obama também condenou energicamente o que chamou de "atentado contra toda a humanidade" e uma "tentativa ultrajante de aterrorizar civis".

"Trata-se de um ataque não só contra os franceses, mas contra toda a humanidade e contra os valores que compartilhamos". Obama também disse que os Estados Unidos "trabalharão com a França para levar os terroristas à justiça" e lembrou que, quando ataques desse tipo acontecem, sempre se pode contar com os franceses.

O secretário de Estado de Obama, John Kerry, qualificou os atentados de "ataque contra a nossa humanidade comum".

"Estamos esta noite ao lado do povo francês, como nossos povos sempre estiveram lado a lado nas horas mais obscuras. Estes ataques terroristas não farão mais que reforçar nossa determinação comum" - escreveu Kerry em um comunicado em Viena, onde deve participar neste sábado da reunião internacional sobre a guerra na Síria.

Em uma declaração unânime, os quinze países membros do Conselho de Segurança da ONU condenaram "da maneira mais firme os ataques terroristas odiosos e bárbaros" cometidos em Paris.

O Vaticano expressou sua emoção e pediu uma "resposta decisiva e solidária" após os atentados que deixaram pelo menos 120 mortos em Paris, citando "um ataque contra a paz de toda a humanidade".

A Rússia igualmente condenou a série de "atentados atrozes" e os "assassinatos desumanos" em Paris. O presidente russo, Vladimir Putin, expressou seus pêsames, assim como o apoio e a solidariedade da Rússia ao presidente François Hollande, e ao povo francês.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, adiou sua viagem prevista para a Europa e condenou os ataques, chamando-os de "crimes contra a Humanidade".

O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al-Jubeir, condenou "os ataques terroristas odiosos", considerando que constituem uma "violação de toda a ética, toda moral e toda religião".

Já o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, se disse "profundamente chocado" e manifestou a "solidariedade" da UE.

"Estou muito chocado com os eventos de Paris. Nós manifestamos nossa plena solidariedade com o povo da França", escreveu Juncker no Twitter

"Profundamente chocada", também foram as palavras utilizadas pela chanceler alemã, Angela Merkel, segundo um comunicado oficial.

"O governo alemão está em contato com o governo francês e demonstra a compaixão e a solidariedade do povo alemão", afirmou Merkel.

O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, expressou sua "solidariedade com seus irmãos franceses".

"A Itália está junto a seus irmãos franceses, contra o atroz ataque à Paris e à Europa", disse Renzi em sua conta Twitter. Roma convocou um comitê nacional de segurança no sábado pela manhã.

"A Europa, atingida em seu coração, saberá reagir à barbárie", acrescentou

O chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, manifestou ao primeiro-ministro francês Manuel Valls a solidariedade da Espanha.

Rajoy conversou por telefone com Valls para expressar "suas condolências (...), toda sua solidariedade".

Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan pediu um "consenso da comunidade internacional contra o terrorismo".

"Enquanto país que conhece perfeitamente os métodos e as consequências do terrorismo, compreendemos perfeitamente o sofrimento que a França vive atualmente", acrescentou.


AFP / JIM WATSON
Obama fala à imprensa após ataques na França

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que seu país está ao lado da França.

"Israel está lado a lado com o presidente François Hollande e com o povo francês na guerra conjunta contra o terrorismo", afirmou Netanyahu, que deu pêsames, em nome do povo israelense, às famílias das vítimas e desejou uma rápida recuperação aos feridos.

O Japão se declarou "chocado" e "revoltado" após os "atos de terrorismo desumano e odioso".

"O terrorismo nunca vencerá a democracia", afirmou o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

"Estou chocado com os acontecimentos desta noite em Paris", escreveu o primeiro-ministro britânico David Cameron no Twitter. "Nossos pensamentos e orações vão para o povo francês".

O Canadá também expressou sua solidariedade para com a França.

"O Canadá está com a França neste tempo sombrio e oferece toda a assistência possível", declarou o primeiro-ministro canadense Justin Trudeau.

"Consternada pela barbárie terrorista, expresso meu repúdio à violência e minha solidariedade para com o povo e o governo francês", declarou a presidente brasileira Dilma Rousseff em sua conta no Twitter.

O prefeito de Nova York, que entrou em estado de alerta preventivo em função dos atentados de Paris, também exprimiu sua solidariedade.

"Os nova-iorquinos ficaram inconsoláveis de ver nossa cidade-irmã de Paris ser atingida por essa violência sem sentido".

O governo da China afirmou que está "profundamente comovido" e "condena firmemente os ataques terroristas".

"O terrorismo é o inimigo de toda a humanidade e a China apoia firmemente a França em seus esforços para combater o terrorismo", disse Hong Lei, porta-voz do ministério das Relações Exteriores.

A China transmite "profundos pêsames" a França, completou.

"O Afeganistão, mais do que qualquer um, é vítima há muito tempo do terrorismo e compreende o sentimento de dor do povo francês", reagiu o presidente afegão Ashra Ghani.




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Estado Islâmico reivindica responsabilidade por atentados de Paris


O Globo
Com Agências Internacionais

Hollande culpa jihadistas do EI por ‘ato de guerra’ e decreta três dias de luto nacional

PASCAL ROSSIGNOL / REUTERS
Polícia investiga local dos atentados em Paris um dia depois 
dos atentados que deixaram mais de 120 mortos 


PARIS — Um dia depois dos atentados em Paris que deixaram ao menos 127 mortos, o presidente da França, François Hollande, classificou neste sábado os ataques como um “ato de guerra” cometido pelo Estado Islâmico e decretou três dias de luto nacional. Logo em seguida, os jihadistas reivindicaram a responsabilidade pelo massacre em um comunicado no qual afirmam que seus combatentes munidos de explosivos e metralhadoras espalharam o terror em vários locais na capital francesa que foram cuidadosamente estudados. Segundo os extremistas, os atos terroristas foram em resposta a insultos ao profeta Maomé e aos bombardeios franceses contra alvos do grupo.

— Tendo ousado insultar nosso Profeta, se gabado de lutar contra o Islã na França e atacando muçulmanos no Califado com seus aviões que não os ajudaram de forma alguma nas ruas mal cheirosas de Paris — diz o comunicado.

Os ataques coordenados em um estádio, sala de concertos e cafés e restaurantes no Norte e Leste Paris foram o tema de uma reunião entre Hollande com um conselho de Defesa, da qual participaram os principais ministros do governo, enquanto o país segue em estado de emergência com as fronteiras fechadas. Depois do encontro, o presidente pediu união nacional e declarou que todas as medidas necessárias serão tomadas para combater as ameaças terroristas.

— O que ocorreu ontem foi um ato de guerra cometido pelo Daesh (acrônimo árabe do EI), organizado a partir do exterior e com ajuda interna — declarou Hollande. — Mesmo ferida, a França vai se reerguer.

Mais cedo, pelo Twitter, o EI divulgou um vídeo ameaçando atacar a França se o país continuar com os bombardeios contra alvos extremistas. No entanto, não ficou claro quando o filme foi gravado.

STEPHANE DE SAKUTIN / AFP 
Francois Hollande faz pronunciamento no Palácio do Eliseu, 
culpando o Estado Islâmico pelos atentados em Paris 

— Enquanto vocês continuarem bombardeando, não viverão em paz — diz o vídeo.

Paris se viu diante de um intenso ataque terrorista na sexta-feira, deixando 127 mortos, além de cerca de 250 feridos, 80 em estado grave. Mais de 70 reféns foram mortos durante um show de rock no teatro Bataclan. Cerca de 40 pessoas morreram vítimas de homens armados que abriram fogo em outros cinco pontos da capital francesa. Ocorreram três explosões do lado de fora do Stade de France, onde a seleção de futebol do país jogava um amistoso contra a Alemanha. Cinco pessoas morreram no entorno do estádio, disse a polícia. A França abriu alerta vermelho. Dois brasileiros ficaram feridos nos ataques, informou a Embaixada.

Segundo informações da cônsul-geral do Brasil em Paris, Maria Edileuza Fontenele Reis, um casal de brasileiros ficou ferido enquanto jantava em um restaurante. O homem estava em estado grave e foi submetido a uma cirurgia. Segundo a cônsul, ele perdeu muito sangue e teve de fazer uma transfusão. A mulher sofreu ferimentos leves.

Oito terroristas morreram nos ataques, sete deles ao detonarem explosivos. Os corpos de todos eles estão sendo estudados e o DNA coletados pelas autoridades em Paris, segundo a CNN. Três homens detonaram explosivos que carregavam, matando-se perto do Stade de France; outros três homens-bomba teriam se explodido no teatro Bataclan, e um quarto foi morto durante o ataque da polícia ao local; outro homem-bomba teria detonado explosivos próximo ao Boulevard Voltaire.




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França declara estado de emergência após ataques mais violentos desde 2ª Guerra


BBC  

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Paris está tomada por policiais e soldados; 
moradores são orientados a ficar em casa

Poucas horas após o mais violento ataque da história francesa desde a Segunda Guerra Mundial, imagens da madrugada deste sábado mostravam uma Paris quase deserta – algo bastante sintomático para aquela que é uma das mais boêmias metrópoles do mundo.

Relatos dão conta de que as poucas pessoas que tentaram sair às ruas foram orientadas pelos mais de 1.500 soldados que tomaram a cidade a se recolherem – mesmo pedido da prefeitura parisiense e da polícia desde o início dos ataques que deixaram mais de 120 mortos e um rastro de feridos na noite desta sexta-feira.

A França amanhece em estado nacional de emergência pela primeira vez desde 2005 – o decreto permite às autoridades a fechar espaços públicos, impor toque de recolher e restrições à circulação de veículos e pessoas.

Embora suas fronteiras tenham sido fechadas, serviços de trem, como o prestado pela Eurostar entre Paris e Londres, devem ser mantidos. Pelo Twitter, a empresa confirmou que as viagens continuarão, mas ofereceu aos passageiros a possibilidade de remarcar seus tickets.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, os aeroportos ficarão abertos e operando. Já escolas e universidades da região de Paris amanheceriam fechadas, diziam as agências de notícias.

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Pessoas foram retiradas da casa de shows Bataclan em estado de choque

Em meio a informações ainda desencontradas sobre o número de vítimas e de autores dos ataques mortos, um promotor afirmou a jornalistas que cúmplices dos atentados ainda poderiam estar à solta.

Até a publicação deste texto, nenhum grupo havia reivindicado os ataques. Relatos apontavam que oito dos autores haviam morrido, sete deles após acionarem cintos suicidas.

O clima de insegurança chegou aos Estados Unidos, onde algumas grandes cidades, como Nova York, afirmaram que reforçariam sua vigilância nos próximos dias. A Bélgica anunciou um aumento no controle de suas fronteiras, especialmente a que a liga com a França.

Ao falar com a imprensa do lado de fora da casa de shows Bataclan, cenário de maior parte das mortes, o presidente francês, François Hollande, classificou os atentados como “uma abominação e um ato bárbaro” e disse que o país travará uma luta “sem misericórdia” contra os “terroristas”. Ele cancelou sua viagem à Turquia, onde participaria do encontro do G20.

Líderes mundiais, como presidente norte-americano, Barack Obama, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron, prestaram solidariedade e ofereceram ajuda à França.

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O presidente François Hollande foi até o Bataclan
 após mortes registradas no local

Sequência de horror
Confira a sequência dos acontecimentos, no horário local, de acordo com os relatos tornados públicos até a publicação deste texto:

21h20: Primeiros ataques foram reportados em áreas boêmias não distantes da praça da República, uma das principais da cidade e palco frequente de manifestações políticas e populares.

21h30: Enquanto a seleção do país jogava contra a Alemanha no estádio Stade de France, no norte da cidade, a primeira de ao menos duas explosões foi ouvida. O presidente francês, que assistia à partida, foi retirado do local às pressas.

Segundo relatos ainda não confirmados, houve a ação de ao menos um homem-bomba e o ataque a restaurantes nos arredores da arena.

Após a partida, torcedores ficaram no gramado à espera de informações. Nos túneis, os jogadores das duas seleções assistiam aos desdobramentos da tragédia pela cidade – os alemães permaneceram no local pelo menos até as 2h30.

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Com medo, torcedores tomaram o gramado 
do Stade de France após o fim da partida

21:50: Disparos foram registrados em um café ao sul do local onde ocorreram os primeiros atentados. Segundo uma testemunha, dois homens abriram fogo em um café.

22:00: A casa de shows Bataclan se tornou palco do pior ataque. Com 1.500 lugares, o espaço estava com todos os ingressos vendidos para a apresentação da banda de rock norte-americana Eagles of Death Metal.

Homens com armas automáticas abriram fogo contra a plateia e fizeram reféns. Duas horas depois, a polícia invadiu o local. Cerca de 80 pessoas morreram.

Também houve relatos de ataques em outras áreas, como a avenida da República e o Boulevard de Beaumarchai, próximo à praça da Bastilha.








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